Nos 140 anos de São Romédio, moradores da primeira comunidade de Caxias compartilham memórias - Cidades - Pioneiro

Versão mobile

 

Imigração 18/03/2016 | 09h01

Nos 140 anos de São Romédio, moradores da primeira comunidade de Caxias compartilham memórias

Localidade celebra aniversário neste fim de semana, com atividades religiosas

Nos 140 anos de São Romédio, moradores da primeira comunidade de Caxias compartilham memórias Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Vasco Fedrizzi, 88 anos, foi um dos primeiros presidentes da Sociedade Igreja de São Romédio Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

A comunidade que viu Caxias do Sul crescer e se desenvolver ao redor de si está em festa. São 140 anos da chegada dos primeiros imigrantes à localidade de São Romédio, primeiro núcleo social da cidade e berço de famílias que não perdem o vínculo com o pedaço de solo italiano que resiste à modernização da área central, em pleno bairro Panazzolo.

Para conhecer a história de São Romédio, basta um dedo de prosa com qualquer um de seus septua, octa ou nonagenários moradores. São a memória viva de antepassados que com as próprias mãos ergueram moinhos, fábricas, cantinas e centros religiosos.

São Romédio, talian e as origens de Caxias do Sul

Vasco Fedrizzi, 88 anos, é fonte inesgotável das muitas histórias da formação de São Romédio. É dos poucos a saber, por exemplo, que a pedra fundamental da igreja, inaugurada em 1933 patrimônio histórico do Estado desde 2006, tem em seu interior uma garrafa com uma mensagem enrolada, onde constam os nomes da diretoria da Sociedade Igreja de São Romédio da época e do padre Orestes Valletta, que rezou a primeira missa. Vasco, ainda menino, espiou a garrafa ser depositada e depois concretada.

Na época, a sociedade era presidida por seu pai, Antonio Fedrizzi. O próprio Vasco também esteve à frente nos anos 50, e lembra com orgulho do esforço que liderou para a comunidade adquirir o terreno que hoje é a parte verde da Praça do Imigrante, área que compreende a igreja e seu entorno. 

— Quando soubemos que o terreno iria à venda, na mesma noite eu e meu irmão saímos de Fusca para negociar com a dona. O preço era 140 mil contos de réis, e a comunidade se uniu para comprar, fazendo rifas, almoços, festas — conta.

Mais antigas ainda são as memórias que Vasco guarda da segunda das três igrejas que São Romédio já teve, e que deu lugar a atual. Não apenas foi onde ele e a criançada aprenderam valores religiosos, mas também onde costumavam brincar. Era um tempo em que a infância se dava toda no seio da comunidade:

— Eu e meus amigos gostávamos de correr entre os bancos da igreja, se esconder atrás do altar. Porque não tinha isso de ir para a praça ou qualquer outro lugar. A nossa vida era brincar, estudar e ajudar os pais no trabalho, tudo em São Romédio.

Lembranças de São Romédio da Quinta Légua



Uma casa rodeada por memórias

Em uma das diversas ruas que levam o nome de personagens históricos de São Romédio, a aposentada Mafalda Tessari, 81 anos, mora em meio à lembranças da infância vivida entre algumas das primeiras famílias de Caxias. Caminhando pelo pátio, aponta para onde ficavam os parreiras da família, os moinhos e a escola onde veio ao mundo.

Ela nasceu na própria escola da comunidade, à época que a mãe era professora e a família morava na casa de madeira, que tinha uma única sala de aula.
Quando Mafalda tinha poucos anos de vida, a família mudou para outro bairro, mas a mãe continuou a dar aula em São Romédio, muito graças à solidariedade dos agricultores que se revezavam para cuidar da menina.

– Às vezes passava um mês na casa dos Pedron, um mês na casa dos Fedrizzi...lembro de andar muito de carreta pelas colônias e de ir até uma fonte que tinha bem pertinho da igreja –  recorda.

Alvis Santos Fiedler e a atuação em São Romédio

Livro sobre o avô

As lembranças mais vívidas de Mafalda são do personagem que marcou seus primeiros anos de vida, a ponto de ter dedicado a ele um livreto de poucos exemplares, quase artesanal. Trata-se do avô Giuseppe Tessari, um dos primeiros imigrantes italianos a se estabelecer em São Romédio, por volta de 1880. Além de reconhecido pedreiro, era também um talentoso comediante.

— Meu avô era muito engraçado. Fazia shows de marionetes, peças de teatro, sempre em dialeto. Por isso que escrevi Histórias de Giuseppe na língua dele, porque em português perderia a graça — conta a neta, que conviveu com o avô até 1956, ano em que o avô faleceu.

A arte de Giuseppe foi seguida também pelas gerações posteriores dos Tessari. Uma irmã de Mafalda, Eliana, chegou a interpretar o próprio avô em uma peça contracenada com o histórico ator caxiense Pedro Parenti.

Rumo aos 140 anos de São Romédio

Celebrações

— Neste sábado, às 18h30min, missa com procissão do padroeiro no entorno da sede da sociedade
— No domingo, às 10h45min, terá missa campal festiva, ao lado da igreja, e ao meio-dia almoço. A celebração contará com a presença do bispo Dom Alessandro Ruffinoni.

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros