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Festa da Uva01/03/2016 | 06h05

Memória: Flores da Cunha, um desfile e dois galos

Carros alegóricos foram destaque no corso da Festa da Uva de 1972 pela Rua Sinimbu

Memória: Flores da Cunha, um desfile e dois galos Hildo Boff/Acervo pessoal de Ricardo Boff,divulgação
O carro, adornado por um galo de penas naturais medindo três metros de altura, evidenciava a Fenavindima, cuja segunda edição seria realizada em 1973. Foto: Hildo Boff / Acervo pessoal de Ricardo Boff,divulgação

Já vai longe o tempo em que a história do galo de Flores da Cunha deixou de ser motivo de gozação ou vergonha. Na longínqua Festa da Uva de 1972, por exemplo, dois carros alegóricos enalteciam a figura do animal e a cidade, já consagrada como a Terra do Galo.

O primeiro veículo, adornado por um galo de penas naturais medindo três metros de altura, evidenciava a Fenavindima, cuja segunda edição seria realizada em 1973 . O segundo reproduzia o tradicional Galo de Barcelos e destacava a empresa E. Kunz, do visionário industrialista Eloy Kunz. O empresário é apontado como o maior responsável por transformar um episódio trágicômico em um mega atrativo turístico.

A história (ou lenda) remonta à década de 1920, quando um mágico surgiu na pequena vila de Nova Trento. Com a promessa de cortar a cabeça de um galo e depois fazê-lo cantar novamente, o charlatão teria deixado a plateia esperando pelo final do truque e fugido com o dinheiro da bilheteria.

Verdade ou mentira, com inúmeras controvérsias e versões, o incidente começou a ser visto com outros olhos em meados dos anos 1950.Foi quando chegou à cidade o "forasteiro" Eloy, que valeu-se da figura do animal para criar uma linha de bebidas que marcaria época.

Despontavam, a partir de 1959, clássicos como o whisky Cockland (Terra do Galo), seguido por outros destilados do gênero, como o Redcock (Galo Vermelho) e o aperitivo Sang'Galo. Rapidamente, as garrafas (e os galos) começaram a circular por eventos e feiras pelo país, colocando Flores em um roteiro turístico que atingiria seu auge em 1973.

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O segundo carro do corso de 1972 reproduzia o tradicional Galo de Barcelos e destacava a empresa E. Kunz, do visionário industrialista Eloy Kunz. (Foto: Hildo Boff/Acervo pessoal de Ricardo Boff, divulgação)

A Pousada do Galo Vermelho

Visionário e de olho no potencial turístico da região, Eloy Kunz inaugurou, ainda no final dos anos 1960, a Whiskeria. Mas foi com a estreia da Pousada do Galo Vermelho, em plena Fenavindima de 1973, que o turismo de Flores "extrapolou" nacionalmente.

Totalmente de vanguarda, o empreendimento hoteleiro surgia com apartamentos e chalés munidos de telefone, calefação, lareira e geladeira, serviço de bar, piscinas, galpão crioulo, quadra de tênis, restaurante, boate e sala de convenções, tudo em meio a uma ampla área verde.

Não por acaso, passou a ser roteiro de lua de mel de centenas de casais e destino de artistas e empresários de todo país - entre tantas personalidades, a mais famosa filha de Flores, a atriz Maria Della Costa.

Fechado no início dos anos 1980 - e posteriormente vendido para a fábrica de móveis Florense -, o local encontra-se desativado desde então.

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O empresário Eloy Kunz

Natural de Novo Hamburgo, Eloy Kunz nasceu em 1927, passando parte da infância entre Gramado e Nova Petrópolis. Após constituir sua primeira indústria em Canoas, Kunz mudou-se para Caxias do Sul, onde atuou na antiga Fábrica de Bebidas Marumbi.

Na chegada a Flores da Cunha, em 1954, uniu-se ao empresário Ernesto Caetano Muraro, com quem fundou a empresa Kunz Muraro e Cia Ltda. Sociedade desfeita, inaugurou em 1959  o empreendimento próprio, a E. Kunz & Cia.

Descendente de alemães e italianos, luterano, poliglota (falava seis idiomas), Kunz teve de enfrentar embates com a população local, que nem sempre compreendia sua visão empreendedora.

Algo verificado também por outro ícone do turismo regional: o empresário Tarcísio Michelon, responsável por fomentar o turismo de Bento Gonçalves a partir dos anos 1990.

Tarcísio Michelon e os desafios do turismo na Serra.

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O parque que recebe eventos como a Fenavindima leva o nome do visionário Eloy Kunz.(Foto: Roni Rigon/ Agência RBS)

Legado

Eloy Kunz faleceu em 1990, aos 63 anos, mas sua marca não ficou restrita ao turismo: juntamente com Felix Slaviero, criou o Coral Nova Trento, em 1972, e foi um dos idealizadores da Vindima da Canção Popular, cuja primeira edição ocorreu em 1975.

O whisky Cockland e o aperitivo Sang'Galo continuam sendo produzidos, agora pela empresa de bebidas Fante.

Confira outras publicações da coluna Memória.

Em livro

Do galo da vergonha ao galo da prosperidade, obra da historiadora florense Carla Maris Saretta, publicado em 2013 através do Projeto Memória Histórica e Cultural de Flores da Cunha, faz um apanhado geral da história, fatos e feitos que deram a Flores da Cunha o codinome Terra do Galo.

1972: o último ano do Pavilhão da Rua Alfredo Chaves

A cores

Em 1972, o colorido exuberante dos galos de Flores da Cunha foi valorizado, inclusive, pela primeira transmissão "a côres" da televisão brasileira.

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