Orelhões ainda existem em Caxias do Sul, mas não funcionam - Cidades - Pioneiro

Infraestrutura24/07/2017 | 09h00Atualizada em 24/07/2017 | 09h45

Orelhões ainda existem em Caxias do Sul, mas não funcionam

De 26 telefones públicos da área central, apenas três estavam aptos a fazer ligações

Orelhões ainda existem em Caxias do Sul, mas não funcionam Roni Rigon/Agencia RBS
De 1.783 orelhões na cidade, 984 estão em manutenção, ou seja, estão estragados Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

Possivelmente você nem lembre quando usou pela última vez, mas os telefones públicos ainda fazem parte da arquitetura urbana. Porém, se precisar do serviço em Caxias do Sul, provavelmente terá que caminhar muito para achar um aparelho que funcione. Um teste realizado pelo Pioneiro num único quadrilátero central de Caxias do Sul confirma a degradação: de 26 aparelhos, apenas três estavam funcionando na última terça. Um levantamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostra que o quadro geral é ainda pior. De 1.783 orelhões na cidade, 984 estão em manutenção, ou seja, estão estragados.

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Hoje, a maioria dos orelhões serve apenas como outdoor para propagandas de prostituição ou anúncio de venda de produtos, além de atrair vandalismo. Boa parte dos aparelhos está com os fios amarrados ou não tem qualquer sinal ao ser retirado do gancho. Nas paradas da Estação Ópera, por exemplo, o único aparelho foi queimado e não tem o fone. Já na Sinimbu, próximo à Catedral Diocesana, um dos dois telefones instalados na esquina, está quebrado e com os fios para fora, também sem qualquer possibilidade de uso. Na Praça Dante Alighieri, de oito aparelhos distribuídos nos trechos da Avenida Júlio de Castilhos e da Rua Marquês do Herval, somente um estava apto a fazer ligações. 

O orelhão "solitário" é conhecido pelos raros usuários, que o utilizam em momentos de emergência ou simplesmente por não terem se rendido à tecnologia dos celulares.

— É só esse que funciona, moça_ avisava o metalúrgico Luciano Pinto Scheneider, 42 anos, que utiliza o orelhão quase que diariamente.

Scheneider recorre ao telefone público para falar com a irmã que também mora em Caxias. Ele havia perdido o celular.

— Eu dou um toque no celular dela, ela já reconhece o número e me liga de volta. Mas hoje todo mundo usa celular, até criança tem. Eu uso (o orelhão) porque perdi o meu — afirma o trabalhador.

Cartões ainda existem

Tão curioso quanto ainda usar orelhões, é comprar cartões para utilizar no aparelho. O hábito, que parece de décadas passadas, ainda é comum, garantem os vendedores. Não é tão difícil encontrar locais que comercializam os cartões. Na Praça Dante Alighieri, por exemplo, as duas bancas de revistas vendem o produto.

— Vendemos principalmente para as pessoas de mais idade. Os mais jovens usam em casos de emergência, quando acaba a bateria do celular. Mas o pessoal usa para falar com familiares de outros Estados — comenta a vendedora Maria Caroline Rocha, 20 anos.

O preço dos cartões varia conforme a quantidade de créditos. Há cartões de 20, 40 e 75 unidades. No site da Oi, os preços oficiais vão de R$ 2,50 a R$ 9,37, mas os valores podem variar conforme a loja que revende o produto. 

Dá para fazer ligações de graça

Desde abril de 2015, as ligações locais para telefones fixos são gratuitas nos orelhões da Oi no Rio Grande do Sul e em mais 14 Estados. A medida é uma determinação da Anatel porque a empresa não oferece os patamares mínimos de disponibilidade de telefones públicos - no Estado, apenas 47,3 % dos telefones estão aptos para uso. Segundo a Anatel, a disponibilidade da planta de orelhões deve ser de, no mínimo, 90% em todas as unidades da federação e de, no mínimo, 95% nas localidades atendidas somente por orelhões (acesso coletivo). Para fazer a ligação gratuita, basta discar o número que deseja, sem a necessidade de usar o cartão. 

A gratuidade, porém, não vale para ligações para celular. Por meio de nota, a Oi justifica que os casos de vandalismo são as maiores dificuldades para manter o serviço ativo. Segundo a empresa, de janeiro a junho deste ano, foram danificados por atos de vandalismo, em média, 10% dos cerca de 45 mil orelhões instalados no Rio Grande do Sul. Ainda conforme a companhia, devido a sua pouca atratividade, 68,2% dos orelhões não geram chamadas tarifadas e 29,9% não são sequer utilizados.

A companhia ressalta que solicitações de reparo podem ser enviadas pelo canal de atendimento 10331, tanto por consumidores quanto por entidades públicas. A empresa ainda diz que irá enviar o mais brevemente possível equipes técnicas para inspecionar o funcionamento dos orelhões em Caxias do Sul.

TESTE
Na tarde do dia 18 de julho, a reportagem do Pioneiro testou os aparelhos no quadrilátero entre as ruas Sinimbu, Pinheiro Machado, Visconde de Pelotas e Marquês do Herval. Confira o resultado: 


 

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