Memória: Jandira Michelon e os 30 anos de atuação no varejo do Eberle - Cidades - Pioneiro

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História31/03/2016 | 06h02

Memória: Jandira Michelon e os 30 anos de atuação no varejo do Eberle

Ex-funcionária de 77 anos trabalhou na lendária loja do Centro entre 1953 e 1982, fidelizando gerações e gerações de consumidores

Memória: Jandira Michelon e os 30 anos de atuação no varejo do Eberle Acervo pessoal/divulgação
O auge do varejo: Jandira Michelon (à esquerda), Nair Rosa (ao centro) e uma colega não identificada demonstrando as lendárias facas de gaúcho do Eberle no início dos anos 1960. Foto: Acervo pessoal / divulgação




Quem passou pelo varejo do Eberle entre 1953 e 1982 muito provavelmente foi atendido por ela. Falamos de dona Jandira Michelon, 77 anos, a funcionária mais longeva do estabelecimento que marcou época no térreo da metalúrgica, na Rua Sinimbu. Agora que o espaço passa por uma ampla revitalização e vem sendo novamente ocupado, recordar da trajetória dela - e do próprio varejo - serve para conhecermos um pouco mais de um ícone do comércio caxiense.

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Miss Brasil Terezinha Morango visita o varejo do Eberle em 1958

A jovem Jandira Affonso começou no Eberle em 1952, aos 14 anos, no setor de contabilidade. Porém, a rotina entre papeis e arquivos não durou muito. Poucos meses depois, atendendo a um pedido do gerente Enio Arioli, que necessitava de mais uma funcionária, ela migrou para o varejo.

A partir daí, o dia a dia na loja não se resumiria apenas a atender e demonstrar produtos como faqueiros, baixelas, jarras e adornos em metal. Visitas a clientes e esposas de diretores, confraternizações de final de ano, recepções a misses (Martha Rocha, Terezinha Morango) e presidentes da República durante a Festa da Uva (Getúlio Vargas, Jânio Quadros, Castelo Branco, Geisel, Médici), concursos de vitrines, cursos de vendas e o constante aperfeiçoamento da equipe eram atividades frequentes.

- Fazíamos até cursos para oferecer aos clientes os melhores e mais bonitos pacotes de presente, com fitas e flores. Acho que tinha muita gente que comprava no varejo só pelo pacote - ri.

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Matha Rocha, Miss Brasil 1954, visita o varejo do Eberle em 1955


Jandira Michelon (terceira a partir da esquerda) e um grupo de funcionários da loja em meados da década de 1960. Foto: acervo pessoal, divulgação


Dona Jandira (primeira à esquerda, em pé) e um grupo de colegas do varejo durante uma confraternização de final de ano. Ao centro, o gerente Enio Arioli e a esposa Ada. Foto: acervo pessoal, divulgação


O grupo de funcionárias do varejo durante a visita da Miss Brasília Magda Pfrimer em 1961, na Festa da Uva. Jandira Michelon é a primeira à esquerda. Foto: acervo pessoal, divulgação

Miss Brasília e um aniversário na Festa da Uva de 1961


A saída do varejo

Com o nascimento do filho caçula, Renan, em 1981, Jandira teve de abandonar o ofício. Mas não sem forte resistência da empresa em perdê-la.

- Lembro que o diretor Júlio Eberle disse: Não quero que tu saias, não faremos acerto - recorda.

Dona Jandira e as dezenas de mulheres que passaram pelo varejo a partir dos anos 1950 também acompanharam uma mudança verificada no período pós-guerra: a crescente presença feminina nas empresas e estabelecimentos comerciais e a sua importância fundamental para a consolidação dos mesmos.

- A verdadeira prata do varejo do Eberle eram as pessoas. Elas deram a vida e fizeram a história da casa, que foi, por muitos anos, o cartão de visitas de Caxias do Sul - recordou o leitor Américo Ribeiro Mendes Netto, que também trabalhou na metalúrgica.

Na imagem abaixo, dona Jandira e um grupo de colegas do varejo por volta de 1968. Da esquerda para a direita estão Veranice Roggia, Carmem Inez Dalagnol, Ivania Facchin, Jandira Michelon, Neusa Rossatto, Maria Conceição Azevedo, Marilise Maggi, Volma Zatta, Angela Susin, Rosa Maria Martiningui, Rosemari Sachet, Geni e Carmem Mincatto.

Varejo do Eberle na Festa da Uva de 1969


Jandira Michelon (a quarta a partir da esquerda), Volma Zatta (de lenço branco na cabeça) e as colegas defronte à vitrine do varejo por volta de 1968. Foto: acervo pessoal, divulgação


O grupo de funcionárias do varejo por volta de 1968. Foto: acervo pessoal, divulgação


O gerente do varejo, Enio Arioli (terceiro à direita, com o filho Alexandre Arioli), Jandira Michelon (primeira à direita, em pé) e um grupo de funcionários no estande do Eberle em uma Festa da Uva dos anos 1960. Foto: acervo pessoal, divulgação

Um bebê na vitrine

Desde o início dos anos 1940, dona Jandira mora na casa construída pelo pai, Alcides Ernesto Affonso, na Rua Almirante Tamandaré, 185, bairro Panazzolo. Era de lá que costumava ir a pé até o Eberle, atravessando boa parte da cidade ainda tomada por ruas sem calçamento e terrenos baldios.

Na propriedade da família também nasceram os filhos Ernandes (in memoriam) e Renan, frutos de sua união com Renato Michelon, em 1962. Ernandes, aliás, foi o protagonista de uma das tantas vitrines que fizeram a fama do varejo. Em outubro de 1964, o então bebê de 10 meses foi o escolhido para a decoração do Dia da Criança, organizada pelo gerente Enio Arioli. 

- Lembro que precisavam de um bebê para a sessão de fotos, e eu tinha um pequeno. Vieram buscar ele em casa, e o fotógrafo Lidio Provin começou a fazer as imagens aqui mesmo. O menino chorava muito, pois estava dormindo e foi acordado, mas no fim deu tudo certo.

Tão certo que o pôster com a imagem do garoto decora a sala de dona Jandira até hoje:

- Depois que a data passou, a foto gigante ficou um tempo no depósito da loja, até eu pedir se eles me davam. Trouxe pra casa, e o quadro nunca mais saiu daqui...


Dona Jandira e o quadro do filho Ernandes, que decorou a vitrine do varejo em outubro de 1964. Foto: Renan Michelon, divulgação


Acervo de dona Jandira inclui dezenas de fotos e objetos do varejo, como o relógio de prata recebido pelos 25 anos de atuação na empresa. Foto: Rodrigo Lopes, Agência RBS


Dezenas de fotos trazem lembranças das décadas de 1950, 1960 e 1970, quando dona Jandira atuou no varejo. Foto: Rodrigo Lopes, Agência RBS

A Casa da Prata

Dona Jandira também acompanhou o período em que o nome do varejo mudou para Casa da Prata, em meados dos anos 1970.

Foi em outubro de 1978, aliás, que ela recebeu uma placa de bronze alusiva ao jubileu de prata na empresa - guardada em casa até hoje, assim como dezenas de outras fotos e lembranças do varejo.

Varejo do Eberle e outros tempos do Centro

Dona Jandira por volta de 1978, quando celebrou o jubileu de prata no varejo. Foto: acervo pessoal, divulgação



Jubileu de prata: a placa alusiva aos 25 anos de trabalho no varejo do Eberle, recebida por dona Jandira em 1978. Foto: Rodrigo Lopes


Homenagem recebida em 1978, pelos 25 anos de atuação na empresa. Foto: Rodrigo Lopes, Agência RBS




O cartão personalizado de dona Jandira, uma das tantas lembranças da época do varejo. Foto: acervo pessoal, divulgação


A lendária fachada do varejo do Eberle em meados dos anos 1960, com uma Rua Sinimbu ainda de mão dupla. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Parceria

Parte das informações e fotos desta coluna são uma colaboração dos leitores Renan Michelon, Volma Zatta e Bibiana Ribeiro Mendes, além do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

 
 
 

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