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Caxias antiga24/07/2018 | 07h30Atualizada em 24/07/2018 | 19h12

Memória: Acordeons Tupy, "uma tradição de qualidade"

Fábrica da Rua Garibaldi produzia os clássicos modelos de gaita Baby, Gaúcho, Sinfonia e Sertaneja 

Memória: Acordeons Tupy, "uma tradição de qualidade" Studio Geremia / Acervo pessoal de Renan Michelon, divulgação/Acervo pessoal de Renan Michelon, divulgação
Ensaio do Studio Geremia destacou o trabalho de afinação das gaitas na firma Foto: Studio Geremia / Acervo pessoal de Renan Michelon, divulgação / Acervo pessoal de Renan Michelon, divulgação

Situada à Rua Garibaldi, 998 e pertencente a Tesser, Corsetti & Cia, a Fábrica de Acordeons Tupy contava dez anos de atuação no mercado quando estampou uma matéria especial em 1950. Foi no Álbum Comemorativo dos 75 anos da Imigração Italiana, lançado naquele ano.

Na época, o texto destacava que "suas conhecidas gaitas e harmônicas eram procuradas nos mais longínquos rincões de nossa Pátria e no Exterior". E detalhava os principais modelos, cujas características reproduzimos fielmente abaixo: 

:: Modelo "Baby", com acabamento em celulóide madrepérola, apresentada nas mais variadas cores, possuindo vozes duplas e baixos em quarta, acompanhada de um belíssimo estojo. É um modelo pequeno, com 27 teclas e 12 ou 24 baixos, apropriado para crianças que estudam música e se dedicam no aprendizado desse instrumento.

:: Modelo "Gaúcho", com 21 botões e oito baixos, vozes duplas e baixos em quarta, havendo também com 21 botões e 12 baixos, sem estojo. O acabamento é magnífico e a sonoridade, perfeita. É o tipo de gaita gauchesca tradicional, o autêntico e imortal instrumento do pago heróico.

:: O extrardinário modelo Tupy tipo "Sinfonia", que encanta por sua sonoridade e beleza da apresentação. Com acabamento em celulóide madrepérola, possui vozes triplas e baixos em quinta. Este modelo, acompanhado de artístico estojo, é fornecido com 34 teclas e 48 ou 80 baixos; 37 teclas e 80 ou 120 baixos; 39 teclas e 80 ou 120 baixos; e 41 teclas e 120 baixos. Sob encomenda, pode ser fabricado com mais de um registro de som, inclusive nos baixos.

:: Modelo "Sertaneja", produto de alto luxo, fornecido em maravilhoso estojo, com 34 teclas e 48 ou 80 baixos; 37 teclas e 80 ou 120 baixos; 39 teclas e 80 ou 120 baixos; e 41 teclas e 120 baixos. Vozes triplas e baixos em quinta.

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Ensaio especial

Nas imagens abaixo, alguns flagrantes do trabalho nos diversos setores da fábrica. Elas integram um ensaio especial realizado pelo antigo Studio Geremia.

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Foto: Studio Geremia / Acervo pessoal de Renan Michelon, divulgação
Foto: Studio Geremia / Acervo pessoal de Renan Michelon, divulgação
Foto: Studio Geremia / Acervo pessoal de Renan Michelon, divulgação
Foto: Studio Geremia / Acervo pessoal de Renan Michelon, divulgação
Foto: Studio Geremia / Acervo pessoal de Renan Michelon, divulgação
Foto: Studio Geremia / Acervo pessoal de Renan Michelon, divulgação

O incêndio de janeiro de 1963

Já com a denominação Frascatti Indústria de Instrumentos Musicais Ltda, a empresa foi atingida por um violento incêndio em 26 de janeiro de 1963, quando 70% de suas instalações foram destruídas. Um comunicado da direção da firma, na pessoa do gerente comercial Edmor Buffon, estampou o Pioneiro de 9 de fevereiro de 1963.

O anúncio de agradecimento (fotos abaixo) elencava as empresas e pessoas que haviam auxiliado no combate às chamas: a Transportadora Gallioto Ltda; pelo auxílio com três carros-tanque; o senhor João Carelli, por avisar a transportadora; o Lions Clube; o Corpo de Bombeiros, que atuou por seis horas no combate às chamas; e as fábricas do ramo que ajudaram na reestruturação: os Acordeões Todeschini (de Bento Gonçalves), as firmas Universal e Bosi (de Caxias) e a Acordeões Sonelli (de Canela), além da Associação Profissional das Indústrias de Instrumentos Musicais.

Uma gratulação especial coube ao senhor Claudino Brancher, "que embora não fosse sócio e nem empregado da empresa, tomou a si o encargo de salvar os pertences do escritório e colaborar na extinção do incêndio – e agora a pesada responsabilidade de dirigir e administrar a reconstrução, que graças a ele, está sendo processada num ritmo acelerado".

Foto: Acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
Foto: Acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução

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Foto: Studio Geremia / Acervo pessoal de Renan Michelon, divulgação
Foto: Studio Geremia / Acervo pessoal de Renan Michelon, divulgação
Foto: Studio Geremia / Acervo pessoal de Renan Michelon, divulgação
Jandira e Renan Michelon com as antigas fotos resgatadas do incêndio de 1963, quando seu Alcides Ernesto Affonso (pai de Jandira e avô de Renan) trabalhava na fábricaFoto: Rodrigo Lopes / especial

As fotos

As fotos desta página pertencem ao acervo do leitor Renan Michelon. Ele é filho de dona Jandira Affonso Michelon e neto do ex-funcionário e sócio Alcides Ernesto Affonso, que também resgatou diversas fotografias originais naquele dia. Boa parte delas está chamuscada e com rasuras e marcas do fogo, o que agrega ainda mais valor histórico ao material (fotos acima e abaixo).

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O acervo de fotos da família MichelonFoto: Rodrigo Lopes / especial
O acervo de fotos da família MichelonFoto: Rodrigo Lopes / especial
Jandira e Renan Michelon com as antigas fotos resgatadas do incêndio de 1963, quando seu Alcides Ernesto Affonso (pai de Jandira e avô de Renan) trabalhava na fábricaFoto: Rodrigo Lopes / especial

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