Adiamento da Festa da Uva serve como reflexão sobre o que se quer para Caxias - Cidades - Pioneiro

Região06/05/2017 | 08h35Atualizada em 06/05/2017 | 08h35

Adiamento da Festa da Uva serve como reflexão sobre o que se quer para Caxias

Quebra de tradição preocupa organizadores de outros eventos que lamentam desconsideração com "calendário regional"

Adiamento da Festa da Uva serve como reflexão sobre o que se quer para Caxias Porthus Junior/Agencia RBS
Gema Trevisan Dal Cero, conhecida animadora turística diz que o momento é "de luto" Foto: Porthus Junior / Agencia RBS
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Em Caxias, a decisão de adiar a Festa da UVa 2019 não soou agradável para as pessoas que lidam e produzem cultura relacionada à imigração em Caxias do Sul. Enquanto alguns já conseguem olhar para a frente, outros ainda lamentam. Gema Trevisan Dal Cero, conhecida animadora turística diz que o momento é "de luto":

— Aqui, no Ponto de Cultura de Forqueta, tínhamos cerca de cinco excursões que viriam do Paraná no ano que vem para a Festa da Uva. Iriam visitar nossa cooperativa, mas agora não teremos mais nada. Do fundo do meu coração, é como se tirassem a bala da boca de uma criança. Desde 1998, quando comecei a trabalhar com a Festa da Uva, nunca pensei que passaria por isso. A prefeitura não leva em consideração tudo que a festa traz para o povo daqui, como emprego, faturamento para o varejo, além de ajudar a levar a nossa cultura para outros lugares do país. É uma decepção enorme  — critica Gema.

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A presidente da Festa do Vinho Novo de Forqueta, Sandra Bonetto, acredita que o momento servirá para reflexão sobre o que se quer para Caxias._ Se de fato a captação de recursos fosse prejudicar a realização da festa em 2018, talvez adiar tenha sido a melhor opção. O impacto comunitário dessa decisão também não é agradável, mas em Forqueta já aceitamos essa realidade, independente da data em que a festa vai ocorrer  — salienta Sandra.

Quebra de tradição influencia boa parte do calendário regional

Como o próprio nome indica, a Festa Nacional da Uva envolve muito mais do que a comunidade local. Municípios próximos que celebram a cultura italiana e agrícola em festividades paralelas estão entre os mais impactados, justamente por compartilharem aspectos semelhantes e depender de um cronograma tradicionalmente estabelecido.

— Além de toda a tradição, quando se adia um evento, reflete na própria participação das outras cidades. Nós mesmos já tivemos estandes e colaboramos com o desfile cênico da Festa da Uva. Lamentamos, sobretudo, que não tenha sido respeitado o calendário da região. Sequer as administrações foram procuradas. É triste, mas talvez incentive todos nós a repensarmos nossos eventos — destaca a secretária de Turismo, Indústria, Comércio e Serviços de Flores da Cunha, Fátima Ortiz.

Ainda segundo ela, a decisão gera a necessidade de Flores se articular para debater a Festa Nacional da Vindima, prevista para a mesma época da Festa da Uva, em 2019. A periodicidade da Fenavindima, de quatro em quatro anos, buscava justamente evitar a concorrência com a festa caxiense.Para o prefeito de Cotiporã, José Carlos Breda, há um efeito psicológico nos organizadores de outras festividades:

— O impacto é inegável pela grandiosidade que representa a Festa da Uva. E isso também nos mostra como é necessário haver uma definição clara quando queremos alterar algo tão consolidado culturalmente. Tudo bem, pode haver adiamento, mas é preciso pensar no que fazer além disso, ter uma formatação exata do que se pretende fazer, afinal, há muitos entes, autoridades e investidores envolvidos e que se preparam com antecedência.

Apesar de lamentar, o secretário de Turismo e Cultura de Farroupilha, Francis Casari, sugere a possibilidade de patrocinadores migrarem para outros eventos.

— A notícia é ruim porque a Festa da Uva interfere em todo um fluxo turístico da região, mas ainda assim respeitamos a decisão, pois sabemos que são fatores que transcendem a vontade dos gestores. Por outro lado, talvez alguns investidores que aplicam recursos no evento podem nos auxiliar financeiramente nas nossas festas locais.

Manifestação semelhante é a do secretário interino de Turismo e Cultura de Garibaldi, Paulo Salvi:

— Como trabalhamos de forma integrada, nossa região acaba perdendo. Mas entendemos que cada evento tem sua particularidade e necessidade. Não chega a nos interferir diretamente, mas ainda assim é triste isso acontecer, prezamos pela maior quantidade de eventos e diversidade de celebrações possíveis _ salienta.

O subprefeito de Otávio Rocha, Remi Damin, está consternado com o adiamento. Ele conta que muitos produtores do interior de Flores participam da Festuva expondo e comercializando seus produtos:

— É um grande retrocesso. Toda a região perde. Participamos ativamente de todas as edições, com nossos agricultores do 3º distrito e da Linha 60, expondo as uvas, fomos pegos de surpresa. 

 
 
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