Número de professores contratados pelo Estado neste ano na área de Caxias é menos de um terço dos que deixaram a rede - Cidades - Pioneiro
 

Déficit17/05/2018 | 14h51Atualizada em 17/05/2018 | 14h51

Número de professores contratados pelo Estado neste ano na área de Caxias é menos de um terço dos que deixaram a rede

Além das aposentadorias, oportunidade de trabalhar na rede particular ou municipal está entre os principais motivos das saídas

Número de professores contratados pelo Estado neste ano na área de Caxias é menos de um terço dos que deixaram a rede Lucio Sassi/Agencia RBS
Foto: Lucio Sassi / Agencia RBS

Desde janeiro de 2018, cerca de 180 professores que trabalham na rede estadual na área da 4ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), com sede em Caxias do Sul, foram dispensados ou exonerados, e por volta de 100 se aposentaram. No mesmo período, aproximadamente 80 professores foram contratados de forma temporária. O efetivo total na coordenadoria, com dados desta quarta-feira (16), é de 3.048, sendo 1.728 servidores de carreira e 1.320 contratados temporariamente.

A chefe do Departamento de Recursos Humanos da CRE, Simone Lorandi Comerlatto, explica que diariamente há professores sendo dispensados. Entre os principais motivos, está o fato de que conseguem emprego na rede particular ou são chamados em concursos municipais. Em Caxias do Sul, Simone comenta que diversos professores da rede estadual passaram no concurso do município e devem ser chamados a partir do meio do ano. Com isso, ou sairão da rede estadual, ou reduzirão a carga horária.

Sobre os novos contratados, Simone explica que estão sendo feitos contratos com carga horária máxima de 40 horas. Ela afirma que há um período entre 20 e 25 dias nesse formato até o professor ser contratado desde a publicação da vaga, considerando todo o processo. Os contratos temporários não têm um limite pré-estabelecido para vigência, e duram enquanto houver necessidade.

Alunos sem atividades

Nesta semana, um grupo de pais de alunos da Escola Estadual Santa Catarina se reuniu com a 4ª CRE para buscar uma solução para a falta de atividades a estudantes em decorrência do número de professores. Na última semana, conforme Vinícius Velho, pai de um aluno do 6º ano, cerca de 200 alunos chegaram a ficar no pátio da escola na tarde da quinta-feira (10) devido à falta de sete professores. A escola tem, no total, cerca de 1,1 mil estudantes.

— Entendemos que existe uma falta de professores no Estado. Mas o que nos preocupa é que os alunos fiquem no pátio. Eles deveriam ter outra atividade na sala de aula ou na biblioteca — afirma.

Ele informa que falta um professor de educação artística na turma do filho e diz que sabe, ao menos, da falta de mais um professor de espanhol para turmas de alunos mais velhos.

O diretor da escola, Genor Zuanazzi Urio, explica que, além desses dois professores, houve uma coincidência na quinta-feira passada de cinco faltarem por questões de saúde. Urio diz que não havia outros professores para fazerem a substituição e aplicarem atividades nas salas de aula. O diretor também acrescenta que, se ele destinar professores de áreas administrativas de coordenação para atenderem as salas, outros procedimentos importantes deixam de ser realizados, como o trabalho para encaminhamento de licitação para compra de merendas, por exemplo. 

— Não temos supervisor de orientação educacional. Estou no terceiro ano como diretor e sempre peço o preenchimento desse cargo, mas até agora não temos — relata, dizendo que um professor nessa função poderia atender turmas. 

Urio, que é professor há 13 anos na escola, diz também que, quando começou, havia mais profissionais, que podiam substituir outros que faltavam. A chefe do departamento de Recursos Humanos da 4ª CRE, Simone Comerlato, informa que a contratação do professor de educação artística está sendo encaminhada e deve ser concluída até o final desta semana. Já para espanhol, ela explica que será aberto um edital nos próximos dias, já que não há mais banco de professores em Caxias porque todos foram contratados.

No caso de orientador educacional, Simone confirma que há uma falta desses profissionais nas escolas. O cargo pode ser preenchido por professores concursados que tenham curso de pós-graduação de orientador educacional. A recomendação, conforme ela, é que os diretores de escolas incentivem os professores concursados a buscarem essa qualificação para preencherem esses cargos.

Em relação à situação dos alunos nos pátios, Simone afirma que a orientação é nunca deixar isso correr. Conforme ela, é preciso que os professores em funções administrativas deixem seus trabalhos, se necessário, para atenderem as turmas de modo que os alunos não fiquem sem atividade. Numa situação como a quinta-feira passada, quando vários professores faltam ao mesmo tempo e não há como atender todas as turmas, a orientação é que a escola ligue para os pais para que busquem os filhos.

Dos 3.048 professores da região, 964 atuam em setores administrativos, sendo 875 concursados e 89 contratados temporariamente. Os que atuam em sala de aula são 2.084, sendo 853 concursados e 1.231 contratados de forma temporária.

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