Não há paróquia sem padre na Diocese de Caxias, mas número de sacerdotes poderia ser maior - Cidades - Pioneiro

Religião15/07/2017 | 11h00Atualizada em 15/07/2017 | 11h00

Não há paróquia sem padre na Diocese de Caxias, mas número de sacerdotes poderia ser maior

Atualmente, há 110 padres e 74 paróquias nas cidades de abrangência da Diocese

Não há paróquia sem padre na Diocese de Caxias, mas número de sacerdotes poderia ser maior Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Vocação e profissão podem andar juntas, de acordo com Elton Marcelo Aristides, 31 anos, padre e também jornalista de Caxias do Sul Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

A pouca procura de interessados em seguir a vida de padre também tem reflexos em Caxias. Nos três seminários da cidade, todos sob guarda-chuva da Diocese, a quantidade de jovens vem caindo ano a ano. O número de seminaristas já esteve próximo de 150, segundo o padre e promotor vocacional Lucas Antônio Mazzochini, mas hoje não chega a 50. Desse total, oito estão no Ensino Médio, sete estudam Filosofia, outros sete frequentam o curso de Teologia e sete já estão no propedêutico (curso introdutório à função de padre). Além disso, outros estão sendo acompanhados em casa. 

— Existe procura, mas está menor. Estamos notando que uma faixa etária mais velha, que antes não procurava tanto, está chegando até nós. O mais comum é entre os 14 e 25 anos, mas agora está bem comum depois dos 20, por exemplo — esclarece padre Mazzochini.

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Não há restrição de idade para começar a estudar para ser sacerdote, só é exigido acompanhamento e vivência no seminário. É preciso ter formação básica em Filosofia e pelo menos quatro anos em Teologia. Atualmente, há 110 padres e 74 paróquias nas cidades de abrangência da Diocese. Somente em Caxias são 49 padres. Em Caxias, os sacerdotes são formados nos seminários diocesanos Nossa Senhora Aparecida, São José e São Lucas.

— Não há paróquia sem padre, mas precisaríamos de mais, claro, se contarmos que hoje há muitos que estão idosos, que logo não farão mais missas, e muitos que são enviados para missões em outras regiões — destaca o promotor vocacional.

Aos 17 anos, Emanuel pretende ser padre

A ligação desde cedo com os costumes católicos é uma das principais motivações para que alguém escolha seguir pela carreira religiosa. O conhecimento sobre os afazeres e obrigações se torna mais claro se estudado, e pode ajudar a pender a decisão do caminho pelo lado da vocação. Emanuel Rodrigues da Silva, 16 anos, começou a frequentar a igreja desde pequeno, incentivado pela mãe, Margarete. O jovem foi coroinha e hoje é acólito (assim como coroinha, auxilia os padres durante as celebrações) na Igreja Nossa Senhora do Caravaggio de Ana Rech. 

Ele frequenta missas mais de uma vez por semana e a de domingo é sagrada. Há um ano, quando participou de um retiro religioso de quatro dias em Curitiba (PR), percebeu que a vontade de ser sacerdote era grande.

— Fui para Curitiba para jogar futebol, no Paraná Clube. Mas o retiro me mostrou que meu caminho pode ser dentro da igreja — resume Emanuel.

O jovem está no Ensino Médio e participou, até agora, de três encontros vocacionais para, quem sabe um dia, virar padre. Ele ainda não tem certeza se será sacerdote, já que, como a vocação deverá ser seguida para sempre assim que for escolhida, precisa pensar bastante e excluir possibilidades.Emanuel também deseja estudar Engenharia - elétrica ou de produção -, mas acredita que profissão e vocação podem andar juntas.

— Gosto de estar dentro da igreja, de trabalhar pela igreja. Mas acho que uma coisa não exclui a outra, já que também sempre quis ser engenheiro. Me imagino padre em Caxias, no entanto, sei que sou exceção — destaca.

Vocação e profissão podem andar juntas

A ideia de dedicação exclusiva à vida religiosa faz com que muitos jovens fiquem receosos ao pensarem em ser padres. Não ter oportunidade de se dedicar a uma carreira ou a um sonho de infância para celebrar missas, sepultamentos e casamentos, e atender à comunidade, pode fazer com que muitos desistam ou deixem de lado a vocação. Mas vocação e profissão podem andar juntas, de acordo com Elton Marcelo Aristides, 31 anos, padre e também jornalista de Caxias do Sul. Ele entrou no seminário aos 22 anos para atender a uma vontade que surgiu ainda na infância. Porém, diz que nunca desistiu de se formar em Jornalismo.

— Sou jornalista vivendo a serviço da igreja. Sabia que, ao ser padre, seria para sempre. Mas uma coisa não exclui a outra, dá muito bem para levar a vocação e profissão concomitantemente e ser feliz — esclarece.

Padre Elton celebra missas e faz sepultamentos quando é chamado, e dedica algumas de suas manhãs para ser assessor de imprensa da Diocese de Caxias. Acredita que muitos, principalmente os mais jovens, não tem a clareza de que padres podem colaborar com outras áreas:

— Já ouvi gente falando "se nada der certo, vou virar padre", mas não pode ser assim. É uma ideia errada achar que é preciso dedicação exclusiva, sou a prova de que dá para sermos o que quisermos.

 
 
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