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Memória04/06/2016 | 06h30Atualizada em 04/06/2016 | 06h30

Antigos vitrais da fachada do Eberle, em Caxias do Sul, são recuperados

Restauração destaca detalhes quase imperceptíveis do térreo, como o deus grego da metalurgia e a famosa piteira, marca registrada da empresa 

Antigos vitrais da fachada do Eberle, em Caxias do Sul, são recuperados Studio Geremia/Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,divulgação
Saída de funcionários da Metalúrgica Abramo Eberle em meados dos anos 1940, na Rua Sinimbu, com os vitrais ao fundo. Foto: Studio Geremia / Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,divulgação

A recuperação da fachada da antiga Metalúrgica Abramo Eberle passa também por dois símbolos arquitetônicos praticamente "invisíveis" do prédio: os vitrais ao lado do antigo portão de entrada e saída dos trabalhadores, pela Rua Sinimbu.

Retirados e restaurados durante um período de quase três meses, eles agora se integram à rápida mudança verificada no térreo, entre as lojas que abrigam uma padaria e uma óptica. O trabalho ficou a cargo dos artistas plásticos e vitralistas Ivanir Ferreira e Sérgio Antônio Spoldari, da empresa Cose Belle, de Caxias do Sul. 

Vitrais localizam-se na entrada que agora dará acesso às lojas do novo centro comercial e de entretenimento. Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS
Vitrais estão protegidos por tela de metal, para proteção contra vandalismo. Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Símbolos da fábrica

Conforme a vitralista Ivanir, os desenhos dialogam com as atividades da fábrica e fazem referências à vizinhança do prédio, como a Praça Dante Alighieri. Na parte superior vê-se a marca registrada da empresa, a famosa piteira (a mesma que decora o telhado, na esquina da Borges com a Os Dezoito do Forte), e as iniciais AEC, de Abramo Eberle e Cia. Também estão reproduzidos personagens da mitologia (entre eles Hefesto, o deus grego do fogo, dos metais e da metalurgia, ou Vulcano, na mitologia romana), suas ferramentas e a figura de um trabalhador. 

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— Boa parte dos vitrais estava danificada, com módulos lascados e com a calha de chumbo (estrutura de fixação) desgastada. Buscamos comparar com imagens antigas para tentar recompor e manter o mais próximo possível do original — destaca Iva, completando que a exposição de décadas na rua e a depredação dos passantes, mesmo com a tela de proteção, também ajudaram a "maltratar" as peças. 

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Na imagem que abre a reportagem, a saída dos funcionários da fábrica, com os dois vitrais ao fundo, em finais dos anos 1940. A foto, uma das únicas em que os exemplares aparecem, integra o acervo do Arquivo Histórico Municipal João Spadari e auxiliou no trabalho de restauração da equipe. 

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Vitrais verticais com a inscrição Metalúrgica Abramo Eberle S/A, que compreendem o espaço desde o quarto andar até a marquise, também serão recuperados. Foto: Maicon Damasceno / Agencia RBS
Vitral destaca detalhes como a piteira, marca registrada da empresa fundada por Abramo Eberle em 1896. Foto: Atelier Belle Cose / divulgação
Boa parte dos vitrais estava danificada, com rachaduras e falhas, conforme a artista plástica e vitralista Iva Ferreira. Foto: Atelier Belle Cose / divulgação

Autoria não confirmada

Durante as pesquisas para a restauração não foi possível certificar a autoria dos vitrais. Conforme a vitralista Ivanir Ferreira, o trabalho, na técnica de sombra em sépia, pode ter sido desenvolvido pelo atelier Irmãos Conrado, de São Paulo, responsável também pelos belíssimos vitrais do palacete de Abramo Eberle, na esquina das ruas Sinimbu e Borges de Medeiros.

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— Eles não têm a riqueza, o colorido e a suntuosidade da peças do palacete (datado de 1939), exatamente por decorarem uma fachada de rua, de uma fábrica, mas são da mesma época. Provavelmente, a empresa paulista foi novamente contratada por já ter feito trabalhos para a família Eberle alguns anos antes — estima Ivanir. 

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Detalhes preservados


Os vitrais verticais com as inscrições Metalúrgica Abramo Eberle, que ladeiam a varanda central a partir do quarto andar até a marquise, também estão em processo de restauração pela Belle Cose. Eles serão mantidos na fachada. A preservação da riqueza arquitetônica do térreo estende-se às antigas portas de madeira decoradas com esculturas em metal, no acesso à Faculdade Ideau, e próximo a Rua Borges de Medeiros.

Vitrais com os escritos Metalúrgica Abramo Eberle, captados do interior do prédio, antes dos trabalhos de recuperação Foto: Daniela Xu / Agencia RBS

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Abaixo, mais registros dos vitrais e detalhes do prédio:

Detalhes dos vitrais destacam ferreiros, deuses da mitologia e até uma representação da Praça Dante Alighieri. Foto: Atelier Belle Cose / divulgação
A marca registrada da empresa Abramo Eberle e Cia. Foto: Atelier Belle Cose / divulgação
Detalhes em metal nas portas da fachada pela Rua Sinimbu também estão preservados. Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS
Detalhes em metal nas portas da fachada pela Rua Sinimbu também estão preservados. Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

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