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Caxias antiga19/06/2018 | 07h30Atualizada em 19/06/2018 | 07h30

Memória: dona Zulmira Florian e um casarão de doces lembranças

Antiga residência de Zulmira e Júlio Angelo Florian, na Rua Bento Gonçalves, era ponto de referência para amigos e vizinhos da área central

Memória: dona Zulmira Florian e um casarão de doces lembranças acervo de família / divulgação/divulgação
Referência: o antigo casarão da esquina da Bento Gonçalves com a Rua Andrade Neves Foto: acervo de família / divulgação / divulgação

Pergunte a qualquer morador mais antigo da Rua Bento Gonçalves, nas imediações da Rua Andrade Neves, se ele sabe onde ficava a casa da tia Mira, e a resposta, com certeza, será afirmativa. Falamos do antigo casarão de madeira, com amplo jardim e pomar, quase na esquina das duas vias, demolido cerca de três anos atrás. Foi lá, no número 1.159, que residiu por décadas o casal Zulmira Mazzochi Florian (a tia Mira) e Júlio Angelo Florian, juntamente com os filhos. 

Com o falecimento de dona Mira na última quarta-feira, aos 93 anos, parte dessa história será recordada, a partir de agora, por familiares, amigos e antigos vizinhos — todos ratificando a personalidade caridosa, paciente e serena como a característica mais marcante da saudosa senhorinha.

Um passeio guiado pelo Centro Histórico de Caxias
Rua Tronca em 1958
Lembranças da Rua Alfredo Chaves
Rua Alfredo Chaves em 1965 

Nascida em 1924 na localidade de São Roque, interior de Fazenda Souza, Zulmira integrava a prole de oito filhos do casal Pedro Mazzochi e Ida Bonatto, formada ainda pelos irmãos Adelina, Adelar, Antoninho, Romilda, Agenor, Demari e Waldemar (falecido ainda criança). Após algumas idas e vindas na casa de parentes para estudar, aos 14 anos a jovem chegou em definitivo a Caxias, onde dedicou-se ao aprendizado e profissionalização em corte e costura — o que contribuiu para o aumento da clientela entre várias famílias da cidade a partir do final dos anos 1940.

Foi por volta dessa época, mais precisamente em 20 de maio de 1948, que Mira casou com Júlio Angelo Florian, no altar da Catedral Diocesana. Dessa união nasceram os cinco filhos: Mara Teresinha, Júlio César, Adriane, Jacqueline e Sérgio André. Graças ao auxílio deles, coletamos a sequência de imagens desta página. 

Na foto acima, o velho casarão da esquina da Bento com a Andrade Neves, com o jardim lateral que abrigava parreiral, abacateiro, laranjeira, limoeiro e várias roseiras. Era lá também que os Florian promoviam reuniões de família regadas a muita música. Abaixo, a celebração das bodas de ouro em 1998, na Catedral Diocesana, onde ambos casaram, 50 anos antes. 

Na sequência, outros momentos da trajetória de dona Zulmira, com destaque para uma foto de 1935, em que ela aparece com os pais e irmãos.

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Bodas de Ouro: Zulmira e Júlio Angelo no altar da Catedral Diocesana em 1998Foto: acervo de família / divulgação
Em 1945: Zulmira com a sobrinha MarisaFoto: acervo de família / divulgação
Em 1950: Zulmira com a primogênita Mara TeresinhaFoto: acervo de família / divulgação
Em 1935: Zulmira (à direita) com os pais, Pedro Mazzochi e Ida Bonatto, e os irmãos Adelar (à esquerda), Adelina, Antoninho (sentado) e RomildaFoto: acervo de família / divulgação

Primórdios da vida a dois

Antes de mudarem para o casarão da Rua Bento Gonçalves, Zulmira e Júlio Angelo moraram na chácara de João Afonso Florian e Ida Leonardelli (pais de Júlio), no bairro Sagrada Família, nas imediações da Randon. 

O velho casarão de pedra, com cantina na parte inferior, levava o nome de Villa Theresinha, conforme vemos nas imagens abaixo. 

O casarão da chácara de João Afonso Florian e Ida Leonardelli, onde Zulmira e Julio Angelo moraramFoto: acervo de família / divulgação
O casarão da chácara de João Afonso Florian e Ida Leonardelli, onde Zulmira e Julio Angelo moraramFoto: acervo de família / divulgação

Testemunha da explosão da Gazola em 1943

Um episódio que marcou a juventude de dona Zulmira foi a trágica explosão de 22 de julho de 1943, na Metalúrgica Gazola Travi, quando a empresa produzia material bélico para o Exército Brasileiro. Amiga de diversas moças que atuavam na fábrica de munições da BR-116, a jovem foi convidada para ajudar no chamado "esforço de guerra". 

Zulmira não era funcionária da Gazola, mas, naquela fatídica manhã, auxiliava um grupo de operárias na mesa de uma sala próxima ao pavilhão principal, que voou pelos ares. Conforme relatado pelos filhos, a mãe costumava dizer que, após a sequência de estampidos, viu uma moça com a cabeça toda ensanguentada em função dos ferimentos. Também costumava mencionar que saiu da fábrica e foi caminhando, desde a BR-116 até o Hospital Pompéia, para ver como estavam as amigas feridas, ao som das sirenes de ambulâncias e bombeiros que se deslocavam para a antiga Estrada Federal Getúlio Vargas.   

Parte dessa história foi recordada por dona Zulmira em 2017, durante uma entrevista para a equipe do Memorial Gazola - Museu da Metalurgia de Caxias do Sul. Em breve, o depoimento estará disponível no site www.memorialgazola.com.br. Em 21 de julho próximo (um sábado), a instituição promove uma solenidade especial junto ao Marco das Moças Operárias, no pátio da antiga metalúrgica (fotos abaixo). 

A programação irá recordar os exatos 75 anos da grande explosão de 1943. 

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A inauguração do Marco em Memória às Moças Operárias, em 22 de julho de 1943, na GazolaFoto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Militares prestagem homenagens às operárias mortas na Gazola, em 1949Foto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Missa de sétimo dia em Lourdes

Além de exímia costureira, dona Mira também envolveu-se, a partir dos 65 anos, com a pintura. Suas telas, enfocando casarios, flores e paisagens, compõem um belo mosaico de lembranças e percepções do cotidiano — a maior parte delas decora o apartamento da Rua Treze de Maio, esquina com a Pinheiro Machado, para onde a família mudou-se em meados dos anos 2000. 

A missa de sétimo dia de falecimento de dona Mira ocorre nesta terça, dia 19, às 18h30min, na Igreja Nossa Senhora de Lourdes.

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Ligação com o Esporte Clube Juventude

A família Florian teve ampla ligação com o Esporte Clube Juventude. Seu Júlio Angelo (falecido em 2006) atuou no setor de patrimônio e como conselheiro. O filho mais velho, Júlio César, atuou como conselheiro. Já o caçula, Sérgio André, passou pelas funções de conselheiro e presidente.

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