No Centro Especializado de Saúde, em Caxias, atendimento é parcial devido à greve dos médicos - Cidades - Pioneiro

Saúde pública20/03/2017 | 10h38Atualizada em 20/03/2017 | 11h28

No Centro Especializado de Saúde, em Caxias, atendimento é parcial devido à greve dos médicos

Dos 24 médicos do turno da manhã, 10 compareceram

No Centro Especializado de Saúde, em Caxias, atendimento é parcial devido à greve dos médicos Marcelo Casagrande / Agência RBS/Agência RBS
Atendimento no CES foi parcial. Dos 24 médicos, apenas 10 compareceram Foto: Marcelo Casagrande / Agência RBS / Agência RBS
Maristela Scheuer Deves
Maristela Scheuer Deves

maristela.deves@pioneiro.com

Embora ainda não tenham sido divulgados os números oficiais da paralisação dos médicos em Caxias do Sul, iniciada nesta segunda-feira, o cenário até agora é de atendimento parcial, com algumas Unidades Básicas de Saúde (UBS) atendendo normalmente e outras sem médicos. O cenário se repete no Centro Especializado de Saúde (CES), em que, dos 24 médicos que costumam trabalhar pela manhã, apenas 10 compareceram.

— Estamos ligando para quem tem consulta agendada com os médicos que paralisaram, para que não venham — explica o diretor do CES, Marcos Venício da Silva Carvalho.

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Mesmo assim, nem todos conseguem ser contatados. Moradora do bairro Santa Lúcia, Iraci Colombo, 36 anos, foi até o CES para saber se a consulta do seu pai, Pedro Colombo, 79, agendada com um cardiologista para a tarde desta segunda, estava mantida.

— Não vou tirar ele de casa para nada — explicou ao Pioneiro, pouco antes de descobrir que a consulta terá de ser remarcada, sem previsão de data.

Estavam trabalhando no CES, pela manhã, cinco infectologistas, um cardiologista, um reumatologista, um pneumologista, um oftalmologista e um hematologista pediátrico.

Na UBS Cinquentenário, quem chegava deparava com um cartaz na porta informando que, nesta semana, não haverá consultas com pediatra e ginecologista, devido à paralisação — os atendentes não quiseram informar sobre clínicos gerais, mais em princípio essas consultas estão mantidas.

— Viemos para a primeira consulta da bebê, mandaram ligar noutro dia, pois não sabem quando terá pediatra. Mas as enfermeiras estão fazendo o máximo para ajudar, são super atenciosas, e fizeram o teste do pezinho — contou Scarlat Maria da Rosa da Silva, 21, que procurou a UBS com a filha Auri, seis dias.

Na UBS do Vila Ipê, que atende, além do bairro, também o Cânyon e parte dos bairros Belo Horizonte, Santa Fé, Colina do Sol e Vila Maestra, a paralisação dos médicos é total, e nenhum dos três médicos compareceu pela manhã. O presidente da Associação de Moradores (Amob) do Cânyon, Marciano Correia da Silva, também integrante do Conselho Municipal da Saúde, acompanhou a movimentação desde as 7h, para ajudar a explicar a situação para quem procurava atendimento.


A auxiliar de acabamento Letícia da Cruz, 18, foi uma das que procuraram consulta no local e depararam com o não comparecimento dos médicos. 

— Não tem o que fazer, o jeito é voltar outro dia — conformou-se, lamentando apenas ter de faltar ao trabalho outra vez.

Liderada pelo Sindicato dos Médicos, a categoria prometeu paralisar as atividades a partir desta segunda-feira. A previsão é de que a greve encerre somente na sexta-feira. Ainda há dúvida sobre quantos médicos deixarão de comparecer ao trabalho. Uma estimativa do sindicato é de que ao menos 70% dos 180 profissionais que hoje não batem cartão paralisem os atendimentos. Os demais, cerca de 160, já cumprem a jornada no Pronto-Atendimento 24 Horas (Postão) e na Estratégia Saúde da Família e não devem participar da mobilização.


Os médicos não querem bater cartão-ponto e cumprir a carga horária sem aumento de salário. A Secretaria de Recursos Humanos e Logística tenta apressar a contratação de 22 médicos temporários e a nomeação de oito médicos aprovados em concurso. O prefeito de Caxias do Sul, Daniel Guerra, já anunciou que o município tem condições de chamar outros 70 novos profissionais, se necessário.

Nas unidades básicas do Esplanada e do Desvio Rizzo, o atendimento está normal. No Postão 24 Horas, também, e não houve o esperado aumento da procura (o que pode ter relação com a greve do transporte coletivo).


 

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