Devido à superlotação, Hospital Geral de Caxias fecha pronto-socorro   - Cidades - Pioneiro

Ação temporária27/06/2017 | 13h45Atualizada em 28/06/2017 | 08h32

Devido à superlotação, Hospital Geral de Caxias fecha pronto-socorro  

Orientação é de que população procure apenas as unidades básicas de saúde e o Postão 24 horas

Devido à superlotação, Hospital Geral de Caxias fecha pronto-socorro   Roni Rigon/Agencia RBS
Foto: Roni Rigon / Agencia RBS
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O Hospital Geral (HG) de Caxias do Sul suspendeu, na tarde desta terça-feira, os atendimentos de baixo risco e as internações no pronto-socorro (PS). De acordo com a instituição, o setor está superlotado e, caso permanecesse recebendo novos pacientes, haveria risco de comprometer a eficiência dos atendimentos. Além disso, a grande procura por consultas e a falta de leitos disponíveis até mesmo na unidade de tratamento intensivo (UTI) poderiam colocar em risco a segurança dos pacientes. 

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Enquanto permanece fechado, o pronto-socorro atenderá somente pacientes com risco de morte. Conforme o diretor do HG, Sandro Junqueira, fatores específicos levaram a suspensão temporária dos atendimentos:

— Há um bom tempo nosso pronto-socorro tem registrado lotação. Já se tornou até um problema histórico no hospital. Hoje pela manhã, a sala de emergência estava completamente lotada e precisamos deixá-la completamente vazia para atendermos quem chega em estado de emergência. Fora isso, estamos com todos os leitos do pronto-socorro ocupados, sendo que quatro pacientes estão aqui em regime de UTI.

Mesmo que não haja pacientes esperando por leito nos corredores, a estrutura do pronto-socorro, que conta com 12 leitos e seis poltronas para soroterapia, não comporta a alta demanda que, segundo a instituição, sofreu um aumento gradativo nos últimos anos em função de alguns fatores: a oscilação de temperatura, a situação econômica-financeira do município, o alto número de demissões ao longo dos últimos quatro anos e a greve dos médicos do Sistema Único de Saúde (SUS). A instituição não informou o número de pacientes atendidos por dia. 

A orientação que o HG está dando à população é que procure as unidades básicas de saúde (UBS) — onde o atendimento já está comprometido em razão da greve dos médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) — ou o Pronto-Atendimento 24 Horas, que também enfrenta a superlotação e falta de médicos. Para se ter uma ideia da situação, quem se deslocou ao Postão ontem esperou, em média, oito horas para consultar. 

O HG espera dar vazão à demanda que já atende para, então, reabrir as portas do pronto-socorro.

— Fechamos por tempo indeterminado. Agora, tudo depende do movimento. Na hora que acalmar, a gente reabre — afirma Junqueira.

Demanda clínica e internações complica liberação de vagas

O pronto-socorro do Hospital Geral é diferente dos demais de Caxias do Sul. Isso porque o município definiu que toda a área de traumato-ortopedia (como vítimas de acidentes e crimes) seja direcionada ao Hospital Pompéia, fazendo com que o HG receba a parte clínica, cardiológica, oncológica e respiratória.

Com esse tipo de atendimento, os pacientes acabam entrando no PS e ocupando um leito sem que possam ser transferidos para o setor de internação hospitalar. Assim, frequentemente, a instituição fica com quatro, cinco, ou até seis pacientes entubados no próprio pronto-socorro. 

— Se houvesse leitos de UTI suficientes, esses pacientes não estariam internados no PS. Mas, o que acontece é que, por vezes, não há leitos de internação comum nem de UTI, obrigando essas situações a ficarem represadas no pronto-socorro, obstruindo a entrada de novos pacientes — lamenta o diretor.

A pediatria também é considerado um setor complicado no HG, já que as patologias de inverno afetam diretamente bebês e crianças. Durante o ano a ocupação é razoável. Porém, de junho a agosto, há superlotação. A instituição pede que as crianças também sejam direcionadas para as UBSs e ao Postão em casos sem gravidade.

— Nós sabemos que a demanda tem aumentando porque a mãe não consegue levar o filho na UBS ou no Postão e acaba vindo até o nosso pronto-socorro. Só que isso gera todo um esforço da nossa equipe médica que não deveria estar ali.

O diretor do HG acrescenta ainda que, mais do que o plano de ampliação, cujas obras estão paradas desde janeiro, está preocupado em garantir o custeio do hospital.

— Primeiro, precisamos assegurar os recursos para manutenção dos atendimentos e o equilíbrio das contas. A gente está batalhando para que município e o Estado mantenham convênios que somam repasses de R$ 900 mil. Se isso não acontecer, vai piorar ainda mais a situação da saúde de Caxias e com certeza haverá redução dos atendimentos.

Em fevereiro, o hospital recebeu do Estado cerca de R$ 9 milhões em repasses que estavam atrasados. Em 2017, a prefeitura já repassou à Fundação Universidade de Caxias do Sul (Fucs), mantenedora do HG, cerca de R$ 14,6 milhões, conforme dados do Portal da Transparência.

 
 

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