Nova Festa da Uva de Caxias do Sul se desenha com várias ideias, mas poucas definições - Cidades - Pioneiro

Projeto04/05/2017 | 21h15Atualizada em 05/05/2017 | 15h39

Nova Festa da Uva de Caxias do Sul se desenha com várias ideias, mas poucas definições

Presidente da Comissão Comunitária acredita que prazo maior é fundamental para melhorar Pavilhões, captar recursos e envolver a comunidade

Nova Festa da Uva de Caxias do Sul se desenha com várias ideias, mas poucas definições Roni Rigon/Agencia RBS
Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

Com um ano a mais para reestruturar os pavilhões, captar recursos e envolver a comunidade, o município acredita que pode organizar uma nova Festa da Uva. Na síntese, essa é a justificativa para o adiamento de uma das maiores festas comunitárias do Estado para 2019, decisão que dividiu opiniões em Caxias do Sul. Mas há outro detalhe: a questão financeira pesou bastante, já que a organização previa um aporte menor de patrocinadores se a festa ocorresse em 2018, o que transformaria o evento numa "festinha"

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— A ideia é simples e clara: precisamos mudar para mostrar o que Caxias tem de melhor a oferecer. O que ouvimos muito é que pouco da nossa gastronomia, dos nossos pontos turísticos, da cultura e da nossa tradição era levada para dentro dos Pavilhões. E é deste ponto que vamos partir: fazer uma festa sustentável e com mais envolvimento da comunidade — afirma Sandra Mioranzza Randon, presidente da Comissão Comunitária da Festa da Uva.

O novo projeto teria algumas pistas e ideias, mas sem detalhes definidos no papel: a primeira situação listada no cronograma elaborado por Sandra em parceria com as entidades participantes do conselho consultivo é utilizar o período da colheita da uva para atrair mais turistas, além de oferecer atividades extras para a população dentro dos parque de eventos. Fora isso, o projeto também prevê o processo de escolha das soberanas no auge da vindima, em meados de janeiro de 2018. 

— Queremos valorizar a nossa agricultura, os nossos trabalhadores e a nossa estrela maior, que é a uva, para introduzirmos uma nova maneira de utilizarmos os Pavilhões num ano que não tem festa. Com isso, também vamos atrair mais turistas e estreitarmos os laços com a população — acredita a presidente.

Entre os maior obstáculos que a organização do evento espera encontrar pela frente é a captação de recursos, já que não contará com o apoio financeiro da prefeitura — na última festa, o Executivo injetou R$ 3,9 milhões, ajuda que Daniel Guerra cancelou para a próxima festa. Porém, com as mudanças propostas, a comissão comunitária acredita que o desafio será superado. 

— Que empresa não gostaria de estar vinculada a um projeto que vai trazer uma movimentação constante aos Pavilhões? Sabemos que a partir do momento em que o patrocínio passar a não ser apenas institucional teremos um apoio bem maior. Isso nos foi dito por diversos patrocinadores. A nossa proposta mostra uma nova maneira de ver a cidade, de valorizar a nossa história e atrair mais as pessoas. E isso, certamente, também beneficia a divulgação das marcas empresariais — exalta Sandra.

Outros detalhes como o formato dos desfiles, a escolha da Rainha, que ocorre no dia 19 de maio do ano que vem, e os atrativos da festa ainda serão avaliados pela organização. De certo, haverá uma reestruturação dos pavilhões, que necessitam de obras em telhados, manutenção em vários pontos, adequação à acessibilidade e atualização do Plano de Prevenção contra Incêndio (PPCI) já para a próxima edição. 

"A próxima Festa da Uva será uma revolução", diz presidente do conselho consultivo
 
O presidente do conselho consultivo da Festa da Uva, também presidente da Câmara de Indústria e Comércio (CIC), Nelson Sbabo, está confiante no sucesso da próxima edição. Ele esteve na reunião de quarta-feira que definiu o adiamento da celebração para 2019 e afirma que o projeto apresentado por Sandra Randon é inovador. O resgate da cultura italiana e a valorização da comunidade são pontos que serão valorizados.

— O envolvimento das pessoas será maior. A ideia apresentada pela Sandra imprime um novo formato para a Festa da Uva, sem desmerecer as edições passadas, mas é uma ideia que muita gente já teve ou ainda tem. A uva, os produtores, as cantinas serão ainda mais valorizadas — acrescenta.

Sem adiantar detalhes, Sbabo ainda garante que as pessoas vão se surpreender com o novo processo de escolha das soberanas, que começa neste ano. Também afirma que a forma de comercialização de produtos dentro dos Pavilhões deve ser ajustada:

— A festa tem que se viabilizar economicamente, mas pode não ser como é realizada até agora. Os Pavilhões não podem ser um ponto de venda. A próxima Festa da Uva começou ontem (quarta), será uma revolução e Caxias terá um ganho muito grande.

O que vem por aí

Data: a organização do evento ainda não definiu a data exata em que deve ocorrer a 32ª edição da Festa da Uva. A única confirmação é de que o evento ocorrerá durante três semanas em fevereiro de 2019. 

Comissão comunitária: a próxima etapa é formar a comissão responsável por pensar e viabilizar a festa de 2019. Por enquanto, apenas Sandra está à frente desta comissão. Alguns casais de Caxias já foram procurados, mas não confirmaram a participação. Os nomes são mantidos em sigilo. 

Pavilhões: o objetivo é ampliar a participação de expositores locais, já que a maior parcela é de representantes de outras cidades. Em conversas com potenciais patrocinadores da festa, a presidente da Festa disse que percebeu que o evento não receberia muitos recursos se continuasse a ser promovida nos mesmos moldes das últimas edições e caso fosse mantido o calendário de 2018. Além disso, questões de infraestrutura também pesaram na decisão de adiar o evento. Serão necessárias obras nos telhados, de acessibilidade e atualização do Plano de Prevenção contra Incêndio (PPCI) nos pavilhões da Festa da Uva. Usar a Réplica de Caxias para um roteiro turístico é uma das ideias. Seis das oito empresas e entidades que ocupavam as casas já deixaram os espaços. O Museu do Comércio, mantido pelo Sindilojas, e o Clube de Bochas ainda negociam a permanência nos Pavilhões, segundo o diretor da Festa da Uva SA, Cleiton De Bortoli.

— Estamos estudando a viabilidade da permanência desses locais. Vamos ver como eles podem fazer parte dessa nova ideia, a de fazer com que as réplicas formem um roteiro turístico. Estamos em fase de elaboração de um projeto que envolverá secretarias, como a da Cultura e do Turismo, por exemplo. O Clube de Bochas, por exemplo, pode ser um espaço para jogar, mas também poderia abrigar o Museu da Bocha, um lugar que contasse a história da atração — adianta.

Desfiles: mesmo após uma polêmica envolvendo a mudança nos desfiles, que na última edição deixaram de ser realizadas na Rua Sinimbu e passaram para a Rua Plácido de Castro, a volta do corso é uma hipótese. Porém, nada ainda foi definido ou estudado. No passado, o corso chegou a ser na Júlio de Castilhos, mas Sandra disse que a avenida já não comporta o tamanho do evento. Outra sugestão  é a retomada dos desfiles diurnos. Na última festa, o corso ocorreu apenas à noite.

Concurso das soberanas: existe um novo modelo de pré-concurso para envolver mais as candidatas, fazendo com que elas conheçam e participem diretamente da colheita. Por isso, o pré-concurso deve ocorrer durante a Festa da Colheita, que é realizada em janeiro. As inscrições serão de 16 de outubro a 16 de dezembro de 2017 e a escolha ocorre no dia 19 de maio de 2018.

Shows: a ideia da organização é rever a distribuição das atrações, tanto de palcos quanto de períodos. Segundo Sandra, as apresentações típicas que seriam mais atraentes para visitantes e para incrementar o turismo na cidade ficavam em segundo plano, em palcos menores, e ocorriam no mesmo horário de shows nacionais. Com isso, artistas de fora acabavam ganhando mais relevância do que as apresentações que realmente caracterizam a festa.

 
 
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