Memória: os primórdios do basquete em Caxias do Sul - Cidades - Pioneiro

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História02/03/2016 | 06h06

Memória: os primórdios do basquete em Caxias do Sul

Grêmio Atlético Eberle surgiu por iniciativa de um grupo de colegas do Colégio Nossa Senhora do Carmo nos anos 1940

Memória: os primórdios do basquete em Caxias do Sul Studio Geremia/acervo de Armi Pisani Picolli,divulgação
Registro da quadra do Grêmio Atlético Eberle na Avenida Júlio de Castilhos durante a partida entre a equipe caxiense e o Sogipa (Porto Alegre) Foto: Studio Geremia / acervo de Armi Pisani Picolli,divulgação

No momento em que o basquete caxiense ganha visibilidade nacional com a participação no Novo Basquete Brasil (NBB), retomamos a história de uma das primeiras equipes formadas na cidade, o Grêmio Atlético Eberle.

A trajetória do time começou em meados da década de 1940, por iniciativa de um grupo de colegas do Colégio Nossa Senhora do Carmo. Entre os pioneiros estavam os jogadores Lauro Augusto Picolli, Valdir Pisani, Jaime De Carli e Carlos Picolli.

Como os recursos eram poucos, os jovens buscaram o apoio da Metalúrgica Abramo Eberle – em troca, batizaram o time com o nome do patrocinador. Com a equipe formada e o auxílio garantido, os atletas iniciaram os treinos. O local escolhido foi um terreno baldio na Avenida Júlio de Castilhos, próximo à esquina com a Rua Alfredo Chaves.

Equipes do Grêmio Atlético Eberle em 1946.

Por volta de 1949, o Grêmio Atlético Eberle iniciou sua trajetória no campeonato estadual, já com a responsabilidade de ser o único representante de Caxias na competição. Os jogos ocorriam em cidades como Santana do Livramento, Santa Maria, Rio Grande e Porto Alegre – como não era comum o aluguel de ônibus, o deslocamento costumava ser feito nos carros particulares dos atletas.

Um dos episódios mais curiosos ocorreu durante uma das viagens para Rio Grande, segundo o relato da senhora Armi Pisani Picolli, viúva de Lauro Picolli (1927-2006). Ao se aproximar da cidade, o grupo encontrou um médico com problemas no carro, parado na estrada. Piccoli foi ajudar no conserto e acabou queimando o braço esquerdo em uma explosão, enquanto mexia no motor.

A solidariedade do rapaz acabou desfalcando o time – ele ficou internado durante uma semana no hospital, intrigando os ouvintes da Rádio Guaíba, que transmitia os jogos. Conforme as lembranças da família, o público escutava que a equipe caxiense estava sempre perdendo, e o nome de Picolli nunca era citado.

Dona Armi só ficou sabendo do ocorrido quando o marido chegou em casa com uma atadura no braço – e o time, com uma sequência de derrotas.

Confira outras publicações da coluna Memória.


Partida de basquete entre o Grêmio Atlético Eberle e alunos do Colégio Nossa Senhora do Carmo. Agachados estão nomes como Jaime De Carli (terceiro a partir da esquerda) e Lauro Picolli (quarto a partir da esquerda). Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami/ divulgação


Grêmio Atlético Eberle em Passo Fundo. Da esquerda para a direita, estão Carlos Picolli, Darcy May e Jaime de Carli. Agachados: Valdir Pisani e Lauro Picolli. (Foto: Studio Avenida/ acervo de Armi Pisani Picolli, divulgação)

A escalação

O Grêmio Atlético Eberle era formado por 13 jogadores: Lauro Augusto Picolli, Valdir Pisani, Jaime De Carli, Carlos Picolli, Darci May, Plínio Bertoletti, Lídio Panerai, Nilo Onzi e Vasco Dani. Também integravam a equipe Airton Grossi, Wilson Camargo, Darci Merlotti e o Sargento Rodrigues.

A equipe era treinada pelo jogador do Cruzeiro Leonardo Viafore, que vinha de Porto Alegre para orientar os caxienses.

Presidido pelo senhor Armindo May, o time seguiu na ativa até meados de 1952.

Esporte Clube Floriano em 1956.

Juventus: os 60 anos do tricampeonato varzeano em 1954.


Equipe do Grêmio Atlético Eberle em Porto Alegre, em 1944. Após o registro, os jogadores enfrentaram o time Sogipa.(Foto: acervo de Armi Pisani Picolli/ divulgação)

A estrutura

Os jogos de basquete do Grêmio Atlético Eberle costumavam reunir aproximadamente 200 pessoas, número bastante expressivo para a época.

Logo que o time foi formado, a quadra era bastante precária: o piso de chão batido era forrado com pó de tijolo para evitar que os jogadores se machucassem.

Durante as partidas, alguns torcedores mais corajosos subiam em um muro e dividiam espaço com chuchuzeiros para prestigiar o time. Somente por volta de 1945 o espaço foi reformado, ganhando iluminação, piso de cimento e arquibancadas.

A inauguração da nova quadra foi marcada por uma partida contra o Corinthians, de Santa Maria.

* Com a colaboração de Alana Fernandes

 
 
 

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