Saiba como ocorreu o exorcismo de moradora de Farroupilha. Espaço onde teria ocorrido ritual abriu para visitação - Cidades - Pioneiro

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Década de 194002/04/2018 | 10h00Atualizada em 02/04/2018 | 10h00

Saiba como ocorreu o exorcismo de moradora de Farroupilha. Espaço onde teria ocorrido ritual abriu para visitação

O caso ocorreu em 1947 e quem comandou o ritual foi o padre Teodoro Portolan

Saiba como ocorreu o exorcismo de moradora de Farroupilha. Espaço onde teria ocorrido ritual abriu para visitação Porthus Junior/Agencia RBS
Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Um dos novos motivos para a visitação do Santuário Diocesano de Nossa Senhora de Caravaggio, de Farroupilha, é cheio de mistérios: o Livra-nos do Mal teria sido cenário do folclórico ritual de exorcismo de uma moradora de Farroupilha na década de 1940. Além dos relatos de testemunhas da época, registrados em livro, as grades retorcidas da janela da sacristia alimentam a imaginação dos devotos -é por ali que o demônio teria deixado o Santuário.

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Espaço onde teria ocorrido exorcismo abre para visitação em Farroupilha

O visitante pode, por meio de objetos e descrições, desmistificar o ritual e entender mais sobre o exorcismo - permitido pela igreja, mas que só pode acontecer com regras bastante rígidas.

O exorcismo

O caso ocorreu em 1947 e quem comandou o ritual foi o padre Teodoro Portolan, que teria expulsado um demônio encarnado em uma mulher. O próprio padre narrou o fato, na época, à comunidade. A irmã Leonor Pasinatto, testemunha do ritual, deu seu depoimento ao livro Linha Palmeiro, do irmão lassalista Ermínio Dall'Agnol Decó, publicado em 1994. De acordo com o livro, irmã Leonor, três religiosas da escola Nossa Senhora do Caravaggio e o padre Portolan participaram ativamente de toda a cerimônia de exorcismo. 

O ritual teve orações especiais, bênçãos com água benta, sinal da cruz com o crucifixo, leituras de trechos do Evangelho, ordens de expulsão e diálogo ríspido e violento entre o sacerdote e o suposto espírito maligno. Todo o processo durou cerca de oito horas.

A mulher nunca teve a identidade revelada, mas sabe-se que morava em uma das capelas da Linha Jansen, em Farroupilha. Ela teria sido amaldiçoada pelo ex-noivo. Ele teria dito a ela que "no dia do seu casamento, acontecerá algo de estranho com você". De fato, aconteceu. Ao casar-se com outro homem, a noiva passou mal e caiu desmaiada na saída da cerimônia. Ela foi levada às pressas para a casa de uma vizinhos, onde ficou até o fim do dia, até retomar plena consciência. A partir daquela data, no final da década de 1930, uma série de acontecimentos ruins perseguiram a jovem, segundo relatos do livro. Seguidamente, ela apresentava momentos de melancolia e tristeza profunda. Engravidou e teve filhos, mas alguns comportamentos chamavam a atenção da família. 

 FARROUPILHA, RS, BRASIL, 27/03/2018. Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio apresenta dois novos locais de visitação. Santo Sepulcro e Espaço Livrai-nos do Mal. (Porthus Junior/Agência RBS)
Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

— Ela costumava esconder-se no mato, pelas moitas do potreiro, atrás de árvore e fugia assustadoramente quando estava dentro de uma igreja ou capela — descreveu o irmão Decó.

Além disso, a sequência de blasfêmias que a mulher proferia, com a voz alterada, levaram Portolan e o bispo dom José Barea a concluir que tratava-se de uma possessão demoníaca. A saída para o caso: exorcismo. O processo de preparação do padre Portolan envolveu penitência e muita oração _ ele foi até a um convento de Garibaldi para confessar-se. As irmãs também retiraram-se alguns dias para purificação. 

A mulher chegou ao Santuário de Caravaggio a cavalo, e durante o trajeto de seis quilômetros, escondeu-se várias vezes nos matos. Quando a mulher chegou, o padre decidiu trancar as portas do santuário. Para ter mais segurança, o local escolhido foi uma das sacristias no lado esquerdo do altar, onde agora fica o espaço Livra-nos do Mal. Do lado de fora da sacristia, um grupo de fiéis rezava.

Durante o ritual, a mulher cuspiu num crucifixo e tentou agarrar os pés do padre. Ela travou um diálogo cheio de acusações contra o sacerdote, caçoando inclusive do latim de Portolan. O momento foi tão agressivo que uma das religiosas passou mal e precisou ficar de repouso. 

— Provavelmente a irmã não tinha feito uma boa confissão anteriormente, daí todo o problema criado — narrou o autor do livro.

O embate durou horas. Preces, leituras e ordens para o demônio se retirar pareciam em vão diante do comportamento da mulher. Após grande esforço, a mulher caiu por terra. Ficou estática como uma pedra, e rosnava como um cachorro, segundo o livro. Foi uma oração a Nossa Senhora e uma hóstia consagrada, aproximada do peito da vítima, que fez com que o demônio deixasse a mulher. Por fim, a mulher abriu os olhos e com voz normal apontou que o demônio ainda habitava na sala. Os ferros da janela da sacristia, que ainda são visitados por curiosos, teriam se retorcido com a saída do demônio.

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