Festival da Uva e do Vinho agita o Rio de Janeiro em 1968 - Cidades - Pioneiro

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Memória04/05/2016 | 06h04Atualizada em 04/05/2016 | 14h07

Festival da Uva e do Vinho agita o Rio de Janeiro em 1968

Evento que buscava divulgar a uva o vinho produzidos na Serra Gaúcha levou dezenas de representantes de Caxias e região à Sociedade Hípica Brasileira, na Lagoa Rodrigo de Freitas

Festival da Uva e do Vinho agita o Rio de Janeiro em 1968 Acervo pessoal de José Zugno/divulgação
Grupo de rainhas e princesas da Serra durante o Festival da Uva e do Vinho no então Estado da Guanabara (Rio de Janeiro), em fevereiro de 1968. Entre elas, Neda Sachet (terceira a partir da esquerda) e Leda Albé Corso (de vestido azul), representando as feiras agropecuárias realizadas em Ana Rech  Foto: Acervo pessoal de José Zugno / divulgação

As tradições ítalo-gaúchas deram um clima ¿diferente¿ ao Carnaval de 1968, no Rio de Janeiro. Foi quando a Sociedade Hípica Brasileira, junto à Lagoa Rodrigo de Freitas, sediou o I Festival da Uva e do Vinho.

Organizado pela Secretaria de Agricultura e Economia do Rio Grande do Sul, com apoio da Diretoria de Fomento Agrícola e Assistência Rural da prefeitura de Caxias, o evento buscava "despertar a atenção dos cariocas para a qualidade do vinho fabricado no Brasil", segundo registros do jornal O Globo. 

E impressionava pela estrutura: 30 barracas para comercialização de 150 toneladas de uva e 150 mil litros de vinho, com destaque para uma enorme churrasqueira destinada ao preparo do típico churrasco de cordeiro-mamão.

Apresentações dos integrantes do Rincão da Lealdade integraram a programação Foto: Acervo pessoal de José Zugno / divulgação
Registro da chegada dos caminhões com uva e vinho ao Rio de Janeiro Foto: Acervo pessoal de José Zugno / divulgação

Além do governador do RS, Valter Perachi de Barcelos, integraram a comitiva sulista o secretário de Agricultura, Leonardo Machado, e diversos representantes da Serra. Entre eles o engenheiro agrônomo José Zugno, titular da Diretoria de Fomento Agrícola, representando o prefeito de Caxias Hermes Weber; a rainha da Festa da Uva de 1965, Silvia Celli; e diversas soberanas de festas e feiras agropecuárias realizadas no distrito de Ana Rech e nas cidades de Flores da Cunha e Bento Gonçalves.

Entre elas, Sandra Guerra, imperatriz do vinho na Fenavinho de 1967; Marisa Bigarella, rainha da Fenavindima; e as jovens Leda Albé e Neda Sachet, respectivamente rainhas da 2ª e 3ª Feira Agropecuária de Ana Rech, ocorridas em 1966 e 1968 – e as princesas Josefina Andeglieri e Marlene Lucena (1966) e Renê Mendes e Dulce Elisa Corso (1968).

Elas também participaram da recepção nos jardins da Hípica, quando foram servidos salsichão com farinha de mandioca, churrasco, arroz de carreteiro e uvas produzidas em várias cidades da Serra. 

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Prefeito de Caxias Hermes Weber (ao microfone) discursa durante a 2ª Feira Agropecuária de Ana Rech, realizada em 1966. À direita, a rainha leda Albé Corso e as princesas Josefina Andeglieri e Marlene Lucena, que também participaram do Festival da Uva e do Vinho em 1968, no Rio de Janeiro.  Foto: Acervo pessoal de José Zugno / divulgação
Januário Bula entoa a canção "Poleta, Formaggio e Vin" durante uma apresentação musical no banquete de abertura do festival, em fevereiro de 1968. À esquerda, Leda Albé Corso (de perfil) e Neda Sachet, ambas rainhas das feiras agropecuárias de Ana Rech em 1966 e 1968 Foto: Acervo pessoal de José Zugno / divulgação
Integrantes do CTG Rincão da Lealdade durante o banquete de abertura do festival. À esquerda, o patrão do CTG Clóvis Pradel Pinheiro (de óculos). Foto: Acervo pessoal de José Zugno / divulgação

O Rincão da Lealdade

A programação do festival teve diversos momentos emblemáticos. Entre eles, um banquete "de 350 talheres" em homenagem ao presidente Costa e Silva; uma missa crioula celebrada pelo bispo Dom Benedito Zorzi, acompanhado pelo padre Alberto Lamonato; e uma série de apresentações dos integrantes do Rincão da Lealdade (foto acima).

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Durante o jantar – e atendendo a um pedido de Costa e Silva –, o patrão Clovis Pradel Pinheiro e os músicos do CTG apresentaram canções típicas, como Noite do Sul, Gauchinha Bem Querer e Polenta, Formaggio e Vin, esta última entoada por seu autor, Januário Bula (foto acima).

Outra atração do banquete foi o maestro e acordeonista italiano Eleonardo Caffi, que musicou a letra do hino de Caxias do Sul. Caffi executou uma variação de peças brasileiras, como Cidade Maravilhosa, Tico-Tico no Fubá e O Guarani, de Carlos Gomes.

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A rainha da Festa da Uva de 1965, Silvia Celli, e integrantes do CTG Rincão da Lealdade no momento em que o senhor Luciano Machado, secretário da Agricultura do RS e idealizador do Festival da Uva e do Vinho, acende a vela simbólica para o início da missa crioula, oficiada pelo bispo Dom Benedito Zorzi, junto com o padre Alberto Lamonato (de perfil, ao fundo).  Foto: Acervo pessoal de José Zugno / divulgação
Registro da missa crioula rezada pelo bispo Dom Benedito Zorzi (C), com o auxílio do padre Alberto Lamonato. O cálice em forma de cuia de chimarrão foi levado ao Rio de Janeiro pelo governador Perachi Barcelos. Foto: Acervo pessoal de José Zugno / divulgação

Churrasco de cordeiro-mamão

Dois caminhões frigoríficos levaram ao Rio de Janeiro cerca de 15 toneladas de cordeiro-mamão para servir ao público do Festival da Uva e do Vinho. Conforme reportagens da época, o churrasco custava 8 cruzeiros novos, "dando direito a receber uma bandeja, uma faca e um garfo como brindes, com os dizeres do Festival, 700g de carne de cordeiro, arroz carreteiro ou feijão mexido, um copo de vinho e um cacho de uva".

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Caminhões que levaram as uvas, vinhos e a carne para o churrasco servidos durante o Festival da Uva e do Vinho, no momento da chegada ao Rio de Janeiro. Foto: Acervo pessoal de José Zugno / divulgação

O ingresso

Pagando 5 cruzeiros novos para adentrar na Hípica, o público tinha direito a uma embalagem plástica com garrafas de vinho e suco de uva - um dos atrativos do festival, visto que o preço desses produtos no Rio era duas vezes superior ao valor do ingresso. 

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O jardineiro do antigo horto municipal

Parceria

Informações e fotos desta coluna são uma colaboração do leitor Ricardo Zugno, a partir do vasto acervo de slides, fotos e recortes de jornal preservado pelo pai, o engenheiro agrônomo José Zugno (1924-2008).

Zugno, inclusive, foi o correspondente oficial e responsável pelo texto com a cobertura do evento, publicado pelo Pioneiro em 24 de fevereiro de 1968 (foto abaixo).

José Zugno e os primórdios da Feira do Agricultor em 1979

Matéria do Pioneiro de 24 de fevereiro de 1968 destacou o êxito do festival, a partir do relato do engenheiro agrônomo José Zugno. Foto: Centro de Memória da Câmara de Vereadores de Caxias
 
 
 

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