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História23/02/2016 | 10h32

Memória: o pioneirismo da família Rossato

Estabelecidos em São Marcos da Linha Feijó, irmãos inauguraram em 1889 o transporte de vinho em barris para Porto Alegre

Memória: o pioneirismo da família Rossato Acervo Família Rossato/Divulgação
A vinícola dos Rossato por volta de 1908 Foto: Acervo Família Rossato / Divulgação

A vinícola dos irmãos Rossato consolidou-se como uma referência na história de Caxias do Sul. O empreendimento está associado aos primórdios da imigração italiana e também ao pioneirismo na venda de vinhos para Porto Alegre.

No livro Documentário Histórico do Município de Caxias do Sul (1875-1950), publicado em 1950, o jornalista Duminiense Paranhos Antunes relatou a saga dos irmãos Paolo, Antonio e Marcelino Rossato.

Paolo foi o primeiro a chegar ao Brasil, mais especificamente a São Sebastião do Caí, em dezembro de 1883, juntamente com a esposa Rachele Massignani - no ano seguinte, vieram mais e mais parentes. Já o irmão Antonio Rossato pisaria na Serra em 1886.

Estabelecidos em São Marcos da Linha Feijó, os Rossato dedicaram-se basicamente à viticultura. Visionários, encomendaram duas rodas de carreta importadas da Itália para facilitar o comércio com a capital da então província do Rio Grande do Sul.

O primeiro carregamento de vinho ocorreu em 1889, sendo que o transporte deu-se por uma carroça puxada por duas mulas - uma verdadeira "aventura", conduzida pelos irmãos Paolo, Antonio e Victório por uma estrada estreita e mal talhada nas encostas do morros. Era a estreia não só das rodas como de uma atividade que só seria facilitada com a chegada do trem a Caxias, em 1910.

Posteriormente, os Rossato ampliaram os ramos de atuação. Além da indústria do vinho, ganharam espaço a moagem de trigo e milho, o comércio de produtos coloniais e uma lojas de fazendas e artigos de secos & molhados.


 Funcionários da vinícola em meados dos anos 1920. Foto: acervo família Rossato, divulgação


Espaço atual do setor de expedição da Vinícola Rossato, em São Marcos da Linha Feijó. Foto: Roni Rigon

Rico acervo

Sobrinho-neto de Paolo e neto de Marcelino, Dirceu Rossato, 60 anos, administra um patrimônio que resiste ao tempo e às vicissitudes econômicas que atingem a produção vinícola.

A imagem do prédio histórico, por exemplo, está impressa nos rótulos das garrafas e garrafões de vinho. Além do casarão, a direção da empresa preserva ainda documentos e fotografias antigas que contam boa parte dessa rica trajetória.

O maior "tesouro" da família de Dirceu, no entanto, são as 19 cartas originais enviadas por Paolo aos familiares, moradores de Valdagno, região do Vêneto, em 1884.

Em caligrafia impecável, as missivas se traduzem em um dos mais poéticos relatos sobre a saga e a esperança dos imigrantes italianos nas antigas colônias.

Relíquias da imigração: as cartas preservadas por Dirceu Rossato.

Cartas de imigrante italiano inspiram exposição fotográfica em Caxias.

 
 
 

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