Memória: a morte como ela era... - Cidades - Pioneiro

Vers?o mobile

 
 

História10/03/2016 | 06h04

Memória: a morte como ela era...

Fotografar rituais de despedida de entes queridos era uma tradição nas famílias das colônias alemãs e italianas nos primórdios da imigração

Memória: a morte como ela era... Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami/divulgação
Cortejo fúnebre de Bortolo Mascarello em 1951 no Travessão 7 de Setembro, Flores da Cunha Foto: Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami / divulgação

Uma coisa que fica cada vez mais clara na sociedade contemporânea é a abreviação, quando não o banimento, dos ritos fúnebres. Na era da velocidade, a permanência é negligenciada. E, ao contrário de antigamente, sob o razoável argumento de preservá-las, agora também pouco vê-se crianças em velórios ou enterros.

Há quem discorde e até associe o atual crescimento da desvalorização da vida a essa ausência ou indiferença dos jovens nas liturgias da morte - que são, enfim, atos importantes como marco e consciência da inexorável finitude.

Outro costume que caiu em desuso - atualmente chega a ser considerado de mau gosto - é o antigo hábito de distribuir a parentes e amigos, na missa de sétimo dia, lembrancinhas do morto em agradecimento à presença nos funerais.

Lembranças do intendente Vicente Rovea

Porém, volta e meia todos esses rituais são recordados. Em 2007, o historiador e professor Miguel Augusto Pinto Soares fez uma relevante pesquisa sobre o tema em sua dissertação de mestrado Representações da Morte: Fotografia e Memória.

Funeral de Abramo Eberle em 1945


Crianças acompanham o funeral de Maria Fetten Toldo em 1900, em Caxias. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação


O velório do revolucionário Quintino Biazus em 17 de outubro de 1923, na antiga localidade de Nova Trento, atual Flores da Cunha. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação.


O enterro de José Scussiato em 28 de abril de 1935. O cortejo seguiu pela Av. Rio Branco em direção à Forqueta, onde foi enterrado e onde moravam seus familiares. Foto: Lauro Schmitt/ Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação

Retratos mortuários

Coletando diversos retratos mortuários, feitos no Rio Grande do Sul entre 1890 e 1963, Soares resgatou o comportamento das famílias, principalmente nas colônias italianas e alemãs, que fotografavam seus mortos ao lado dos entes queridos. Essa imagens eram penduradas nas paredes da sala ou colocadas em porta-retratos nas cristaleiras.

O que hoje pode parecer insuportável morbidez era, na verdade, uma reverência ao falecido, uma tentativa de afrontar a perda e um consolo para viver o luto mais intensamente.

Mais do que tudo, era a compreensão do potencial da fotografia como um meio inigualável. Uma foto é vestígio que torna presente uma ausência. Talvez a única coisa capaz de vencer a morte.

O velório de Domenico Pillonetto em 1935


Exéquias de uma integrante da família Isoton ou Rigon, no início do século passado. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação


Registro do cortejo fúnebre do empresário Abramo Eberle durante a passagem pela Rua Marquês do Herval, em 13 de janeiro de 1945. Foto: Mancuso/ Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação.


O cortejo de Abramo Eberle rumo ao Cemitério Público de Caxias. Foto: Giacomo Geremia/ Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação


Velório de pessoa desconhecida, por volta de 1910. Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação


Velório de Dante Morganti, 1898. Foto: Giovanni Batista Serafini/ Acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação.


Parceria


Informações desta página foram publicadas originalmente na coluna Almanaque Gaúcho, do colega Ricardo Chaves, de Zero Hora.

Confira outras publicações da coluna Memória.

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros