Para estrutura da Cesa, em Caxias, tentativa de preservação chegou tarde demais - Cidades - Pioneiro
 

Patrimônio #3/509/04/2018 | 15h31Atualizada em 10/04/2018 | 13h42

Para estrutura da Cesa, em Caxias, tentativa de preservação chegou tarde demais

Prédio foi demolido para receber loja da Havan enquanto Ministério Público ainda aguardava respostas do município

Para estrutura da Cesa, em Caxias, tentativa de preservação chegou tarde demais Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

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Se há dificuldades para preservar prédios tombados em Caxias, há estruturas que não sobreviveram nem ao processo de análise sobre um possível valor histórico. É o caso do complexo da antiga Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa), às margens da RSC-453. 

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Desde que veio a público que a área foi comprada pela empresa Havan para a instalação de uma megaloja em parceria com a Stock Center, pertencente à Comercial Zaffari, um grupo de arquitetos e pesquisadores tentou reunir informações para alertar a cidade sobre a importância histórica da edificação. A arquiteta Taísa Festugato escreveu que a estrutura da Cesa "foi a primeira edificação deste porte no Distrito Industrial, para onde se expandiram as industrias de acordo com o plano diretor da cidade". 

O Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural (Compahc) emitiu parecer sobre a edificação em 28 de março. No dia seguinte, parte da estrutura já havia virado escombros. Na mesma data, o Ministério Público havia solicitado esclarecimentos sobre a demolição ao município e, até a última sexta-feira (6), não obteve retorno, conforme a promotora Janaina de Carli. 

O parecer do Compahc diz que, embora a estrutura não tenha mais de 50 anos nem se enquadre em outros critérios legais que demandem aprovação da entidade para modificações, apresenta valor histórico e arquitetônico. Para o conselho, a conservação das edificações, mesmo que parcial, "seria uma ação respeitável à sociedade caxiense e à sua história". 

A entidade também recomendou que os proprietários da área tivessem a "sensibilidade de tratar as edificações existentes como de relevância arquitetônica e histórica, e garantir, de alguma forma, a memória do funcionamento da Cesa e/ou o aspecto plástico-formal dos volumes e abóbadas". 

Prefeitura diz que demolição passou por procedimento padrão

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 30/03/2018. Prédio da antiga Cesa, a Companhia Estadual de Silos e Armazéns, foi derrubado. O espaço será usado para a instalação da loja da Havan na cidade. (Diogo Sallaberry/Agência RBS)
Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

O Pioneiro perguntou à Comercial Zaffari, responsável pela área, se o ofício do Compahc foi recebido e se a recomendação da entidade seria seguida. A gerente de marketing da empresa, Mônica Cristina Schmitz, limitou-se a responder que não havia "informações ainda para fornecer". 

A secretária municipal do Urbanismo, Mirangela Rossi, disse que o alvará de demolição foi emitido há cerca de um mês e que, na época, os proprietários já começaram a remover as estruturas internas e preparar a área para o desmanche. 

— Tudo passou pelo procedimento normal. Ele não é um prédio tombado, não está gravado no Plano Diretor, não está inventariado e não pertencia ao município. Pertencia ao Estado e foi a leilão. Foi feita a solicitação do pedido de demolição, foi encaminhado à Divisão de Proteção ao Patrimônio Histórico e Cultural (Dippahc), que avalia o regramento, e autorizado — explica.

Para a presidente do Compahc, Maristela Guareschi, o parecer do Compahc foi um último apelo para que os responsáveis pela área considerassem o valor das edificações existentes. Para ela, porém, a ação dos órgãos de proteção ao patrimônio nunca será suficiente enquanto a preservação dos bens históricos não for um objetivo da sociedade. 

— Se vivêssemos num meio de maior educação patrimonial, nem se cogitaria a demolição, e sim a revitalização do espaço com adaptações. É desanimador o fato de a rigidez do tombamento ser a única forma de garantir a preservação da nossa história. O processo de renovação urbana tem muitos agentes envolvidos. Com empresas e profissionais de arquitetura e construção civil comprometidos com as questões de preservação, não restaria ao Compahc e ao Dippahc esta posição ingrata de policiar — pondera.

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