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Cidadania27/02/2016 | 23h41

Senegaleses protestam em Caxias contra a insegurança

No sábado, eles realizaram ato na Praça Dante Alighieri em memória de compatriota assassinado

Senegaleses protestam em Caxias contra a insegurança Jonas Ramos/Agencia RBS
Cantos religiosos e rezas marcaram a despedida de Cheikh Tidiane Foto: Jonas Ramos / Agencia RBS
Tríssia Ordovás Sartori

trissia.ordovas@pioneiro.com

O ato organizado pelos senegaleses na tarde de sábado, na Praça Dante Alighieri, para pedir paz e justiça, se estendeu por seis horas e culminou com orações de despedida para Cheikh Tidiane, 28 anos, em ritual de corpo presente em pleno Centro da cidade.

O africano foi assassinado na quinta-feira passada, na localidade de São João da 4ª Légua, em Galópolis. Dois dias depois do crime, cerca de 150 pessoas mobilizaram-se para reclamar da falta de segurança e da impunidade, já que o suspeito da morte de Tidiane pagou fiança e foi solto em poucas horas depois de ter sido capturado.

Em breves discursos sobre o tema, alguns dos presentes questionaram a eficiência das leis, pediram paz para "senegaleses e brasileiros" e até sugeriram que o racismo poderia ter influência na banalização da morte do rapaz.

— Moro em Caxias há um ano e vejo a invisibilidade do negro na comunidade. A questão racial não pode ser descartada nessa morte, porque 77% da juventude que morre no Brasil é negra — afirmou a produtora audiovisual carioca Monique Rocca, 34, entre lágrimas.

O presidente da Associação dos Senegaleses de Caxias, Aboulahat Ndiaye, 24 anos, o Billy, acostumado a receber migrantes, foi obrigado a aprender a fazer o caminho inverso — e, desta vez, o compatriota chegará sem vida a Dakar, capital do Senegal.

— O homem que fez isso matou um ser humano, uma família e um futuro. Tidiane morava aqui há um ano e mandava todo o dinheiro para os familiares, não tinha contas por aqui — disse Billy.

A coordenadora do Centro de Atendimento ao Migrante de Caxias do Sul, Maria do Carmo Gonçalves, disse que o clamor tinha uma função específica: pedir a prisão preventiva do assassino. A religiosa questiona também a legislação brasileira.

— Penso na qualidade da permanência daqueles que estão aqui. É triste constatar que o passaporte foi a certidão de óbito dele. Com isso, morre um pouco a esperança de cada um — declarou.

Depois das falas, parte do grupo ficou entoando canções religiosas, enquanto caminhava em círculos sob a lona que abriga o palco montado na Praça. Alguns entraram em transe e praticamente todos ficaram até a despedida derradeira, que durou apenas 13 minutos — das 21h50min às 22h03min.

O transporte ficou sob responsabilidade de uma funerária de Passo Fundo, que já havia realizado outras operações como essa, e veio a Caxias buscar Cheikh Tidiane no Instituto Médico Legal. Depois de o corpo ter sido recolhido, foi levado à Praça Dante Alighieri. O veículo subiu na calçada em frente à Galeria do Comércio e, por alguns minutos, os compatriotas fizeram preces junto ao caixão alojado na parte de trás da camionete S10, que estava com o porta-malas aberto.
 
 
 

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