Escultora Dilva Conte morre aos 87 anos, em Caxias do Sul - Cidades - Pioneiro

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Memória30/09/2018 | 11h16Atualizada em 30/09/2018 | 15h26

Escultora Dilva Conte morre aos 87 anos, em Caxias do Sul

Artista plástica e escritora, que lutava contra um câncer desde 2014, havia lançado o livro autobiográfico "Pátina do Tempo", no último dia 15

Escultora Dilva Conte morre aos 87 anos, em Caxias do Sul Marcelo Casagrande / Agência RBS/Agência RBS
Junho de 2018: Dilva Conte e o Anjo Samuel, escultura em homenagem ao neto falecido em 2008, aos 21 anos Foto: Marcelo Casagrande / Agência RBS / Agência RBS

Morreu ao entardecer deste sábado em Caxias do Sul a escultora Dilva Slomp Conte. Ela tinha 87 anos e lutava contra um câncer desde 2014. O velório e as últimas homenagens ocorrem até as 16h30min deste domingo (30), na sala A do Memorial São José, em frente ao Cemitério Público Municipal. Na sequência, às 17h, ocorre a cremação.

O falecimento de dona Dilva ocorreu exatas duas semanas após o lançamento do livro autobiográfico Pátina do Tempo - Lembranças da Filha de uma Imigrante no Sul do Brasil, dia 15, no Museu Municipal. Foi quando a família oficializou também a doação de peças importantes de seu acervo têxtil ao museu, entre elas os corpetes dos vestidos de casamento de Dilva e da mãe, Vergínia, usados respectivamente em 1906 e 1956, e os lençóis de linho do enxoval de ambas, destacados na publicação. A ocasião marcou a última aparição em um evento público da escultora, que permaneceu no Museu por apenas alguns minutos, acompanhada da família e de amigos próximos.  

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O livro coroou uma série de atividades e peças desenvolvidas por dona Dilva nos últimos quatro anos — que a ajudaram a enfrentar a doença e, desde então, já fazem parte do legado artístico e da memória coletiva da cidade. Entram aí a estátua de Beatrice, junto ao busto de Dante Alighieri, na praça; o Anjo Samuel, homenagem ao neto entregue junto ao largo Fábio Formolo (defronte ao Cemitério Público); e o busto de seu irmão mais velho, Primo Slomp, no Museu da Uva e do Vinho de Forqueta, onde repousam suas origens.

Em tempo: quem visitar a Feira do Livro, na Praça Dante, poderá conferir uma estrutura especial para apreciar o monumento Beatrice de Dante. 

— Ela realizou muitos sonhos de mais humanidade, amor e cultura, nos quais todos estávamos incluídos. Ela se foi serena, fez a sua parte pela família, pelos amigos e pela cidade. Foi uma referência para muitos. Cabe-nos seguir seu legado — escreveu a filha Marta Conte. 

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Dilva Conte em seu ateliê em junho, com o busto do irmão Primo Slomp (à esquerda)Foto: Marcelo Casagrande / Agência RBS

Origem e família

Filha dos pioneiros Joaquim Slomp e Vergínia Lain Slomp, Dilva nasceu em 1931, em Forqueta. Era a caçula de uma prole completada pelos irmãos Primo, Joaquim Slomp Filho, Rosa, Serafina, Égide e Virgínia. Formada pelo Magistério do Colégio São José, em 1952, Dilva uniu-se ao conterrâneo Joel Conte em 15 de setembro de 1956, mesma data da celebração das bodas de ouro de seus pais, Joaquim e Vergínia, cujo casamento ocorrera 50 anos antes, em 1906. 

Do enlace de Dilva e Joel nasceram cinco filhos: Francisco, Marta, Marília, Roberto (Beto) e Marcia, que desde sempre fizeram questão de dar continuidade e manter o legado das famílias Lain, Slomp e Conte. Tudo, logicamente, dialogando com as memórias "da Forqueta", onde a trajetória da família Slomp esteve atrelada ao pioneiro comércio de secos & molhados de Joaquim; à estação ferroviária e à fundação da cooperativa vinícola mais antiga da América Latina

Estas e outras tantas lembranças estão fartamente distribuídas no livro Pátina do Tempo, cujo prefácio é assinado pela historiadora Loraine Slomp Giron, sua sobrinha: 

Forqueta de nossa infância, que, como nossa infância, já não existe, mas está para sempre em nós, bem como estas profundas raízes das colônias e imigrantes que nos fizeram fortes e corajosas; e por fim a história que abriga ao mesmo tempo a terra, o passado e a identidade. Identidade que vem da família. Com bem observa Victor Hugo: "Quando se decompõe uma sociedade, o que se acha como resíduo final não é o indivíduo, mas sim a família". Afinal, todos nós somos os resíduos do passado.

A escultora Dilva Conte em seu ateliê, em junhoFoto: Marcelo Casagrande / Agência RBS

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