Três grupos de estudantes caxienses representam país em eventos internacionais voltados à ciência - Cidades - Pioneiro

Pesquisas11/05/2017 | 09h06Atualizada em 11/05/2017 | 09h06

Três grupos de estudantes caxienses representam país em eventos internacionais voltados à ciência

Jovens arrecadam recursos para viabilizar participação em feiras e competição

Três grupos de estudantes caxienses representam país em eventos internacionais voltados à ciência Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Alisson (E) e Jennifer realizaram estudo que verifica combinação de batata-doce com sulfato de alumínio como alternativa de purificador de água. Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS
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O campo científico é complexo por natureza. A cada dia, no entanto, o anseio pela descoberta estimula jovens estudantes ao redor do mundo a elaborar teorias que buscam a resolução de problemas cotidianos por meio de métodos alternativos aos já aplicados na sociedade.  

Apesar de uma minoria demonstrar disposição a se dedicar em empreitadas que  podem levar anos para a obter resultados, muitas vezes o interesse pela ciência já inicia logo cedo. Neste contexto, Caxias do Sul tem muito a se orgulhar atualmente, afinal, até o fim deste ano, pelo menos três grupos formados por crianças e adolescentes terão representado a cidade, o Estado e o país, em eventos internacionais de renome.

Jennifer, Alisson e a batata-doce

Os olhares aflitos de Maria do Carmo Gomes e Tânia Craco são evidentes, afinal, daqui a dois meses, os filhos delas partirão sozinhos para a Europa, onde ficarão duas semanas por conta própria.

Apesar da ansiedade, trata-se, no entanto, de uma apreensão positiva: Jennifer Craco e Alisson Gomes, ambos de 16 anos, foram selecionados para o maior fórum científico juvenil do mundo, o London International Youth Science, que ocorre entre 29 de julho a 6 de agosto, em Londres. Os dois estudantes caxienses foram os únicos escolhidos entre 10 concorrentes nacionais para representar o Brasil na Inglaterra.

O estudo da dupla propõe a utilização da batata-doce como purificador de água. Segundo explicam, o tubérculo foi considerado devido à grande quantidade de amido existente em sua composição, cuja concentração o torna atuante na purificação.

 — A batata-doce age como um polímero natural e, combinada com sulfato de alumínio, torna-se um purificador muito mais eficiente do que os métodos utilizados hoje em dia. Os resultados satisfatórios comprovaram nossas expectativas. Além de ser uma alternativa mais barata e menos poluente, a água se tornaria mais saudável para o consumo, pois todas as impurezas seriam eliminadas  — explica Jennifer.

Boa parte das pesquisas foram realizadas com a estrutura do laboratório do Colégio La Salle/Carmo, onde eles cursam o 2º ano do Ensino Médio.

—  Só em um momento precisamos recorrer a um aparelho chamado Jar Test, que é bastante raro e extremamente caro. Descobrimos agora que há um disponível na UCS (Universidade de Caxias do Sul). Então pretendemos procurar a universidade e pedir a permissão deles para poder aprimorar nosso projeto  —comenta Alisson, que exibe com um sorriso a expectativa de conhecer Londres.

 — A única viagem que fiz para fora do país foi quando fui para o Uruguai, e com a escola  —  conta.

A professora Daniela Boff do Carmo, que auxiliou diretamente no desenvolvimento do estudo, comenta que a seleção dos alunos também deverá estimular o colégio a valorizar ainda mais a iniciação científica:

—  Já temos um trabalho voltado a crianças. Começamos a incentivar o pensamento científico desde o segundo ano do Ensino Fundamental.
 
 Para as mães orgulhosas, apesar da distância, a experiência de participar em um evento de tal porte em outro país deve engrandecer a vivência dos jovens.
 
— Ao longo do ano passado quando desenvolviam projeto já percebemos a evolução que tiveram, tanto pessoal, quanto no amadurecimento da própria oratória. Agora, esse progresso deve ser ainda maior justamente pela imersão cultural que eles vão viver nessas duas semanas  — ressalta Tânia Craco, mãe de Jennifer.

A mãe de Alisson, Maria do Carmo Gomes, diz ter sido evidente a repercussão que surtiu nos demais alunos  a participação do filho e de Jennifer no evento londrino:

— Acredito que isso tenha inspirado a todos, pois demonstrou que a dedicação a um projeto tem resultados que, às vezes, transcendem a própria escola.
 
Robô caxiense na Austrália

Dos dias 6 a 9 de julho, outro grupo de estudantes caxienses vai representar o país em um evento internacional. Desta vez, sete alunos, com idades entre 12 a 17 anos, três mentores e uma coordenadora da Rede Caminho do Saber, todos integrantes da equipe de robótica Tecnoway, competirão no First Lego League, disputa mundial de robôs que ocorre em Sydney, na Austrália. 

No campeonato, os protótipos, controlados por joysticks (controle remoto), precisam cumprir desafios e somar pontuação. As tarefas deste ano são baseadas no tema "Como animais e humanos podem se aliar".

Eles se qualificaram para disputar o torneio internacional a partir de seletivas estadual e nacional. Esta última reuniu cerca de 700 competidores de 20 Estados, além do Distrito Federal.

— Aprimoramos nosso robô desde que participamos da etapa nacional e temos grandes expectativas com a participação no mundial _ ressalta Alexandra Colvara, coordenadora pedagógica da Caminhos do Saber.

Parte da estrutura que compõe robô que será utilizado na competição. Foto: Larissa Rizzon / Divulgação

De Caxias para Fortaleza com escala em Milão

Em março deste ano, Renan Monteiro Silva, 18 anos, participou de uma feira de ciências em Milão, na Itália, onde apresentou um estudo que aponta o uso do ácido fólico como fonte para amenizar os efeitos do zika vírus (doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e que pode causar problemas neurológicos no bebê) durante a gestação.  

A pesquisa foi realizada no período em que ele cursava o 3º ano na Escola Estadual Apolinário Alves dos Santos. O rapaz classifica a experiência como "sensacional".

— No início, tínhamos um pouco de receio em meio aos preparativos e toda a correria. Mas quando caiu a ficha, percebemos a dimensão de tudo que vivemos lá (na Itália), todos os horizontes que se abriram e também o fato de sermos a única delegação brasileira presente  — destaca Silva, que está estudando para o vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) de olho em uma vaga no curso de Engenharia Química.

A pesquisa com o ácido fólico ainda levará o estudante a outro evento internacional: de 7 a 12 de agosto ele participará da Expo-Sciences International (ESI- MILSET Mundi), feira internacional que este ano ocorre em Fortaleza (CE).

Renan explica pesquisa com modelo de tubo neural confeccionado por ele mesmo. Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

O reconhecimento ao trabalho de Renan orgulhou não apenas parentes e amigos, mas também colegas e professores.

— Percebemos um maior interesse dos nossos alunos em pesquisa. Além de exaltarmos o nome dele em assembleias com pais, percebemos que precisamos aprimorar nossa estrutura para propiciar que mais exemplos como esse surjam na nossa escola  — comenta a diretora da Escola Apolinário, Marili Rigon Zandoná.

Segundo Renan, servir de exemplo para outros jovens é outro aspecto que respalda o seu trabalho:

— Fico orgulhoso, porque alunos do ensino público normalmente se subestimam, e há essa mentalidade de que o reconhecimento só é dado a quem estuda em escolas privadas. Isso que estou vivendo comprova que tudo depende de nós mesmos, tive muito auxílio de professores, defini um foco e me dediquei a isso até obter o resultado.

COMO AJUDAR

Jennifer, Alisson, colegas e pais vão fazer um pedágio no próximo sábado, dia 13, nas ruas centrais de Caxias do Sul para arrecadar recursos para a viagem. Os estudantes devem estar em semáforos das ruas Sinimbu e Os Dezoito do Forte uniformizados. Interessados também podem contatar pelo e-mail tcraco@yahoo.com.br ou no telefone (54) 99656.3243. São aceitos também brindes para realização de uma rifa.

O estudante Renan Monteiro Sil necessita de auxílio financeiro para custear a taxa de inscrição  na Expo-Sciences International, cujo valor é de cerca de R$ 1,8 mil. Para ajudá-lo, contate a Escola Apolinário no telefone (54) 3229.2152.

A equipe de robótica da Caminho do Saber também está aceitando doações. Contatos podem ser feitos no tecnoway@rede.caminhosdosaber.com.br ou por meio do telefone (54) 3225-7195, com  Alxandra ou Josemari.

 
 
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