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Caxias antiga18/07/2018 | 07h30Atualizada em 18/07/2018 | 07h30

Memória: Caxias no tempo dos cabungos

Serviço de recolhimento do lixo urbano iniciou-se em 1911, na administração do intendente Penna de Moraes

Memória: Caxias no tempo dos cabungos Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / reprodução/reprodução
Caxias, 1913: galpão para o serviço de remoção de materiais fecais abrigava o depósito dos cabungos, os animais de tração e os carros Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / reprodução / reprodução

Intendente de Caxias do Sul em períodos espaçados, entre os anos de 1911 e 1924, José Penna de Moraes foi o político responsável pela regulamentação do serviço de recolhimento de lixo urbano e materiais fecais na cidade. Enquanto o início da coleta de lixo urbano remete a 1911, o primeiro contrato para o recolhimento de resíduos de fezes, excrementos e outros dejetos foi firmado em 1913. 

Integrante do acervo do Arquivo Histórico Municipal  João Spadari Adami, o relatório oficial da administração pública de 1913 detalhou todo esse processo. O serviço demandou a compra de 600 cubos de madeira — os chamados cabungos, utilizados como depósitos para os materiais fecais —, além de nove animais de tração e dois carros. Os cabungos eram instalados junto às latrinas das residências e, em periodicidade determinada por um regulamento, ocorria a coleta, a substituição por cubos limpos e a eliminação do material recolhido. 

O trabalho era realizado na forma de concessão à empresa privada e executado pelos denominados "cabungueiros". Eles recolhiam os caixotes na zona obrigatória e os transportavam por meio de carroça ou carro para o local de eliminação dos dejetos. A sede em questão situava-se próximo ao Cemitério Público Municipal e servia ainda como depósito para a confecção e higienização dos cubos e como estábulo dos animais. 

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O relatório de 1913 ainda mencionava:  

"Mesmo as afecções intestinais frequentes em toda a parte, durante a estação calmosa parece haverem diminuído ou de um todo, desaparecido. Ocioso será acrescentar-se não serem estranhas a este fato as medidas higiênicas adaptadas desde janeiro, com a remoção e sepultamento dos materiais fecais. Cessaram, assim as infiltrações nocivas que poluíam a água dos poços, com o desaparecimento das fossas fixas até então usadas e tão condenadas por (serem) anti-higiênicas. A estatística sanitária confirma a verdade desta afirmativa".

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Caxias, 1925: o caminhão utilizado no serviço de recolhimento dos cabungos, instalados nas latrinas das residências da área urbanaFoto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / reprodução

Colaboração

Informações desta coluna são uma colaboração do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, a partir de dados reproduzidos da publicação Os 50 Anos do Samae - A História do Saneamento em Caxias do Sul (2006) e do relatório apresentado pelo intendente municipal José Penna de Moraes ao Conselho Municipal em 15 de novembro de 1913 - referente ao período 1/11/1912 a 15/11/1913.

Na imagem acima, de 1925, o caminhão utilizado no serviço de recolhimento dos cabungos, instalados junto às latrinas das residências da área urbana. A imagem foi reproduzido do relatório apresentado pelo intendente Celeste Gobbato ao Conselho Municipal em 31 de dezembro de 1925 - referente ao período 12/10/1924 a 31/12/1925.

Origem

O serviço de coleta de materiais fecais era comum nas cidades brasileiras desde os tempos coloniais, quando escravos conhecidos como tigres ou cabungos recolhiam os dejetos humanos. Essa prática de recolhimento estendeu-se no país até o século 20, desaparecendo com a implantação gradativa das redes de esgoto subterrâneo nas zonas urbanas.

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