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Memória14/05/2016 | 06h00Atualizada em 20/06/2016 | 18h58

O centenário da morte de Ana Rech

A imigrante italiana que dá nome ao distrito caxiense faleceu em 16 de maio de 1916

O centenário da morte de Ana Rech acervo de Valter Antonio Suzin/divulgação
O distrito de Ana Rech em 1930. A imagem mostra as tropas de gado passando por uma das ruas. Foto: acervo de Valter Antonio Suzin / divulgação


A morte de Anna Maria Pauletti Rech completa 100 anos nesta segunda-feira. O centenário serve para recordarmos a trajetória da senhora que nomeou um dos mais famosos distritos caxienses, Ana Rech. Ainda hoje os moradores da comunidade guardam traços do trabalho da imigrante.

Ana nasceu no dia 25 de março de 1831, na localidade de Pedavena, província de Belluno, Itália. Em 1877, aos 46 anos, decidiu partir para o Brasil com seus sete filhos (Ângelo, Teresa, Líbera, Giuseppe, Vittore, Maria Giovanna e Giovanni). Chegando à Serra Gaúcha, a imigrante italiana recebeu um lote na região do Travesssão Leopoldina, onde hoje assenta a vila que levou seu nome.

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Quando a família chegou à propriedade, a mata era fechada, inacessível, o que obrigou-os a derrubar o mato para construir a casa. Em frente as suas terras, havia uma pequena estrada, por onde passavam tropeiros com gados e transportes de mercadorias, com destino a outras localidades.

Com a intuição empreendedora, Ana Rech observou a constante circulação de pessoas da região e criou um ponto de comércio e um local de pouso para os tropeiros. O estabelecimento tinha amplos cômodos e estrebarias, e logo se tornou uma parada obrigatória para os viajantes que desfrutavam do comércio e da hospedagem da família Rech.

Encontro da família Goes em Ana Rech

Na imagem abaixo, um registro de Ana em 1912, quatro anos antes de seu falecimento. 

Ana Rech em 1912, quatro anos antes de sua morte.  Foto: acervo de Valter Antonio Suzin / divulgação

Bodas de vinho movimentam Ana Rech

A famosa pousada

Com a pousada e o comércio, a fama de Ana aumentou e independente do local de onde eram os tropeiros, eles utilizavam a mesma expressão: ¿Onde vais pousar?¿, perguntava um. ¿Lá na Ana Rech¿, respondia o outro. E foi assim que o nome da imigrante italiana se tornou designação de uma localidade que existe até hoje.

Religiosa, Ana doou terreno para construção da igreja, do convento, do cemitério e do colégio do distrito. A imigrante faleceu em 16 de maio de 1916, aos 88 anos.

— Ana Rech foi nossa matriarca. Na sua figura devemos nos espelhar, símbolo de empreendedorismo e de coragem — reforça o morador do distrito Marcos Vinicius Saccaro, que busca manter viva a memória da imigrante.

Marcos Saccaro em frente à igreja matriz de Ana Rech Foto: Indiana Nara Saccaro / divulgação

Monumento à Ana Rech

Em 11 de novembro de 1977, a imigrante italiana é homenageada com um monumento de bronze, colocado em frente à igreja matriz do distrito. Esculpida por Bruno Segalla, a estátua foi construída por meio da iniciativa de uma comissão de moradores.

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Comissão que esteve à frente da construção do monumento à Ana Rech Foto: acervo de Valter Antonio Suzin / Divulgação

No registro acima, os integrantes deste grupo em companhia do escultor. Da esquerda para a direita, vemos Ademar João Bacchi, padre José Lorencini, Bruno Segalla, Valter Susin, Camilo Dal Piaz e Ary Albé.

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Durante a inauguração, houve o translado dos restos mortais de Ana Rech do cemitério para o interior da Igreja Matriz Nossa Senhora de Caravaggio.

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Mais um registro da inauguração do monumento. Foto: Mauro De Blanco / Arquivo Municipal João Spadari Adami

Informações desta coluna são uma colaboração de Marcos Vinicius Saccaro e Valter Antonio Suzin.

 
 
 

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