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Agiotagem08/03/2016 | 15h00

Crédito fácil e pagamento diário escondem juros abusivos em Caxias

Agiotas têm feito empréstimos e exigido pagamentos em até 20 parcelas diárias

Crédito fácil e pagamento diário escondem juros abusivos em Caxias Porthus Junior/Agencia RBS
Foto: Porthus Junior / Agencia RBS
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Atentos à crise econômica e seus reflexos, como o encolhimento da renda e o desemprego, grupos que atuam como agiotas, emprestando dinheiro sem autorização do Banco Central, estão aumentando as facilidades para empréstimos, que, no final das contas, tornam-se verdadeiras armadilhas.

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A proposta é simples: o agiota empresta um valor e propõe o pagamento em até 20 parcelas diárias. Os alvos preferidos são comerciantes, que têm lugar de trabalho fixo e alguma garantia de rendimento. Com o discurso de que o empréstimo é uma boa solução, já que não é preciso comprovar renda nem passar por consulta de crédito – ao contrário de instituições bancárias –, esses grupos espalham propaganda na área central detalhando a proposta.

Sem se identificar, a reportagem contatou duas pessoas a partir do números descritos nos cartões, para pedir detalhes. A primeira, que revelou ter escritório em Canoas e começou a atuar em Caxias em fevereiro, explicou que o dinheiro é liberado na hora. O empréstimo inicia com, no máximo, R$ 500. Depois, dependendo de como foi a negociação nos primeiros dias, esse valor pode chegar a R$ 2 mil.

Na simulação feita pelo agiota, os R$ 500 seriam pagos em 20 parcelas diárias de R$ 30. No final, o contratante pagaria R$ 100 de juros.

— Não dá para liberar muito já de início porque precisamos de garantias. O juro, para esses 20 dias, é de 20%. Mas é bom de negociar porque só pedimos um número de documento e comprovante de residência. Não consultamos o SPC e o dinheiro é dado na hora. É uma barbada — justificou a negociante.

O horário da cobrança diária do pagamento é combinado em um primeiro encontro, de acordo com a mulher. O devedor pode negociar a dívida durante o prazo estipulado, mas não pode exceder os 20 dias. Ela não detalha como a cobrança é feita:

— Normalmente, nosso cobrador passa nos estabelecimentos no final da tarde. Não cobramos domingo, nem feriados e tudo é negociável. Se não conseguir pagar naquele dia, paga o dobro no dia seguinte. Mas uma coisa é certa: tem que pagar.

O outro agiota contatado trabalha de forma semelhante, mas o valor máximo de empréstimo oferecido é maior. Se o cliente pagar em dia nas primeiras negociações, pode receber até R$ 25 mil.

— Nosso foco é o comerciante, os donos de estabelecimentos, porque com eles temos alguma garantia de renda. Não atendemos funcionários de empresas ou lojas porque o pagamento sempre se torna mais difícil, já que a cobrança é diária e eles recebem salário por mês — justifica o agiota.

Questionado se a operação era segura, ele foi enfático:

— Claro. Te dou o dinheiro, você me paga por dia, e todo mundo fica bem.

 
 
 

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