Com filho de 13 anos viciado em crack, mãe busca ajuda para mantê-lo longe das drogas, em Caxias - Cidades - Pioneiro

Problema social05/10/2016 | 09h02Atualizada em 05/10/2016 | 09h02

Com filho de 13 anos viciado em crack, mãe busca ajuda para mantê-lo longe das drogas, em Caxias

Mulher de 44 anos procura auxílio há pelo menos oito meses

Com filho de 13 anos viciado em crack, mãe busca ajuda para mantê-lo longe das drogas, em Caxias Diogo Sallaberry/Agencia RBS
A mãe reclama que o tempo de internação, de 15 dias, não é suficiente para afastar o menino do crack Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Há pelo menos oito meses, uma mulher busca ajuda para afastar o filho de 13 anos das drogas. O adolescente é viciado em crack. Já foi internado duas vezes, via município, em um centro especializado em saúde mental, mas recaiu assim que recebeu alta da instituição. A mãe, de 44 anos, reclama que o tempo de internação - ele ficou 15 dias em tratamento nas duas internações - não é suficiente para afastar o menino do crack. É um problema que afeta muitas famílias que não têm condições de pagar por um cuidado maior numa clínica privada.

— No tempo em que ele ficou nesse espaço, ficou bem, tomando remédio. Mas quando volta para casa, tudo volta. Ele encontra os amigos viciados e não consigo segurá-lo em casa, nem levá-lo para continuar o tratamento. Preciso que ele fique mais tempo em uma clínica, no hospital, onde for, para que o corpo dele esqueça daquelas porcarias. Quero que ele volte a ser uma criança normal — desabafa.

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Com o filho em casa e sem tratamento, a mãe também teme pela segurança dela e do menino. Nas duas vezes em que foi internado, o adolescente foi encaminhado por um médico do Postão 24h, que atendeu-o após ser agredido por outros viciados.

— Ele já foi ameaçado inúmeras vezes e quase morreu de tanto apanhar. Na última, disseram que ele arrombou e furtou aparelhos de uma casa e não quis assumir. Vivo com medo porque nunca sei se ele vai voltar para casa. Ele já roubou meus aparelhos eletrônicos e até roupas para sustentar o vício, mas não quero que ele entre de vez no mundo do crime — diz a mãe, moradora do bairro Esplanada.

Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

A mulher afirma que procurou a prefeitura mais de uma vez em busca de ajuda e de um período de internação mais longo para o filho. Mas diz que foi alertada de que não há em Caxias um serviço que trate dependentes químicos por um tempo muito grande. Desesperada, buscou vaga em uma clínica em outra cidade, mas não conseguiu internar o adolescente em função do valor cobrado para o tratamento: R$ 1,5 mil mensais. Ela trabalha como cozinheira e recebe cerca de R$ 2 mil de salário:

— Sei que ele só vai sair dessa quando se ajudar, mas duvido que isso aconteça sem ajuda médica constante. É uma criança, não tem discernimento de saber que precisa ter força para viver por mais tempo.

Tempo de internação depende de indicação médica

Até o ano passado, a Pastoral de Apoio ao Toxicômano Nova Aurora (Patna) mantinha uma comunidade destinada a adolescentes em Caxias. Em função da falta de verba para pagar funcionários, as 16 vagas foram fechadas. Os dependentes ficavam internados de nove meses a um ano. Não há previsão de reabertura do serviço.

O período de internação de dependentes químicos nas instituições ligadas à prefeitura pode variar, de acordo com a diretora da Política de Saúde Mental de Caxias, Vanice Fontanella. Ela explica que 15 dias é o tempo indicado para desintoxicação, mas o médico responsável por encaminhar o viciado é quem define a permanência. Atualmente, o poder público oferece oito vagas para internação de crianças e adolescentes na cidade (seis no Hospital Geral e duas no centro especializado). Mas, se essas vagas estiverem preenchidas e alguém precisar, a Secretaria Municipal da Saúde compra leitos.

— A internação é só uma das etapas do tratamento, que deve continuar após a alta. Não adianta deixar uma pessoa internada por meses se ela não tiver acompanhamento depois. Assim que recebe alta, deve participar das atividades no Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Dependência é doença. É difícil vencer o vício sozinho, então a ajuda da família e dos amigos é fundamental também. A recaída é muito comum, principalmente nos viciados em crack. Cada pessoa precisa ter um plano terapêutico e segui-lo, ou não terá êxito.

Vanice explica que há três tipos de internação: voluntária, involuntária e compulsória. Dependendo do caso, o viciado pode ser encaminhado para uma comunidade terapêutica para permanecer por um tempo maior do que o da desintoxicação. Mas a internação será em outro municípios, pois Caxias não oferece esse serviço. 

— Para isso, é preciso procurar um Caps, que encaminhará o processo em busca de uma vaga. Essa modalidade será indicada conforme o plano terapêutico do dependente — avisa Vanice.

ONDE BUSCAR AJUDA

Centro de Atenção Psicossocial (Caps Reviver)
Endereço: Avenida Circular Pedro Mocelin, 4.683, bairro Cinquentenário Telefones: (54) 3901.1302 e 3901.1217
Horário: 8h às 20h, segunda a sexta

Centro de Atenção à Vida Novo Amanhã
Endereço: Rua Padre Tiago Alberioni, 290, bairro São Ciro
Telefone: (54) 2101.0555
Horário: de segunda a sexta, das 8h às 21h

 
 
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