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Caxias antiga02/05/2018 | 07h30Atualizada em 02/05/2018 | 18h47

Memória: Casa de Negócios de Stefano Luigi Alberti

Casarão da Avenida Júlio, um dos primeiros em alvenaria de Caxias, abrigou o embrião do Hospital Pompéia

Memória: Casa de Negócios de Stefano Luigi Alberti Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação/divulgação
Anos 1960: casarão de Stefano Luigi Alberti abrigou posteriormente o prédio velho do Hospital Pompéia e a residência e consultório do dr. Brugger Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação / divulgação

Imigrante italiano chegado à Serra Gaúcha em 1875, o milanês Stefano Luigi Alberto notabilizou-se não apenas como um exímio comerciante de mercadorias coloniais. Foi responsável também pela construção de um dos primeiros prédios de alvenaria da então recém traçada Sede Dante – a subdivisão da antiga Colônia Caxias.

Após uma temporada em Forqueta (leia mais abaixo), Stefano e a família estabeleceram-se em Caxias por volta de 1882-1883. O primeiro lote adquirido pelo italiano localizava-se na quadra 77, na Av. Júlio, entre a Andrade Neves e a Vereador Mário Pezzi. Porém, foi no lote nº 8 da quadra 4, negociado em 24 de novembro de 1884, que surgiu o prédio em questão.

Dotado de dois pavimentos e sótão, o casarão localizava-se na Av. Júlio de Castilhos, entre as ruas Garibaldi e Marechal Floriano (no atual terreno do Hospital Pompéia), e contrastava com as dezenas de casas de madeira típicas da época – pelo uso de tijolos  saídos da primeira olaria instalada na cidade, pertencente a seu vizinho Felice Laner. Era lá que eram comercializados tecidos, serras, estribos, máquinas de costura, debulhadores de milho, querosene, fazendas, arroz, feijão, azeitonas, compotas e toda sorte de mantimentos. 

Conforme informações contidas na publicação Família Alberti – Genealogia, organizada pela professora Stela Luiza Alberti Lisot, bisneta de Stefano Luigi, o bisavô era um dos comerciantes credenciados para trocar por produtos os bônus emitidos pelo governo para auxiliar os recém-chegados – o que, na prática, significava um aumento da moeda de troca circulante.

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O velho casarão do hospital (à direita) e o novo prédio do Pompéia recém-inaugurado, em meados dos anos 1940Foto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Rumo ao Brasil em 1875

Imigrante italiano natural da comuna de Cernusci-Sul-Naviglio, na província de Milano, Stefano Luigi Alberti nasceu em 18 de agosto de 1852. Em 24 de janeiro de 1875, aos 22 anos, partiu de Marselha rumo ao Brasil a bordo do navio francês Jules Dufaure.

A chegada ao Porto do Rio de Janeiro deu-se em 18 de março de 1875, após 45 dias de viagem. No Rio Grande do Sul, o jovem recebeu terras e instalou-se no lote de número 9 da Picada Perau, na 17ª Légua, em Forqueta.

Dois anos depois, em 2 de fevereiro de 1877, Stefano Luigi Alberti, então com 24 anos, casou com Giuseppina Mughaza, 15 anos, na Capela de Santa Catarina, em Feliz. Dessa união nasceram seis filhos: Maria (que viria a casar com o futuro prefeito Miguel Muratore), Alexandre, Giudita, Carlos, Isolina e Stefani.

Stefano Luigi Alberti faleceu na explosão do Vapor Maratá, logo após a embarcação sair do cais do Guaíba com destino a São Sebastião do Caí, em 9 de fevereiro de 1890. Ele tinha apenas 37 anos.

Bomboniére Maratá na Av. Júlio em 1943

 A viúva

Após a morte do marido, Giseppina Mughaza uniu-se em segundas núpcias com Antonio Mengatto, que trabalhava como guarda-livros no secos & molhados da viúva. O casamento ocorreu em 9 de maio de 1891. Eles tiveram outros cinco filhos.

O velho casarão (à direita), logo após a conclusão da pavimentação e calçamento da Av. Júlio, por volta de 1938Foto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Baile em 1910

À epoca do surgimento, a Casa de Negócios de Stefano Luigi Alberti ficava sobre uma colina denominada Monte Píncio. Vendido em 1910 para o padre Francisco Baldassare, o casarão também abrigou a segunda sede do Clube Juvenil – sediando naquele mesmo ano o baile comemorativo da chegada do trem a Caxias, em 1º de junho, fato que marcou a elevação da antiga vila à categoria de cidade.

Vendido para os doutores Henrique Fracasso e Cesar Merlo em 1912, o sobrado abrigou posteriormente um dos embriões do Hospital Pompéia – assim como o antigo Palacete das Damas de Caridade, na esquina da Júlio com a Marechal Floriano. 

Palacete das Damas de Caridade em 1947

Décadas depois, em 1936, a Av. Júlio de Castilhos foi rebaixada, deixando o prédio mais ao alto, com um terceiro pavimento. Tanto que a entrada passou a ser, inicialmente, por uma escadaria lateral e, depois, por um patamar mais elevado.

O prédio, onde também morou o médico José A. Brugger, foi demolido em meados dos anos 1970, para ceder lugar a um estacionamento. No espaço funciona hoje o acesso e a emergência do hospital.

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A demolição do antigo casarão e as obras no jardim do Hospital Pompéia, em meados de 1972Foto: Foto Beux / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação
O Hospital Pompéia com o estacionamento surgido após a demolição do casarão (à direita)Foto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

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