Memória: Maesa e a trajetória de Domingos Gedoz - Cidades - Pioneiro
 

Caxias antiga18/05/2018 | 07h30Atualizada em 18/05/2018 | 08h13

Memória: Maesa e a trajetória de Domingos Gedoz

Ex-funcionário iniciou na metalúrgica em 1952, aos 14 anos, e atuou por mais de três décadas no setor de gravação

Memória: Maesa e a trajetória de Domingos Gedoz Acervo de família / divulgação/divulgação
Domingos Gedoz (o garoto à direita) aos 14 anos em 1952, quando entrou na Maesa e participou do jubileu de prata do chefe de seção Leonoro Dal Monte (ao centro) Foto: Acervo de família / divulgação / divulgação

"De cada 10 pessoas de Caxias, oito trabalharam no Eberle". A frase de seu Domingos Gedoz, 80 anos, resume bem a importância da metalúrgica na vida dos milhares de funcionários que passaram pela empresa ao longo do século 20 — seja no prédio da Sinimbu ou na Fábrica 2, como a Maesa ficou conhecida. Às vésperas da intervenção Abrace a Maesa, neste domingo, recordar o passado é fundamental para projetar o futuro de todo aquele espaço.

Maesa: lembrando o passado, projetando o futuro

Natural de Carlos Barbosa, seu Domingos iniciou no Eberle Centro com apenas 14 anos — o garoto seguiu os passos do pai, Florentino, e dos irmãos Maurício, Albino e Alessio, todos trabalhadores da empresa na época. Funcionário de número 6.417, lembra perfeitamente do dia em que botou os pés na fábrica: 14 de janeiro de 1952. Os primeiros tempos foram como aprendiz, o que incluía desde varrer o chão até receber as noções básicas de matrizaria e gravação. 

— Lixava as ferramentas antes de ir para o tratamento térmico. A gravação ficava no segundo andar, próximo onde tem a piteira no telhado (na esquina da Borges de Medeiros com a Dezoito), e a gente levantava as janelas para ver os desfiles de rua — recorda.

A mudança do Centro para a Fábrica 2 deu-se por volta de 1960, quando o prédio da Sinimbu já não comportava mais todas as etapas de produção. São de lá as lembranças mais vivas na memória de seu Domingos: os jogos de futebol com colegas como Clóvis Buffon e Nelson Boni, aos sábados, no quartel; as visitas eventuais do diretor Júlio João Eberle à fábrica ("por onde ele passava ou quando apertava a mão de alguém, ficava o perfume"), e a convivência com verdadeiros artistas, como Bruno Segalla e o gravador de talheres Nilo Bissigo.

Foi no prédio do bairro Exposição que seu Domingos também encerrou as atividades como gravador, aposentando-se em 1986. Todo esse tempo, aliás, nosso entrevistado traz na ponta da língua:

— Foram 33 anos, três meses e três dias.

Sobre o endereço em si, novamente não titubeia:

— Nunca vou esquecer dessa rua (a Plácido de Castro). Passei a vida toda lá...

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Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul / reprodução

Registros do passado

Nas imagens desta página, três momentos emblemáticos da trajetória de seu Domingos na Maesa. Na foto que abre a matéria, a cerimônia do jubileu de prata do então chefe do setor de gravação de talheres Leonoro Dal Monte (sentado ao centro), em 28 de fevereiro de 1952.

Com apenas 14 anos, Domingos é o garoto à direita. Na imagem aparecem ainda o adolescente Ary Cornutti (mais ao centro), os colegas Dionísio Giasson (segundo à esquerda, na fila de trás), Lindomar Lorandi e Alessio Gedoz (irmão), além de companheiros de seção e diretores como Agostinho Fochesato, Erico Raabe, Dante Rasia, Odino Sartori, Honório Marotto, Oscar Martini, Pedro Moré, Humberto Bassanesi, Antonio Rasia e Hugo Argenta. A mesma foto acompanhou uma matéria sobre a cerimônia, publicada na capa do Pioneiro de 1º de março de 1952 (acima).

Abaixo, seu Domingos (agachado, à direita) com os colegas Clovis Buffon, Edemor Rossi, Nelson Boni e outro funcionário não identificado, no pátio da fábrica, em 1961. Por fim, a cerimônia do Jubileu de Prata, pelos 25 anos de atuação na Maesa, em 1977. Na ocasião, seu Domingos recebeu o famoso relógio de ouro do diretor Tonico Eberle (à esquerda), tendo ao fundo o amigo e colega Sérgio Cardoso de Oliveira. 

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Domingos Gedoz (agachado à direita) e os colegas Clovis Buffon, Edemor Rossi e Nelson Boni no pátio da fábrica, por volta de 1961.Foto: Acervo de família / divulgação
Jubileu de prata: Domingos Gedoz (à frente) e o colega Sérgio Cardoso de Oliveira recebem de Tonico Eberle o relógio de ouro pelos 25 anos de trabalho na Maesa, em 1977Foto: Acervo de família / divulgação

Família e amigos

Foi no período em que atuou na Maesa que seu Domingos criou os seis filhos: Domingos Luiz, Jaqueline, Luciana, Daniéle, André Felipe e Gabriela, frutos de seu casamento com dona Luci Basso Gedoz, em 3 de janeiro de 1959. 

Abrace a Maesa neste domingo

O abraço coletivo deste domingo (20) na Maesa tem início às 15h, com concentração pela Rua Plácido de Castro. O público é convidado a trazer guarda-chuvas coloridos, com o intuito de promover uma alegre e plural intervenção no entorno da antiga fábrica — compreendendo a Plácido, a Dom José Barea, a Pedro Tomasi e a Treze de Maio.

Haverá apresentações do Maracatu Baque dos Bugres e ensaio do Bloco da Ovelha, além do rapper Chiquinho Divilas, da atriz Odelta Simonetti (com a personagem Rarley Davidson e sua bike engenhosa), dos integrantes do projeto de dança contemporânea Incorporações, do Fashion Revolution e do Espaço Cultural Akacio Camargo, além dos coletivos #Ocupamaesa e Vivacidade. 

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