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Caxias antiga01/08/2018 | 07h30Atualizada em 04/08/2018 | 14h17

Memória: Cantina Antunes, uma carta e um catálogo

Carta enviada por leitor de São Paulo desperta a lembrança das bebidas da linha Imperial

Memória: Cantina Antunes, uma carta e um catálogo Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação/Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Os parreirais da lendária Quinta São Luiz em meados da década de 1930 Foto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

As lembranças da antiga Cantina Antunes e seus produtos seguem na memória de milhares de consumidores Brasil afora. Que o diga o senhor Antonio Gavioli, 75 anos, morador de Sorocaba (SP) e responsável pelo envio de um material pra lá de precioso à coluna. Trata-se de um catálogo dos antigos vinhos Imperial, uma das tantas marcas registradas da empresa fundada pelo imigrante português Luiz Antunes em 1865, em Porto Alegre – e chegada a Caxias por volta de 1910, sob o comando do filho Armando. 

O catálogo, recheado de fotografias antigas, é uma viagem ao tempo em que a Antunes deu início à venda de vinho engarrafado, em meados da década de 1920. É quando surge a Imperial, marca adotada para esse tipo de envase, juntamente com o embarrilamento. 

Além do vinho, a linha abarcava champanha, conhaque, quinado, vermute e suco de uva. Todos produzidos a partir das variedades cultivadas nos lendários vinhedos da Quinta São Luiz, eternizada nas duas fotos desta página. As imagens estão reproduzidas no catálogo enviado pelo senhor Gavioli e também integram o acervo do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

Leia mais:
Cantina Antunes em rótulos e receitas
Nos tempos da Cantina Antunes
A Quinta São Luiz e o Quinta Estação
Imigração portuguesa: Tanoaria São Martinho em 1948   

A vindima na Quinta São Luiz em 1932Foto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

A missiva

A carta de seu Antonio Gavioli não dá muitas pistas da origem do catálogo, datado provavelmente do final da década de 1930. Mas um e-mail enviado posteriormente explica por que o folheto foi guardado por tanto tempo: 

—  Não sei dizer a origem do folheto.  Apenas me lembro que o conheço desde que era criança.  E como tenho um pouco de espírito de historiador, conservei-o comigo. 

A seguir, parte da missiva:

“Olá, Rodrigo:

Ao mudar-me de uma casa para um "apertamento", tive que me desfazer de muitas coisas. Encontrei este livreto que deve ser meio antigo, pois a gráfica que o imprimiu foi a "Typ. Schapke" (observe o y). Vi seus tópicos no jornal Pioneiro e acho que o folheto estará em boas mãos estando com você. Não creio que seja desconhecido, pois fotos do livreto aparecem nos seus tópicos. Mesmo assim, e apesar de ter sido vítima de goteira que lhe deixou marcas, estou lhe encaminhando".

Leia mais:
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Lembranças da Vinícola Mosele  
Rua Tronca em 1958

Foto: Rodrigo Lopes / especial
Foto: Rodrigo Lopes / especial
Foto: Rodrigo Lopes / especial
Foto: Rodrigo Lopes / especial

As receitas

O catálogo traz ainda 30 receitas de coquetéis vintage. Estão lá delícias de antigamente, como o "Cocktail Imperial Club", o "Rob Roy", o "Manhattan" e o "Morning Glory Fizz", entre tantos outros preparados à base dos famosos Quinado Imperial, Vermute Doce Imperial e Conhaque Soberano. 

Parceria

Parte das informações desta coluna foi reproduzida da publicação Mirante: Cantina Antunes, editada em 1999 pela Secretaria Municipal da Cultura.

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