Memória: Lobo da Estepe e o Baile do Caixão em 1975 - Cidades - Pioneiro

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Caxias antiga02/07/2018 | 07h30Atualizada em 02/07/2018 | 07h30

Memória: Lobo da Estepe e o Baile do Caixão em 1975

Show realizado no Dia de Finados de 43 anos atrás entrou para a história da banda caxiense

Memória: Lobo da Estepe e o Baile do Caixão em 1975 Acervo pessoal de Luiz Benvenutti / divulgação/divulgação
Em 1975: Joel Viana, Egidio Caberlon, Mário Badalotti, Abel Prezzi Neto, Onofre Hoffmann, Luiz Afonso Benvenutti e Mario Pastor Foto: Acervo pessoal de Luiz Benvenutti / divulgação / divulgação

Uma das bandas mais lembradas do rock caxiense dos anos 1970, a Lobo da Estepe teve de prestar esclarecimentos públicos por causa de um show. Foi o polêmico Baile do Caixão, realizado em 2 de novembro de 1975, no antigo Clube Atlético Madrid, no bairro Rio Branco. A agremiação contratou o grupo para fazer uma espécie de "homenagem aos mortos" no Dia de Finados. 

Banda Lobo da Estepe nos anos 1970

Matéria veiculada no Pioneiro de 5 de novembro de 1975, "Morto ressuscitou durante o Baile do Caixão", detalhava a noitada:

"Para animar o baile, foi contratado um conjunto moderno, conforme anunciavam os cartazes. E participaram ainda diversos dançarinos fantasiados de caveiras, que animaram a noite ao som estridente das guitarras, dançando em volta de um caixão fúnebre, estrategicamente colocado no meio do salão. A maior surpresa só veio à meia-noite. As velhas dobradiças do caixão começaram a ranger, e o morto, ao mesmo tempo em que levantava a cobertura, deixava ver suas pinturas de caveira. Ressuscitou e pôs-se a dançar".

Logicamente, o ineditismo da performance não passou batido. Na edição de 15 de novembro de 1975, duas semanas após o show, a banda foi entrevistada pelo Pioneiro. O título da matéria já dava uma noção do ocorrido: "Deu polêmica o Baile do Caixão". E o texto seguia o mesmo estilo: "Muita gente condenou, criticou e mil transas foram comentadas, por isso entramos em contato com os músicos para sabermos realmente o que foi promovido".

Os músicos

À época do show, a banda Lobo da Estepe estava formada pelos músicos Joel Viana, Egidio Caberlon, Mário Badalotti, Abel Prezzi Neto, Onofre Hoffmann, Luiz Afonso Benvenutti e Mario Pastor, todos na foto acima — a mesma publicada na matéria de 15 de novembro de 1975 (abaixo). 

Atuante entre 1969 e 1981, a Lobo tinha uma postura ousada em cena, privilegiando um repertório hard-rock de covers de Led Zeppelin, Deep Purple, Rolling Stones, Alice Cooper e Steppenwolf.

Born to be wild!!!!!!

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Foto: Acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
Foto: Acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução

A entrevista de 1975

A seguir, a entrevista concedida pelos integrantes ao Pioneiro em 1975:

"Já no início de nossa reportagem os rapazes do Lobo da Estepe nos disseram: "Fomos nós que tocamos no Baile do Caixão".

Pioneiro: Vocês foram pagos para tocar?
Lobo da Estepe:
Naturalmente, do contrário, nós não teríamos tocado.

O conjunto sofreu alguma critica ou foi desprestigiado?
Não houve problemas, todos os comentários só estão nos tornando mais conhecidos ainda.

Qual foi a função do conjunto dentro do esquema do baile?
Na verdade, nós nem sabíamos ao certo o que estava programado, apenas tínhamos a função de animar o baile, e que seria posto um caixão de defunto no centro do salão. A aparição do "negão", lá pelas tantas, foi improvisada.

O clube se deu mal?
É, parece que houveram alguns problemas, especialmente de alguns conservadores.

Naquele momento do Baile do Caixão, como vocês se sentiram?Nos sentimos da mesma forma como se estivéssemos num outro baile qualquer, pois a nossa preocupação estava voltada para a música.

E como reagiu o público?
Alguns com indiferença, outros se divertiram muito, mas durante a abertura do caixão, muitos gritinhos pelas moças que estavam presentes, pois não esperavam alguém dentro do caixão

O clube tinha decoração?
Não.

Qual a indumentária do conjunto?
Todos com pintura facial e trajes exóticos, pois faz parte de nossa performance, de nos vestirmos de maneira diferente de vez em quando.

Qual a crítica de vocês diante do acontecido?
De nossa parte não temos nada a protestar. Acreditamos que, como Hermann Hesse, Huxley e Nietzche, as pessoas diferem entre si, por isso não se pode exigir um comportamento igual na reação da plateia e comentários futuros da moral religiosa e da ética conservadora. Sabe-se que, mesmo em Dia de Finados, muitos estão mais dispostos a dançar do que a seguir o caminho pré-estabelecido pela sociedade convencional.

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