Memória: Rua Guia Lopes no Boletim Eberle em 1958 - Cidades - Pioneiro

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Caxias antiga22/08/2018 | 07h30Atualizada em 22/08/2018 | 07h30

Memória: Rua Guia Lopes no Boletim Eberle em 1958

Primeiro colunista social do Pioneiro, Christiano Carpes Antunes morava próximo ao antigo Mato dos Magnabosco e abordou a evolução da via

Memória: Rua Guia Lopes no Boletim Eberle em 1958 Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação/Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
A Rua Guia Lopes na esquina com a Sinimbu em 1948, com o recém-construído prédio do Auto Palácio Foto: Studio Geremia / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação / Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Lembrado principalmente como colunista social dos jornais Pioneiro e Caxias Magazine, o jornalista e escritor Christiano Carpes Antunes (1934-1967) também teve atuação no lendário Boletim Eberle, informativo interno editado pela metalúrgica entre 1956 e 1965.  

Era ele o responsável pela seção "Ruas de Caxias do Sul", espécie de testemunho informal sobre o que enxergava durante seus passeios pela área central entre os anos 1950 e 1960. Um relato curioso apareceu na edição de julho de 1958, quando, doente em casa, ele resolveu escrever sobre a própria via onde morava: a Do Guia Lopes. 

Abaixo, parte do texto original, escrito há 60 anos. 

Impressões de 60 anos atrás

Achando-me acamado com “asiática” (gripe), sem poder sair de casa, lembrando-me de meus compromissos, entre os quais figura o para com este boletim, ocorreu-me uma ideia. Por que não escrever sobre a rua onde moro. Seria ótimo descrever esta via pública, onde passo diariamente, uma, duas, três ou mesmo quatro vezes por dia, onde cada árvore, cada casa e até a vizinhança já me é familiar. Esta rua em si é quase toda calçada com paralelepípedos, com exceção de três quadras, sendo uma onde o autor desta crônica reside.  

Contrariando a nossa norma em começar a descrever as ruas de Caxias do Sul pelos números mais baixos, desta vez começaremos de maneira diferente. Duas razões nos levam a assim proceder. Primeiramente, para facilitar nosso trabalho e, em segundo lugar, por crermos que futuramente esta rua haverá de se estender em direção ao norte, onde existe agora um bosque chamado habitualmente de "Mato do Magnabosco", enquanto, que na outra ponta desta rua acreditamos que não haverá maiores modificações futuras.  

É, pois, dos portões da Chácara Eberle que inicia-se a Rua Guia Lopes, e até a rua preferencial Os Dezoito do Forte, temos a primeira quadra, formada por casas residenciais de alvenaria e de madeira. Já é algo natural encontrar-se na esquina de cada quarteirão um bar ou armazém, e a Rua Guia Lopes não foge à regra.  A quadra seguinte nos apresenta uma verdadeira ladeira. Além de casas residenciais um tanto antigas, alguns pequenos mercadinhos e o Armarinho Menegassi. 

Agora já estamos na terceira quadra e deparamos com o prédio onde se acha instalada a firma Auto Palácio Ltda e, na esquina fronteira, um restaurante. De lado a lado da rua, casas de alvenaria e de madeira. Na mesma quadra, na esquina com a Av. Júlio de Castilhos, um prédio de cor amarela, onde funciona no andar térreo uma oficina de consertos de rádio e, ainda no mesmo pavimento, a Igreja Episcopal Brasileira. No andar superior, um conservatório de música, isto é, de gaitas (o Conservatório Musical Rossini).  

Continuamos nosso passeio, atravessamos a Av. Júlio de Castilhos e, à nossa direita, um cercado de madeira, anunciando nova construção, um edifício de mais de dez andares (o futuro Edifício Paraíso). Na esquina a esquerda, uma oficina mecânica. Atravessamos a Rua Pinheiro Machado e nada de extraordinário. Apenas a fábrica do Café Albion, um armazém, uma fiambreria e engarrafamento de vinho, e casas residenciais. Ingressamos na quinta quadra, após passar pela Rua Bento Gonçalves, e encontramos a Oficina Mecânica Dalva. No ponto em que encontramos a Rua Ernesto Alves, termina o calçamento da Rua Guia Lopes.  

O trecho que em espírito vamos agora percorrer nos impossibilita de contarmos as quadras. O famoso arroio do Tega se faz presente. O aspecto desse trecho de rua é bastante colonial e somente encontramos casas de madeira, algumas com seus porões adaptados em alvenaria. A Rua Guia Lopes sobe novamente e vai terminar em um mato virgem, o mato que nos referimos anteriormente e que transforma o clima dessa zona, tornando o local uma verdadeira estação de veraneio.  

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A Rua Guia Lopes esquina com a Pinheiro Machado, por volta de 1958Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação

O patrono 

José Francisco Lopes, o Guia Lopes (1811-1868), foi um voluntário do Exército Brasileiro durante a Guerra do Paraguai, responsável por guiar as tropas brasileiras durante a Retirada da Laguna. 

O Boletim Eberle

Nas reproduções a seguir, as páginas do Boletim Eberle de julho de 1958, onde Christiano Carpes Antunes, o Christian, detalhou a rua.

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Foto: Acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
Foto: Acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
Foto: Acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução

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