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Caxias antiga05/06/2018 | 07h30Atualizada em 08/06/2018 | 13h03

Memória: Barbearia Goyer na Av. Júlio em 1910

Salão comandado por Pedro Flores Goyer situava-se junto à Praça Dante Alighieri e oferecia café e espaço de jogos  

Memória: Barbearia Goyer na Av. Júlio em 1910 Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação/divulgação
O interior do Salão Goyer, de propriedade de Pedro Flores Goyer (à direita), por vota de 1908 Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação / divulgação

Cadeiras vintage com assento de couro e uma bancada recheada de produtos para barba e cabelo. Ambiente aconchegante, uma boa carta de cervejas, uma mesa de sinuca. Para finalizar, atendimento por profissionais jovens, com visual descolado, e uma trilha sonora selecionada a dedo. Nos últimos anos, essa receita inspirou o surgimento de diversas barbearias em Caxias do Sul, um filão que cresce a cada dia.

Uma ideia inovadora? Nem tanto. 

Segundo o jornal "O Cosmopolita" de 12 de junho de 1904, estava estabelecida na esquina da então Rua Júlio de Castilhos, vizinha à Praça Dante Alighieri, a casa "Goyer: Barbearia, Café e Bilhar", de propriedade de Pedro Flores Goyer. O reclame detalhava que lá os fregueses encontravam "na sua seção Barbearia, um profissional que não teme competência. Na seção Café, encontrarão líquidos da melhor qualidade. Na seção Bilhar, continua a funcionar o superior bilhar completamente reformado”. Informava ainda que os preços praticados eram “razoáveis”.

Carros de praça na década de 1930
Confira um vídeo com imagens raras da Praça Dante em 1957 

Já com a popular denominação "Salão Goyer”, o reclame publicado na edição de 10 de janeiro de 1909 do jornal Correio do Município destacava que, “tendo feito grandes melhoramentos em sua casa, está nas condições de servir ao mais exigente freguês” e que teria sempre “um variado sortimento de gravatas, colarinhos, punhos, perfumarias, charutos, cigarros e diversas outras miudezas". 

Duas curiosidades: já em 1909, o estabelecimento possuía "boas tesouras e excelentes navalhas, primando pelo asseio", além de vender tudo por "preços módicos, porém, só a dinheiro". 

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Freguesia defronte ao Salão Goyer (à esquerda) em 1904, na esquina da Av. Júlio com a Rua Dr. Montaury. Ao fundo, o bairro São PelegrinoFoto: Domingos Mancuso / Acervo de Renan Carlos Mancuso, divulgação
Cartão-postal de 1914: o Salão Goyer (à esquerda), na esquina da Av. Júlio com a Dr. Montaury, com o bairro São Pelegrino ao fundoFoto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação

Curiosidades

Em 1914, o Salão Goyer dispunha de "engraxateria" e "grande sortimentos de artigos para homens". Também era a única barbearia com "ventiladores e desinfecção nas ferramentas", conforme anúncio publicado no jornal "Cittá di Caxias".

Em anúncio publicado no jornal "Gazeta Colonial" de 28 de setembro de 1907, fazia-se pública a "grande liquidação no Salão Goyer", com "perfumarias dos mais acreditados fabricantes, colarinhos, punhos e peitos, de puro linho, e gravatas de diferentes formatos e gostos modernos", todos a preço de custo. A promoção era direcionada para a "rapasiada de bom gosto" (grafia da época).

Já em anúncio posterior, veiculado no jornal Gazeta Colonial de 26 de dezembro de 1908, a carta de produtos seguia com "vidros de extratos de óleo e de loção para cabelos, pós de arroz, cosméticos, sabonetes e tintura preta de Barry para tingir instantaneamente cabelos", este último com garantia de não ocasionar calvície ou de "manchar a roupa".

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Foto: Acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução
Foto: Acervo Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução

Quem foi Pedro Flores Goyer

 O Capitão Pedro Flores Goyer era membro do Partido Republicano e presidente da Junta de Alistamento Militar de Caxias, além de tesoureiro e presidente honorário do Clube Aliança. Era pai de Julio de Castilhos Goyer, fruto de seu primeiro casamento com Maria Xavier Goyer. 

Após o falecimento de Maria, Goyer casou-se com Mathilde Rossi, com quem teve uma menina. Mathilde era irmã de Isolina Rossi, professora da rede municipal de ensino.

Colaboração

Informações desta coluna são uma colaboração do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, a partir do trabalho de pesquisa da servidora pública Catiuscia Xavier. O texto original e as imagens também estão publicados na página "Arquivo Histórico Municipal", do Facebook. 

História a partir de doações

A história do Salão Goyer foi resgatada a partir de uma foto doada ao Arquivo Histórico Municipal pela família Pezzi. Iniciativas como essa contribuem para trazer a público imagens e curiosidades que ficariam restritas ao ambiente privado. 

Se você possui imagens e documentos antigos e tem interesse em doar, basta entrar em contato pelo fone (54) 3901.1318 ou na sede da instituição, na Av. Júlio de Castilhos, 318, esquina com Humberto de Campos, em Lourdes.

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