Moradores de Caxias contratam empresa para monitorar acesso ao bairro - Cidades - Pioneiro

Polêmica15/05/2017 | 13h15Atualizada em 15/05/2017 | 14h22

Moradores de Caxias contratam empresa para monitorar acesso ao bairro

Diariamente, após às 22h, acesso da via pública é bloqueado por empresa de vigilância

Moradores de Caxias contratam empresa para monitorar acesso ao bairro Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Vigilante destaca que medida protege comunidade "seleta"  da região e critica cobranças de prefeitura. Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Moradores de um quadrilátero do bairro Interlagos vivem uma situação atípica em Caxias, a plena sensação de segurança. Para isso, foi necessária uma medida: posicionar vigilância 24 horas no único acesso disponível. 

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Ao todo, moradores de 56 casas contribuem com parcela mensal para custear o trabalho de uma empresa que, além da vigilância, presta serviços de portaria e realiza reparos infraestruturais. A postura adotada pela comunidade, no entanto, é polêmica.

— A partir das 22h, passamos a corrente e bloqueamos a entrada. Somente com autorização dos moradores permitimos o acesso. Algumas pessoas não gostam disso e já nos denunciaram, mas só critica o nosso sistema quem não pode ter algo semelhante. Sabemos que essa situação de desemprego e a chegada de gente de fora influenciou também o crescimento da criminalidade  — afirma o guarda Marco Aurélio Lemos.

Ainda assim, ele garante que não há qualquer discriminação com possíveis visitantes:

—  Não estamos aqui para proibir ninguém de passar, e, sim, coibir a entrada de "vagabundo".

O vigilante ainda classifica como positiva a relação com os moradores, que também defendem o modelo de monitoramento, embora aleguem que a prefeitura tente causar problemas. 

— Só pedimos que o município não atrapalhe. Falta apoio do poder público, condenam o nosso sistema, sendo que estamos ajudando em algo que deveria ser da responsabilidade deles — comenta uma moradora que preferiu não se identificar, ressaltando que a medida garante a total segurança  dos moradores.

O caso do Interlagos é conhecido pelo poder público.  De acordo com a Secretaria do Urbanismo, recentemente, após a retirada da cancela do local, foi arquivado um processo aberto pela pasta. No entanto, o fato de uma corrente ser utilizada como bloqueio da passagem de visitantes é novidade para a prefeitura.

— Vamos mandar um fiscal verificar a situação. A contratação de empresa para prestar serviços de vigilância é permitido, mas não admitimos excessos — afirma a secretária do Urbanismo, Mirangela Rossi.

Ela diz compreender a preocupação dos moradores com a segurança, porém, reitera total ilegalidade da medida adotada pela comunidade:

— Não podemos deixar um grupo de moradores se apropriar do bem público e determinar regras próprias para acesso. Isso é característica específica de condomínios que não pode ser aplicada em loteamentos públicos.

 

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