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Caxias antiga20/07/2018 | 07h30Atualizada em 20/07/2018 | 10h19

Memória: desastre aéreo mobiliza o quartel em 1975

Acidente vitimou o piloto Aurélio Spalding, cujo avião da Base Aérea de Santa Maria chocou-se com um canhão

Memória: desastre aéreo mobiliza o quartel em 1975 Acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução/reprodução
Foto: Acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução / reprodução

Na semana em que o 3º Grupo de Artilharia Antiaérea celebra o aniversário de 100 anos de instalação do primeiro Tiro de Guerra em Caxias do Sul, em 1918, recordamos de um episódio que marcou a história do espaço na década de 1970. Foi o trágico acidente de 21 de julho de 1975, que neste sábado, completa exatos 43 anos. 

Naquele dia, um avião de treinamento da Base Aérea de Santa Maria, e que colaborava com o 3º Grupo de Caxias em exercícios de acompanhamento de aeronave, espatifou-se contra o solo, após uma das asas chocar-se com um dos canhões integrantes da atividade. 

O incêndio do avião Duque de Caxias em 1950

Conforme reportagem do Pioneiro de 26 de julho de 1975, o avião era tripulado pelo capitão Aurélio Spalding, um excelente piloto e um dos mais audazes da Força Aérea Brasileira (FAB) no Rio Grande do Sul, segundo colegas de farda e conhecidos:

"Desde às 13h30min, o piloto fazia acrobacias por sobre a cidade, a fim de ser seguido pelos canhões daquela corporação. Foi quando o capitão Spalding entrou em rasante acima dos canhões, e o aparelho, em alta velocidade, chocou-se contra um dos canhões. Perdeu o controle e espatifou-se contra o solo, abrindo um "valetão" no pátio do quartel e indo estatelar-se contra um monte de pedras. O corpo do piloto ainda foi projetado ao ar, caindo em um barranco nas proximidades dos trilhos da Viação Férrea".

Foto: Acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução

As vítimas

Além do capitão Aurélio Spalding, faleceu o aspirante a oficial Admir Vieira de Lemos, do 3º Grupo de Artilharia Antiaérea, colhido pelo aparelho em sua queda. Entre os feridos, o soldado João Luiz Conceição, 19 anos, do efetivo da corporação. 

"Enquanto o corpo do capitão Spalding era levado para Canoas, onde foi sepultado no dia de ontem, o do aspirante foi velado e sepultado, com grande acompanhamento e muita emoção, no Cemitério Municipal de Caxias do Sul". 

Nas imagens acima e abaixo, as reproduções do Pioneiro de 26 julho de 1975, com a cobertura jornalística do Pioneiro.

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Foto: Acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução

O início

Conforme o escritor e militar aposentado Alvino Brugalli, autor do livro O Quartel (2000) e falecido em 2015, a presença do Exército Brasileiro em Caxias do Sul data de 1918, quando foi instalado na cidade o Tiro de Guerra n° 248. A construção do quartel como conhecemos hoje foi iniciada em 1922. 

Alvino Brugalli e uma vida dedicada ao quartel

Entre 1927 e 1949, o local sediou o antigo 9° Batalhão de Caçadores, seguido do 1° Grupo do 4° Regimento de Artilharia Antiaérea, instalado em 15 de abril de 1950. No mesmo ano, ele foi transformado no 3° Grupo de Canhões Automáticos Antiaéreos 40mm. Em 1973, o nome foi simplificado para 3° Grupo de Artilharia Antiaérea, que permanece até hoje.

A construção do então 9º Batalhão de Caçadores, em 1922Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação
O quartel por volta de 1952, quando ainda levava o nome de 3º Grupo de Canhões Automáticos Antiaéreos 40mm. À frente, as antigas guaritas junto à calçada da Avenida Rio BrancoFoto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

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Cápsula do tempo

Na última terça, dia 17, o comando do quartel também desenterrou uma espécie de cápsula do tempo de 96 anos. A urna, localizada junto a um marco de concreto logo após a entrada do quartel, continha exemplares dos jornais "O Brasil" e "A Federação" de abril de 1922, quando foi lançada a pedra fundamental de construção do complexo da Av. Rio Branco. Na caixa havia quatro moedas de réis, um relatório da construtora responsável e a ata de início das obras. 

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