Memória: painel "Alegoria Primeira ao Imigrante" na Festa da Uva de 1950 - Cidades - Pioneiro

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Caxias antiga30/04/2018 | 07h30Atualizada em 30/04/2018 | 07h30

Memória: painel "Alegoria Primeira ao Imigrante" na Festa da Uva de 1950

Obra esculpida por Tarquinio Zambelli no final do século 19 foi um dos destaques do Pavilhão Histórico Cultural

Memória: painel "Alegoria Primeira ao Imigrante" na Festa da Uva de 1950 Reno Mancuso / Acervo de Renan Carlos Mancuso, divulgação/Acervo de Renan Carlos Mancuso, divulgação
O painel de Tarquinio Zambelli exposto no Pavilhão Histórico_Cultural em 1950 Foto: Reno Mancuso / Acervo de Renan Carlos Mancuso, divulgação / Acervo de Renan Carlos Mancuso, divulgação

Na edição que celebrava os 75 anos de imigração italiana no Rio Grande do Sul e marcava o retorno da Festa da Uva ao calendário de eventos de Caxias do Sul, o Pavilhão Histórico-Cultural foi um dos espaços mais visitados pelo público, em fevereiro e março de 1950.

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Instalado junto ao Parque de Exposições (no quarteirão da antiga Cooperativa Madeireira Caxiense), o pavilhão surgiu como a primeira tentativa de se organizar um acervo com objetos e peças dos primórdios da colonização – uma espécie de embrião do Museu Municipal.

Entre quadros religiosos, ferramentas, utensílios de cozinha, teares, arados manuais, enxadas, maquinário rudimentar agrícola, fotografias, passaportes, trajes típicos e até móveis, um painel sobressaía-se. Era a obra Alegoria Primeira ao Imigrante, confeccionada no lendário atelier fundado pelo italiano Tarquinio Zambelli (1857-1935). 

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Encomendado pela Intendência Municipal por volta de 1890 e entalhado em madeira de lei, a formão e canivete, o quadro é farto em simbologias. Conforme a descrição contida na publicação A Retrospectiva da Arte ao Longo de um Século, de Irma Buffon Zambelli, o painel traz em primeiro plano a figura de uma mulher segurando a bandeira brasileira, tendo aos pés um leão representando a cidade de Caxias. 

Autora do texto, Nelly Veronese Mascia destacou no livro:

"A mulher abençoa o filho do colono. Enxerga-se também a casa do colono, a cantina, a agricultura, a criação dos animais, a casa cercada de araucárias. Tudo isso representa a fartura, bem como o parreiral, o milharal e o pomar. Na cantina entreaberta, vêem-se os barris de vinho e as pipas. Na moldura, duas águias sustentam o escudo nacional, sobressaindo-se da moldura entalhada com uvas e trigo, riquezas da região".

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O painel de Tarquinio Zambelli exposto no Pavilhão Histórico_Cultural, durante a Festa da Uva de 1950Foto: Reno Mancuso / Acervo de Renan Carlos Mancuso, divulgação
"Alegoria Primeira ao Imigrante" integra o acervo do Museu Municipal de Caxias desde 1975Foto: Daniela Xu / Agência RBS
Painel esculpido por Tarquinio Zambelli está exposto no Museu Municipal, na Rua Visconde de PelotasFoto: Daniela Xu / Agência RBS

Para visitar

O painel original, também conhecido pelos nomes Alegoria da Pátria ao Imigrante e Alegoria ao Imigrante Italiano, encontra-se para visitação gratuita no Museu Municipal de Caxias. Ele foi doado ao Museu quando da celebração do centenário da imigração e da inauguração do espaço, em 1975. 

O Museu Municipal fica na Rua Visconde de Pelotas, 586. Mais informações:  (54) 3221.2423 e 3215.4445.  

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O Pavilhão Histórico-Cultural da Festa da Uva de 1950Foto: Reno Mancuso / Acervo de Renan Carlos Mancuso, divulgação
Presidente Gaspar Dutra visita o pavilhão, acompanhado por Irmão Roberto e o governador do RS, Walter JobimFoto: Studio Geremia / acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Memórias da imigração

Idealizado pelo religioso Irmão Roberto, mais conhecido por Irmão Robertão, o Pavilhão Histórico-Cultural de 1950 também recebeu a visita do presidente Eurico Gaspar Dutra. O general foi acompanhado pelo então governador do Estado, Walter Jobim, e pelo radialista Nestor Gollo, integrante da comissão social e mestre de cerimônias da festa.

Conforme destacado pelo jornalista Luiz Carlos Erbes, autor do livro Festa da Uva – A Alma de Um Povo, Gollo relatou que “foi muito interessante, pois eles (a organização) conseguiram recolher coisas dos primeiros imigrantes, o que ainda não havia sido feito”. Segundo Erbes, “a maioria guardava alguma coisa em casa, mas até então ninguém tinha pensado em reunir isso num pavilhão. O que obtiveram foi o suficiente para historiar os 75 anos da colonização”.

Na foto acima, Irmão Roberto, Gaspar Dutra, o prefeito Luciano Corsetti, Nestor Gollo, o governador Walter Jobim e o empresário Julio Ungaretti (presidente da festa).

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