Seminário em Caxias estimula iniciativas comunitárias para prevenir a criminalidade - Cidades - Pioneiro

Debate15/05/2017 | 07h09Atualizada em 15/05/2017 | 07h09

Seminário em Caxias estimula iniciativas comunitárias para prevenir a criminalidade

Evento vai apresentar casos de moradores que utilizam sistemas próprios de comunicação 

Seminário em Caxias estimula iniciativas comunitárias para prevenir a criminalidade Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Élvio Luís Gianni, presidente da Associação de Moradores (Amob) do Colina Sorriso destaca modelo de comunicação adotado por comunidade. Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS
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A Câmara de Vereadores de Caxias do Sul promove nesta segunda-feira seminário sobre segurança pública com o tema "Segurança Somos Todos Nós - Caminhos para Enfrentar a Violência em Caxias do Sul". 

O encontro vai abordar a multiplicação de organizações civis com o propósito de monitorar, de maneira independente, o que acontece nos próprios bairros. Esses grupos se comunicam principalmente pelo aplicativo Whatsapp,  ferramenta usada para informar atividades suspeitas e, desta forma, alertar a comunidade a acionar a polícia. 

Os bons resultados já obtidos em vários pontos serão apresentados no seminário com a intenção de incentivar a propagação de iniciativas semelhantes em outros locais da cidade. 

Um desses exemplos é o adotado no bairro Cinquentenário, onde uma série de crimes, ocorridos em 2015, motivou a organização de um sistema próprio. 

— Vivíamos uma onda de violência assustadora, com registro quase diário de assaltos, roubos e até estupro. Em julho de 2015, decidimos criar  o grupo Cinquentenário em Alerta no Whatsapp. Hoje, já conseguimos unir em torno de 400 moradores. Há mais ou menos quatro ou cinco meses, nada é registrado aqui na região —  exalta o coordenador Eduardo Soares.

— Nosso sistema é bastante regrado e temos comunicação direta com a Brigada Militar. Caso avistemos alguém suspeito ou até um veículo circulando de maneira atípica, já alertamos os moradores e, se for o caso, chamamos a polícia — complementa.

No bairro Colina Sorriso, outro grupo reúne aproximadamente 700 pessoas, incluindo cidadãos e policiais. O diferencial é a proximidade da relação que os moradores criaram com os brigadianos que atuam no policiamento comunitário.

— Dividimos os grupos entre moradores e estabelecemos um canal direto com comandantes e servidores que atuam no programa, a quem filtramos as denúncias e eles prontamente vão até os locais verificar  — explica Élvio Luís Gianni, presidente da Associação de Moradores (Amob) e um dos coordenadores do grupo.

A união, segundo ele, é tão forte que são promovidas atividades de integração entre vizinhos do bairro e policiais. O próximo passo, conforme ele, será arrecadar recursos para a instalação de câmeras nas entradas do bairro:

— Temos a compreensão de que precisamos valorizar as forças de segurança e, sobretudo, entender que o primeiro "policial" é o nosso vizinho.
De acordo com Gianni, a validade do sistema já foi conferida em tempo real, quando bandidos foram interceptados no momento de um furto:

— A moradora de um prédio nos avisou no aplicativo que criminosos estavam assaltando apartamentos. Prontamente ligamos para a polícia, que conseguiu prendê-los no ato. Essa união é que faz nosso modelo de comunidade diferenciada, e é uma ação fácil de ser executada, só precisa do envolvimento dos moradores e de uma liderança que tome a iniciativa.

Referência em Novo Hamburgo

Enquanto em Caxias as organizações começam a ganhar visibilidade, na região metropolitana, um grupo de Novo Hamburgo ganhou notoriedade por desenvolver ações com o mesmo caráter. Denominado de Movimento #Paz, moradores articularam parceria com cerca de 50 entidades, incluindo órgãos de segurança e Poder Judiciário. 

A ideia surgiu a partir da morte de um empresário, em 2004. Desde então, a ação se expandiu a ponto de o grupo ter viabilizado a obtenção de equipamentos para policiais, instalação de câmeras nas imediações do presídio local e até a elaboração um projeto, encaminhado à Câmara dos Deputados, no qual propõem a extinção do regime semiaberto.

— Participamos de blitze e nos oferecemos, cada um na sua condição, para cooperar com a segurança. O nosso conselho sempre é: comece pelo seu bairro e se espalhe pela cidade. Não queremos reconhecimento, somente trabalhar para garantir a segurança da nossa comunidade — comenta a atual coordenadora do movimento, Gabriela Streb.

O pensamento prioritário, assegura ela, é reiterar apoio aos órgãos de segurança:
— A população gosta de cobrar segurança, mas poucos se dispõem a tomar iniciativas. Antes de questionarmos, devemos apoiar nossos policiais que hoje trabalham em condições precárias.

Apoio da Brigada
A iniciativa das comunidades em adotar sistemas de segurança cívica é respaldada pela Brigada Militar. Para o comandante do 12º BPM, major Jorge Emerson Ribas, além de estabelecer relação de confiança entre vizinhos, ações como essas ajudam a fortalecer o vínculo e o apoio junto aos órgãos de segurança:

— É uma ferramenta útil que pode ser replicada na cidade. Além do Cinquentenário e do Colina Sorriso, notamos que, aos poucos, diversos bairros também estão aderindo. 

Ele alerta, no entanto, que deve haver foco e definição clara dos objetivos e limites de atuação.

— A preocupação deve ser a segurança e não pode ser confundida com interesses políticos ou partidários. Os moradores também precisam estar conscientes do propósito de comunicação e evitar se expor para averiguações que coloquem em risco sua segurança  — complementa.

 
 

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