Prefeitura de Caxias considera que projeto de loteamento popular foi bem-sucedido - Cidades - Pioneiro

Versão mobile

 

Rota Nova 2/228/08/2018 | 08h30Atualizada em 28/08/2018 | 08h30

Prefeitura de Caxias considera que projeto de loteamento popular foi bem-sucedido

420 famílias foram realocadas para o complexo habitacional Rota Nova em 2017

Prefeitura de Caxias considera que projeto de loteamento popular foi bem-sucedido Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Um ano depois da realocação de 420 famílias ao residencial Rota Nova, em Caxias do Sul, a diretora de Proteção Básica da Fundação de Assistência Social (FAS), Heloísa Teles, considera como alcançados os objetivo definidos no projeto.

Leia mais
Um ano depois, loteamento popular de Caxias segue sem acesso a serviços básicos

— O direito a moradia é garantido pela Constituição, mas nem sempre é cumprido. O que fizemos foi materializar isso com o Rota Nova, até por não haver contrapartida (custos de aquisição) por parte dos moradores. Mas é claro, as demais políticas públicas precisam ser organizadas para atender essa população, e isso fizemos ao longo desse um ano — afirma.

Apesar de não haver ainda acesso à saúde e à educação facilitados, ela acredita que o complexo não deve apresentar os problemas constatados no loteamento Campos da Serra.

— Com certeza, não é realidade similar ao Campos da Serra porque os moradores têm, sim, acesso facilitado aos serviços públicos. O sentimento de isolamento é causado pelo processo de mudança, porque lá no Santa Fé e no Cidade Industrial eles tinham tudo bem perto de casa. Mas estamos tentando agilizar tudo ao máximo — garante.

Ela comenta que atendimento voltado a famílias e, especialmente, a crianças que residem no local, deve ser implementado nos próximos meses pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Oeste.

Para o secretário municipal da Habitação, Elisandro Fiuza, a implantação do projeto também é considerada um sucesso.

— Foi um projeto feito por várias mãos e bem implementado. Muitas vezes, há situações que não dependem só de planejamento, pois tem todo um trâmite a ser respeitado. No futuro, nos próximos projetos, esperamos conseguir entregar não só as moradias, mas todos os serviços básicos de forma contínua — afirma.

Os restos deixados, ficaram

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 27/08/2018 - Reportagem sobre um ano do residencial Rota Nova. NA FOTO: restaram os entulhos onde viviam 40 famílias removidas para o conjunto habitacional. (Marcelo Casagrande/Agência RBS)
No Cidade Industrial, entulhos seguem no local até a prefeitura conseguir contratar empresa para limpezaFoto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Parte dos entulhos deixados durante o processo de realocação permanecem nas áreas onde ficavam as moradias nos bairros Cidade Industrial e Santa Fé. Por se tratarem de áreas pertencentes ao Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), não é possível ocupá-las. Ainda assim, entre os diversos projetos vinculados ao Rota da Nova, a prefeitura de Caxias anunciou o plantio de árvores nos espaços ociosos. A ideia, porém, não saiu do papel.

— Ainda não teve andamento porque não conseguimos remover os restos de construções desses locais. Precisamos contratar uma empresa para esse serviço, e as duas licitações que lançamos deram desertas. Neste momento, estamos elaborando novo processo licitatório — informa o secretário de Habitação, Elisandro Fiuza.

Em ambos os locais, a única vegetação que cresce é o mato em meio aos entulhos. De acordo com o presidente da Associação dos Moradores de Bairro (Amob) Cidade Industrial, Luis Atilio Rodrigues, desde que as casas foram removidas da região, a prefeitura não realizou nenhum serviço de limpeza.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 27/08/2018 - Reportagem sobre um ano do residencial Rota Nova. NA FOTO: bairro Santa Fé, às margens da Rota do Sol, onde viviam muitas famílias que foram transferidas para o Rota Nova. (Marcelo Casagrande/Agência RBS)
No Santa Fé, mato cresceu junto da rodovia, encobrindo a área onde estavam dezenas de moradoresFoto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

— Prometeram tirar os entulhos, mas até agora nada. Estão construindo um condomínio de luxo aqui próximo e, pelo que notei, isso deve fazer com que a prefeitura, enfim, se mexa e retire o lixo acumulado naquelas áreas — comenta o líder comunitário.

— Sabemos como a população age quando vê aquele espaço aberto e com alguns entulhos: eles acabam usando a área como depósito de lixo. Nos preocupa que a falta de manutenção torne esses locais um lixão. Também nos preocupa que eventualmente sejam invadidos novamente — observa o presidente da Amob Santa Fé, Joevil Reis da Silva.

Durante esse período, a Guarda Municipal interviu em pelo menos duas ocasiões para impedir a ocupação das áreas por moradias.

Apesar dos pontos negativos,  Joevil destaca o novo aspecto urbanístico que o bairro ganhou após a realocação:

— Mudou muito. Humanizou nosso bairro. Antes parecia uma favela. Não que não sejamos humildes, mas agora temos cara de comunidade.

PENDÊNCIAS

:: UBS Reolon: a ampliação do prédio da unidade básica de saúde (UBS) do bairro Reolon está em andamento desde o ano passado. Ao todo, foram investidos mais de R$ 1 milhão na nova estrutura, que substituirá a antiga. A unidade é uma exigência federal devido ao projeto Rota Nova. A previsão de conclusão era o final de junho deste ano. Porém, até ontem, a construção não havia sido entregue. No início deste mês, o secretário do Planejamento, Fernando Mondadori, garantiu que as obras físicas estariam  prontas na metade do mês, mas, até esta segunda-feira, a obra não havia sido entregue. Segundo ele, faltavam apenas ajustes e correções, como a colocação de um corrimão, entre outras pequenas intervenções. Conforme Mondadori, entre os motivos que levaram à demora estão as condições climáticas e também furtos que ocorreram no canteiro de obras. O secretário diz que isso não acarretou custo extra para o município, mas atrasou os trabalhos. Ficará a cargo da Secretaria da Saúde a instalação de equipamentos e móveis adicionais para a mudança. O custo da obra é de cerca de R$ 1 milhão, dos quais 73% são repassados pelo governo federal e 27% de contrapartida do município.

:: Escola infantil no bairro Mattioda: a construção da creche no loteamento Mattioda foi iniciada em junho deste ano. A previsão é de que a obra seja concluída em dezembro de 2019. Serão investidos mais de R$ 5,4 milhões. Uma estrada com ligação ao Residencial Rota Nova também será implantada como obra complementar.

:: Remoção de entulhos: o município trabalha na elaboração de terceiro edital para contratação de uma empresa que irá remover os resíduos deixados nos bairros Cidade Industrial e Santa Fé após a realocação das moradias. Ainda não há previsão de quando o trabalho será executado. Após, a ideia é que a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) inicie processo de reflorestamento desses locais.

:: Famílias consideradas numerosas (com mais de cinco integrantes) e que não foram contempladas com apartamentos no Rota Nova ainda recebem auxílio-moradia e aguardam a realocação pelo poder público. Não há previsão de quando isso deve ocorrer.

PRÓXIMOS PASSOS

A Secretaria Municipal da Habitação trabalha na elaboração de editais para a implantação de novas moradias populares pelo programa Fundo da Casa Própria (Funcap). A ideia é, inicialmente, viabilizar a construção de 100 casas no loteamento Campos da Serra. Simultaneamente, articula a viabilização de 400 novas unidades habitacionais. Para esse projeto, não há previsão de início efetivo. Atualmente, estima-se que cerca de 9 mil pessoas aguardem na fila de espera por habitação em Caxias.

Leia também
Família quer encontrar dentista para confirmar identidade de vítima de incêndio, em Caxias
Apenado em domiciliar é o terceiro preso por morte no Santa Lúcia, em Caxias

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros