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Caxias antiga07/06/2018 | 07h30Atualizada em 10/06/2018 | 12h38

Memória: Bruno Segalla e a arte em cabeças de alfinete 

Frases e efígies homenagearam Getúlio Vargas, Evita Perón, o Papa João XXIII e o Monumento ao Imigrante

Memória: Bruno Segalla e a arte em cabeças de alfinete  Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação/Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Festa da Uva de 1950: presidente Eurico Gaspar Dutra confere o alfinete homenageando Abramo Eberle, acompanhado pelo empresário José Eberle Foto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Um dos grandes escultores e medalhistas do Rio Grande do Sul, Bruno Segalla (1922-2001) travou os primeiros contatos com a modelagem e a gravação no setor artístico da Metalúrgica Abramo Eberle, onde iniciou aos 13 anos, em 1935. Durante os 43 anos em que permaneceu na empresa, desenvolveu milhares de medalhas comemorativas, condecorativas e religiosas. 

Um dos trabalhos mais curiosos desse mestre da gravação foram as frases e efígies esculpidas em cabeças de alfinetes, uma arte minuciosa e perceptível somente com o auxílio de um microscópio — devido ao diâmetro de apenas um milímetro. 

Bruno Segalla: a história de uma imagem

Conforme detalhado no livro Dossiê de Percurso, lançado em 2017 pelo Instituto Bruno Segalla, a produção resumiu-se a menos de 10 alfinetes – a inspiração para o trabalho surgiu a partir do contato de Segalla com a arte milenar da escrita em grão de arroz.

A estreia deu-se em 1950, com a efígie de Abramo Eberle e uma frase de 40 caracteres, trabalho exposto na Festa da Uva daquele ano, conforme vemos nas imagens acima e abaixo – na ocasião, os alfinetes foram conferidos pelo presidente da República, Eurico Gaspar Dutra, e pelo governador do Rio Grande do Sul, Walter Jobim. 

As outras efígies foram dedicadas a Jesus Cristo, Getúlio Vargas, Giuseppe Garibaldi, Ayrton Senna, Evita Perón e o Papa João XXIII. Segalla gravou também em alfinetes saudações a Getúlio, aos 400 anos da cidade de São Paulo e ao Monumento ao Imigrante. 

Neste último pode-se ler a seguinte frase: "O povo de Caxias construiu em nome de toda a nação o Monumento ao Imigrante. Tributo perene aos que com o trabalho e o civismo forjaram sua nova pátria".

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Festa da Uva de 1950: governador do RS Walter Jobim confere no microscópio a efígie de Abramo Eberle gravada em um alfineteFoto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Governador do RS Walter Jobim confere o trabalho de Segalla na Festa da Uva de 1950. Atrás, Eurico Gaspar Dutra e Júlio João EberleFoto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
Miss Brasil Martha Rocha confere a efígie de Getúlio Vargas em 1955, na Metalúrgica Abramo EberleFoto: Coleção particular de Carlos Caetano Pettinelli / divulgação

Martha Rocha e Getúlio Vargas

Os alfinetes espiados pela Miss Brasil Martha Rocha durante sua visita a Caxias em maio de 1955 (foto acima) foram produzidos por ocasião do retorno de Getúlio Vargas ao poder, em 1950, e por sua passagem pela Festa da Uva de 1954. 

Na cabeça de um deles lê-se a frase: "Salve Getúlio Vargas. A vontade soberana do povo quis que ele voltasse. Com ele estarão todos aqueles que trabalham e esperam por um Brasil maior". No outro está uma efígie do presidente. 

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O estande da Metalúrgica Abramo Eberle na Festa da Uva de 1950, onde o microscópio e os alfinetes ficaram expostos (ao centro)Foto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

O acervo

Boa parte dos alfinetes do artista integra o acervo do Instituto Bruno Segalla, junto ao Campus 8 da Universidade de Caxias do Sul. Informações pelo site www.brunosegalla.org.br.

Bruno Segalla em ação na Metalúrgica Abramo Eberle, nos anos 1970, com o amigo fotógrafo Mauro De Blanco (acima)Foto: Mauro De Blanco / Acervo particular de Janete Kriger, divulgação

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