Em assembleia, trabalhadores da Visate decidem encerrar a greve às 13h desta terça-feira - Cidades - Pioneiro

Transporte coletivo21/03/2017 | 07h12Atualizada em 21/03/2017 | 14h03

Em assembleia, trabalhadores da Visate decidem encerrar a greve às 13h desta terça-feira

Se a empresa não apresentar nova proposta, nova greve está marcada para a próxima segunda

Em assembleia, trabalhadores da Visate decidem encerrar a greve às 13h desta terça-feira Carolina Klóss / Agência RBS/Agência RBS
Decisão foi tomada em assembleia que começou às 6h, em frente à garagem da empresa Foto: Carolina Klóss / Agência RBS / Agência RBS

Em assembleia com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Caxias do Sul no início da manhã desta terça-feira, os funcionários da Visate decidiram pôr fim à greve dos ônibus, que começou na segunda-feira. A partir das 13h, todas as linhas devem começar a circular, sem restrições.

Na segunda-feira à tarde, representantes do sindicato, Visate e prefeitura se reuniram por mais de quatro horas com o desembargador João Pedro Silvestrin, vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 4ª Região, em Porto Alegre.

Leia mais
Sem proposta de dissídio, greve dos ônibus da Visate segue em Caxias do Sul
Guerra procura empresas para assumir transporte coletivo na cidade
Setor metalmecânico calcula prejuízo de R$ 3,5 mi por falta de ônibus

De acordo com o advogado do sindicato, João Batista Wolff, a reunião na Capital foi um avanço, já que serviu para legalizar a greve. Ele explica que, caso a Visate não apresente nova proposta até segunda-feira, uma nova greve está marcada. Mas, segundo Wolff, a paralisação será em outras condições, diferentes daquelas acordadas a partir de uma liminar concedida na última sexta-feira: nas Estações Principais de Integração (EPIs), em horário de pico (entre 6h30min e 8h30min, e das 17h30min às 19h30min), 100% das linhas circulam; nos demais horários, 50% das linhas. Nas demais linhas, em horário de pico, 50% das linhas circulam; nos demais, 20%. 

Os trabalhadores, durante a assembleia na manhã desta terça-feira, questionaram a falta de segurança durante o trabalho. Tacimer Silva, presidente do sindicato, afirmou que a presença da Brigada Militar foi acordada em ata durante a reunião em Porto Alegre. Mas não está confiante na proteção:

— Eles vão aparecer no primeiro dia, mas e depois? Sabemos que o efetivo não é suficiente e que não terá um brigadiano em cada ônibus.

Os funcionários deixaram a empresa ainda por volta das 7h e devem voltar para a Visate a partir das 13h, quando o trabalho recomeça.

O Ministério Público do Trabalho, como explica o procurador do trabalho Rodrigo Maffei,  abriu um inquérito civil para acompanhar o movimento de greve. Esse processo, segundo ele, está tramitando e não tem prazo para ser concluído. Mas Maffei esclarece que o inquérito não tem relação com a discussão envolvendo o reajuste da tarifa de transporte coletivo, congelada por Daniel Guerra (PRB) no início do ano:

— Nossa função é monitorar e fiscalizar o cumprimento de lei de greve. Nossa atribuição é sobre a legalidade da greve, não entramos na discussão sobre aumento ou diminuição no valor da tarifa.

Nesta terça-feira, cinco vereadores de Caxias, membros da Comissão de Desenvolvimento Urbano, Transporte e Habitação, assinaram um requerimento, solicitado em regime de urgência, que pede que o Poder Legislativo encaminhe documentos ao Tribunal de Contas do Estado e ao Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul. No documento, os vereadores afirmam que o pedido "considera o fato de que o poder legislativo tem como suporte principal as suas ações de fiscalização, o acompanhamento por parte do TCE e MPE dos atos contáveis da administração, bem como de suas ações político-administrativas". Dentre as justificativas para o pedido de envio dos documentos está "intuito preventivo de eventual indenização judicial a ser atribuída ao município por descumprimento de normas contratuais".

Os documentos solicitados pelos vereadores são: cópia do contrato entre o município e a Visate, estudo tarifário executado pelo município em 2016, voto divergente da empresa apresentado para o Conselho Municipal de Trânsito e Transportes, gravação em vídeo da reunião extraordinária da Comissão de Desenvolvimento Urbano, Transporte e Habitação e ofícios encaminhados pelo vice-prefeito à Câmara de Vereadores. O pedido de envio de documentos foi aprovado por unanimidade durante a sessão desta terça. O requerimento é assinado por Elói Frizzo (PSB), Arlindo Bandeira (PP), Denise Pessôa (PT), Edson da Rosa (PMDB) e Gustavo Toigo (PDT).

Na segunda-feira, a prefeitura afirmou que entraria com uma petição para aumentar o valor da multa caso a liminar, que exigia o atendimento de pelo menos 70% do transporte coletivo urbano em horários de pico, fosse descumprida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Caxias. O montante estipulado na semana passada era de R$ 5 mil por dia. Segundo informações repassadas na manhã desta terça pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), o valor da multa não sofreu reajuste e, caso a greve volte a ocorrer na próxima segunda, esse valor voltará a ser cobrado.

 

Veja também

Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros