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Caxias antiga10/07/2018 | 07h30Atualizada em 10/07/2018 | 08h09

Memória: Padaria Moderna, sabores de uma época

Estabelecimento surgiu em meados dos anos 1930 e logo consolidou-se como uma referência em pães, biscoitos e cucas

Memória: Padaria Moderna, sabores de uma época Studio Geremia / Banco de dados, Agência RBS/Banco de dados, Agência RBS
O empresário Paulo Lohmann (à esquerda) e um grupo de funcionários preparando os clássicos pães d¿água, em meados da década de 1940 Foto: Studio Geremia / Banco de dados, Agência RBS / Banco de dados, Agência RBS

Endereço que marcou época na Rua Pinheiro Machado, entre as ruas Garibaldi e Marechal Floriano, a Padaria Moderna é um dos estabelecimentos cuja história integra a mostra "Gastronomia e Museus: Diálogos entre Caxias e Bento". Enfocando alimentação e memória afetiva e tendo o trigo como protagonista, a exposição abre oficialmente hoje à noite, no Museu Municipal (leia mais abaixo).

Antigo letreiro da Padaria Moderna ressurge no Centro de Caxias

De propriedade do comerciante Paulo Lohmann, a Padaria Moderna surgiu em meados dos anos 1930. Já naquela época, consolidou-se como uma referência em pães, biscoitos e cucas, sendo que a maior parte das receitas era elaborada por Edwiges Kunz, esposa do empresário. 

Paulo e Edwiges tiveram quatros filhas: Olga (casada com Paulo de Paula), Reny (casada com Antonio Rodrigues), Flavia (casada com Paulo Segala) e Adelícia (ou "Alice", casada com Eduardo Mosele, um dos fundadores da extinta Vinícola Mosele), todos na imagem abaixo.

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Paulo Lohmann e Edwiges Kunz (ao centro) e as quatros filhas: Olga (E) casada com Paulo de Paula; Reny, casada com Antonio Rodrigues; Flavia, casada com Paulo Segala; e Adelícia (D), casada com Eduardo MoseleFoto: Studio Geremia / Banco de dados, Agência RBS

Os famosos pães d'água

A padaria funcionou entre o final dos anos 1930 e meados dos anos 1980 na Rua Pinheiro Machado, 2.148. Na década de 1960, cerca de 20 sacos de farinha de trigo eram gastos por dia na confecção dos clássicos pães d’água – de meio quilo —, que predominavam nas vendas.

Em 1950, a publicação Documentário Histórico do Município de Caxias do Sul (1875-1950), de autoria do jornalista Duminiense Paranhos Antunes, destacou o estabelecimento. Naquela época, o empreendimento já era comandado pelo empresário Antônio Netto Rodrigues. 

"O mais moderno estabelecimento de panificação de Caxias do Sul, fabricando também biscoitos, cucas e outros produtos do ramo. Na fotografia, vê-se o moderno Forno Vulcão, última palavra em fornos termo-contínuos."

Nas imagens abaixo, outros momentos da padaria nos anos 1940 e um anúncio veiculado no jornal "O Momento" de 22 de julho de 1948.

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O comerciante Paulo Lohmann e o grupo de funcionários da padaria em meados dos anos 1940Foto: Coleção de Adelícia Lohmann Mosele / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
O comerciante Paulo Lohmann e os padeiros em meados da década de 1940Foto: Coleção de Adelícia Lohmann Mosele / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Foto: Acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução

Gastronomia e Museus

Além de promover um diálogo entre a produção, circulação e consumo de alimentos derivados das farinhas de trigo e milho, a exposição "Gastronomia e Museus: Diálogos entre Caxias e Bento" resgata também um pouco da história do setor tritícola na cidade. 

Na abertura, às 19h de hoje, o público poderá conferir peças do acervo do Museu Municipal relacionadas ao plantio, produção, moinhos, fábricas, saberes e fazeres ligados ao trigo, mescladas a imagens do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, Museu dos Capuchinhos (Muscap) e Instituto Memória Histórica e Cultural (IMHC) da UCS.

Confira abaixo alguns detalhes da mostra.

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Foto: Marcelo Casagrande / Agência RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agência RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agência RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agência RBS

Atividades paralelas

Durante o período da mostra, os visitantes poderão adquirir produtos típicos, como massas, pães e cucas, diretamente dos produtores cadastrados na Secretaria Municipal da Agricultura. No dia 15 de julho, eles participam de uma feira no pátio interno do Museu, das 11h às 15h. 

Também estão programados um encontro para trocas de receitas feitas com farinha de trigo, dia 25, e uma oficina de massas, dia 1º de agosto. As duas atividades têm vagas limitadas. 

A exposição "Gastronomia e Museus: Diálogos entre Caxias e Bento" até 4 de agosto, com entrada franca. 

Programação

:: 10 de julho: 19h (Abertura da exposição)
Acervo do Museu Municipal relacionado ao plantio, produção, moinhos, saberes e fazeres ligados ao trigo, com imagens do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, além do apoio de parceiros como o Museu dos Capuchinhos (Muscap), frei Arlindo Battistel e Instituto Memória Histórica e Cultural/IMHC UCS.

:: 15 de julho: 11h às 15h (Mercado no Museu Municipal)
Feira de produtos fabricados com farinha de trigo no jardim do Museu Municipal.

:: 25 de julho: 14h às 16h30 (Venha ciacolar no Museu)
Troca de receitas de culinária típica das diferentes etnias feitas somente com farinha de trigo. Sugere-se levar a receita escrita para montagem de um livreto das receitas do encontro. Os participantes podem levar uma amostra de sua receita para confraternizar. Inscrições presenciais no Museu Municipal até 20 de julho (vagas limitadas).

:: 1° de agosto: 14h às 16h (Aprendendo a fazer massa)
Oficina de massa caseira. Inscrições presenciais no Museu Municipal até 27 de julho (vagas limitadas).

Todas as atividades ocorrem no Museu Municipal (Rua Visconde de Pelotas, 786). Fone: 3221.2423.

Em Porto Alegre e Bento

A mostra em Caxias integra uma exposição compartilhada, que ocorre simultaneamente em outros espaços museológicos de Bento Gonçalves e Porto Alegre. Na capital, a exposição está sediada no Museu Júlio de Castilhos. Já em Bento Gonçalves, ela ocorre no Museu do Imigrante.

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