Culto ecumênico lembrou a morte dos moradores de rua em Caxias do Sul - Cidades - Pioneiro
 

Centro Pop Rua04/04/2018 | 19h34Atualizada em 04/04/2018 | 20h02

Culto ecumênico lembrou a morte dos moradores de rua em Caxias do Sul

Celebração homenageou 25 pessoas atendidas pela FAS e que faleceram desde o ano passado

Culto ecumênico lembrou a morte dos moradores de rua em Caxias do Sul Roni Rigon/Agencia RBS
Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

A emoção e o desejo de superar a indiferença social marcaram os discursos do primeiro culto ecumênico em homenagem a usuários já falecidos do Centro Pop Rua, serviço da prefeitura de Caxias do Sul que atende a pessoas em situação de rua. A celebração ocorreu na tarde de ontem, na cripta da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes.

O culto, que uniu representantes de diversas religiões como o Frei Jaime Bettega e o músico Tonico de Ogum, homenageou 25 homens e mulheres que utilizavam os serviços sociais do Centro Pop Rua e faleceram desde o ano passado, tanto em decorrência de problemas de saúde, como em virtude da violência às quais estão expostos diariamente. Estima-se que mais de 300 pessoas vivam nas ruas do município atualmente. 

— A ideia era ter um momento para lembrar das pessoas que faleceram e ressaltar que elas foram importantes para nós e para quem conviveu com elas. Mas também desejamos celebrar a vida, para que nós, que estamos vivos, busquemos ajudá-los e construir novas formas de enfrentamento às dificuldades —  ressalta a diretora de Proteção Social Especial da Fundação de Assistência Social (FAS), Ana Maria Pincolini.

O ex-morador de rua Iago Mateos Moraes Boff, 22 anos, escreveu uma carta sobre as dificuldades de lidar com o luto, que foi lida durante a celebração. Ele conta que conheceu as dificuldades e o preconceito de quem não tem um endereço fixo logo cedo. Em decorrência de atritos familiares, Iago saiu de casa aos 14 anos e fez muitos amigos enquanto esteve nas ruas. 

— É difícil e ainda está sendo. Quase todos os que estão sendo homenageados eu conheci, mas a Alice (Alice Adrieli Farias Oliveira, que morreu em março devido a problemas de saúde) era que nem uma irmã pra mim. Nos conhecemos nas ruas e ficamos muito amigos — conta Iago, que há 3 anos conseguiu melhorar sua condição e hoje está tentando se reposicionar no mercado de trabalho. 

O missionário Cosmo Messias, o Vovô Juca, que é contador de história voluntário do Centro Pop lembrou sobre a indiferença que as pessoas em situação de rua sofrem.

— Lembramos das pessoas que morrem nas ruas, apagadas, sem voz. Temos que saber que o morador de rua é um problema de todos nós, e a indiferença também é — discursou. 

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