Ano letivo começou, mas ainda há criança sem escola em Caxias do Sul - Cidades - Pioneiro

Problema06/03/2017 | 08h00Atualizada em 06/03/2017 | 09h23

Ano letivo começou, mas ainda há criança sem escola em Caxias do Sul

Conselho Tutelar convoca pais para identificar o tamanho da fila nas redes estadual e municipal

Ano letivo começou, mas ainda há criança sem escola em Caxias do Sul Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Tharlye Moraes dos Santos, seis anos, morador do bairro Planalto Rio Branco, sonha em ir para escola Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Apesar de o ano letivo já ter começado em todas as escolas de Caxias do Sul, muitas crianças ainda permanecem em casa e, o pior, sem perspectivas de conseguir uma vaga ainda neste mês. De acordo com a prefeitura, na rede municipal, 6.159 mil alunos ainda aguardam na fila da Educação Infantil e das creches. Já no Ensino Fundamental, cerca de 650 crianças não conseguiram vaga no zoneamento onde moram.

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Preocupados com esse déficit e com o atraso que pode prejudicar a educação da gurizada, os conselhos tutelares de Caxias organizaram um chamamento público para reunir todas as famílias que aguardam por uma vaga em escolas municipais e estaduais da cidade na próxima quarta-feira. A ação foi motivada pelo grande número de pais que procuraram a instituição antes e depois do início do ano letivo.

— É a forma que encontramos de centralizar todos os casos para termos a real noção da situação. Recebemos diariamente pedidos de pais aflitos por conta dos filhos estarem perdendo aula. Como são muitos relatos, o chamamento servirá para contabilizarmos a quantidade exata de crianças que estão sem estudar — explica a conselheira tutelar Evandra Pellin.

Escolas estaduais começam ano letivo em obras na Serra Gaúcha

Após reunir toda a demanda escolar, o Conselho espera, ainda no final da quarta-feira, divulgar o número da fila de espera tanto no município, que detém o maior déficit, quanto na rede estadual. Em seguida, o relatório também será encaminhado ao poder judiciário, onde a prefeitura de Caxias e o Governo do Estado serão responsabilizados pela situação. Na primeira semana de fevereiro, os conselheiros já haviam encaminhado uma representação ao Ministério Público (MP), cobrando a garantia de vagas. Porém, o documento foi deferido pelo judiciário, que não determinou qualquer parecer favorável.

Conforme o Ministério Público, há dois processos tramitando no Fórum. Um deles é referente a uma execução coletiva sobre as vagas na Educação Infantil, já o outro pede providências quanto a demanda existente no ensino fundamental. 

— Solicitamos urgência no parecer do judiciário. Também tínhamos cobrado uma definição antes do início das aulas, mas o prazo já estourou e nada foi decidido. Agora, é aguardar — afirma a procuradora Simone Martini.

NÃO ESQUEÇA
Seu filho está fora da escola? Vá ao Conselho Tutelar e informe. Os pais serão recebidos por ordem de chegada.z

 Quando: quarta-feira, a partir das 13h30min
Onde: Rua Os Dezoito do Forte, nº 998, Lourdes (sede do Conselho Tutelar Sul)

Tharlye comprou material, mas fica em casa

Desde pequeno, Tharlye Moraes dos Santos, seis anos, que mora no bairro Planalto Rio Branco, sonha em ir para escola. Ele chegou a frequentar uma escolinha particular, mas por questões financeiras não pode continuar. Na rede pública, Tharlye nunca conseguiu uma vaga. Agora, já que está em idade escolar e precisa iniciar os estudos, o guri enfrenta outro problema: não há vaga para o Ensino Fundamental.

Do portão de casa, ele vê o irmão mais velho se deslocar para a escola e lamenta não poder acompanhar. Os pais chegaram a comprar o material escolar para ele, motivo de muita alegria. Porém, há quase três semanas, desde que as aulas começaram, Tharlye é só questionamentos.

A família até recebeu uma opção de escola com vaga para a idade de Tharlye, mas a instituição fica distante da casa onde mora e o oposto da escola frequentada há três anos pelo irmão.

— É totalmente inviável, pelo fato do deslocamento. Mas, já fomos ao Conselho Tutelar, ao Ministério Público, e me orientaram esperar. Mas esperar o que? Que o ano termine e meu filho não tenha frequentado a escola? — questiona Raissa, que não trabalha, já que precisa ficar em casa com o filho.

 
 
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