Indígenas buscam qualificação profissional e trabalho na Serra - Cidades - Pioneiro

Vida21/04/2017 | 14h19Atualizada em 21/04/2017 | 14h19

Indígenas buscam qualificação profissional e trabalho na Serra

Reportagem mostra inclusão de índios na economia regional

Indígenas buscam qualificação profissional e trabalho na Serra Ângela Salvallaggio/Gaúcha Serra
Foto: Ângela Salvallaggio / Gaúcha Serra
Gaúcha Serra

No bairro São Roque, em Bento Gonçalves, vivem 15 famílias indígenas em um terreno cedido pela prefeitura. Há casas construídas com madeira, mas há também cobertura de lonas. Para os índios, a venda de produtos artesanais continua sendo a principal atividade econômica na aldeia. Em época de safra da uva, alguns trabalham em vinícolas da região. O próprio cacique da aldeia, Nelinho Paulo, atua na agricultura. As informações são da Gaúcha Serra.

— Faz oitos anos que eu trabalho na safra. Todos os anos meu patrão me chama para trabalhar. Então eu ganho um dinheiro a mais — conta.

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Há também muitos índios que saem da reserva em busca de trabalho na indústria. Jonas é funcionário de uma fábrica de embalagens plásticas em Caxias do Sul. Ele saiu de Tenente Portela, no Norte do Estado, para estudar e trabalhar. Vai se formar como técnico de automação residencial em junho e está comprando a casa própria.

— Trabalhar na agricultura não rendia muito. Então, eu foquei em buscar algo melhor, como a indústria e comércio. Porque, onde eu morava, não tinha muito disso — afirma Jonas.

O perfil do trabalhador indígena é elogiado por quem contrata. Cassiana Scain Relosi é gerente administrativa da empresa em que Jonas trabalha.

— Para o nosso trabalho isso é muito importante: ter calma e paciência na máquina para poder fazer as peças — aponta.

A formação escolar também atrai indígenas de outras regiões. Zaine Bento de Freitas saiu de uma reserva no Norte do Estado depois de concluir o Ensino Médio. Na Serra, virou técnica em enfermagem. Nesta semana, voltou para a aldeia de origem para exercer a profissão.

Moradora da aldeia de Farroupilha, Lisiane Ribeiro pretende ser professora.

— Desde pequena eu já aperfeiçoei a língua caingangue. Eu vou começar o magistério indígena nesse ano, mas eu já trabalho na escola da aldeia — conta.

Na aldeia, funciona uma escola com diferentes séries do 1º ao 5º ano, na mesma sala de aula. A coordenadora pedagógica da rede estadual, Ivanete Rocha Miranda, afirma que o acompanhamento da escola precisa ser constante, porque muitas crianças faltam aula.

— É uma escola só, porque só temos uma na região. E temos feito as visitas in loco, porque a gente percebe, que em alguns momentos, as crianças faltam aulas e nós precisamos, no mínimo, 75% de presença — explica.

A professora nomeada pelo Estado para trabalhar na aldeia também é moradora da comunidade. O conteúdo ensinado por Orilde Ribeiro é diferente da escola regular porque destaca a cultura caingangue.

— É um trabalho muito gracioso de estar com as crianças, porque as que nasceram aqui não conhecem a comida típica, as ervas medicinais...

 

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