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História15/02/2016 | 10h05

Memória: Lola Salles, entre agulhas e tecidos desde 1937

Às vésperas do início da Festa da Uva 2016, recordamos de personagens de estreita relação com o evento

Memória: Lola Salles, entre agulhas e tecidos desde 1937 Studio Geremia,acervo da família/Divulgação
A família Bolzani em 1950: ao centro estão os pais Andrea e Angelina Billibio Vidor Bolzani, entre os filhos Inês e Antônio Bolzani (à esquerda) e Maria e Lola (à direita). Em pé, da esquerda para a direita, aparecem os irmãos Tereza, Reinaldo, Mario, Velocino e Adelina Foto: Studio Geremia,acervo da família / Divulgação

Às vésperas do início da Festa da Uva 2016, recordamos de personagens de estreita relação com o evento. Abrindo a série, Hollandina Zelinda Bolzani de Salles, ou melhor, Lola Salles, 85 anos, uma das costureiras mais reconhecidas da cidade. Em mais de sete décadas dedicadas ao ofício, Lola contabiliza a confecção dos trajes oficiais das soberanas de 1994, 1996, 2000 e 2004. Mesmo sem nunca ter parado, em 2015 a costureira aceitou mais um desafio: confeccionar os vestidos do atual trio, formado pela rainha Rafaelle Galiotto Furlan e as princesas Laura Denardi Fritz e Patrícia Piccoli Zanrosso.

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Toda essa trajetória frente às máquinas de costura, porém, começou muito antes de Lola se envolver com a Festa. Aos sete anos, em 1937, ela já auxiliava a mãe, Angelina Billibio Vidor Bolzani, costureira, e o pai, Andrea Bolzani, fabricante de selas de cavalo em couro. A família de Lola era composta por 11 filhos, mas apenas ela e a irmã Maria Bolzani se interessaram pela profissão da matriarca. A menina realmente tinha o dom para lidar com agulhas e tecidos. Aos 12 anos, já havia conquistado suas próprias clientes, aos 15 largava os estudos na Escola Emílio Meyer para se dedicar à costura.

O primeiro vestido de gala, para a cliente Jatir Marchioro Cislaghi (in memoriam), foi confeccionado em 1946, quando Lola tinha apenas 16 anos. Por volta desse época, a jovem buscou formação profissional no curso de modelagem no Círculo Operário Caxiense, onde se formou em corte de vestidos em 22 de junho de 1948 (diploma ao lado). No mesmo ano, Lola decidiu abrir o seu próprio estabelecimento, o Atelier Lola Salles. Já o casamento com Osmar Bernardo de Salles (foto abaixo) veio em 1957_ e nem é preciso dizer quem confeccionou o vestido. Dessa união nasceram os filhos Ana Lúcia, João André, Jorge Luiz e Maria Cristina.


Lola Salles (a terceira da direita para a esquerda, em pé), entre as colegas de formatura do curso de corte de vestidos no Círculo Operário Caxiense em 1948. (Foto: acervo de família, divulgação)


Profissionalização: o certificado do curso de corte de vestidos, realizado por Lola no Círculo Operário Caxiense de 1946 a 1948. (Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação)


O primeiro vestido de noiva

Em 1953, Lola confeccionou o primeiro vestido de noiva da sua carreira. O modelo foi usado em setembro do mesmo ano pela senhora Iris Perini. A criadora mantém até hoje uma réplica da peça em miniatura.


Iris Perini com o vestido de noiva desenhado e confeccionado por Lola Salles em 1953. (Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação)


Casamento em 1957: a costureira Lola Salles e o marido Osmar Bernado de Salles. Lola desenhou e confeccionou o seu próprio vestido de noiva. Foto: Studio Geremia, acervo de família, divulgação

Linha infantil

Por volta de 1966, Lola se aventurou por outro ramo: a confecção de roupas infantis, mas sem deixar de lado os trabalhos do atelier. O empreendimento se manteve até meados de 1970.


Lola Salles, uma das personagens do documentário Criadoras de Moda de Caxias do Sul, de Viviane Salvador, lançado em 2011 (Foto: Carolina de Barba, divulgação)


Reconhecimento

Parte da trajetória da costureira foi recontada no livro Nossas Mulheres ... que ajudaram a construir Caxias do Sul, de Maria Abel Machado e Leonor Aguzzoli. Lola também é citada em Figurinos da Vindima, de Véra Stedile Zatera, e 217 Beijos Inesquecíveis, de João Pulita. A relevância do trabalho de Lola também compreende obras audiovisuais, como a participação no documentário Criadoras de Moda de Caxias do Sul, de Viviane Salvador, realizado em 2011.


As soberanas da Festa da Uva 2016 no atelier Lolla Sales, fazendo os últimos ajustes no traje oficial. Da esquerda para a direita, Lola Salles, a princesa Patrícia Piccoli Zanrosso, a rainha Rafaelle Galiotto Furlan, Tini Salles e a princesa Laura Denardi Fritz. (Foto: Porthus Júnior)

Exposições

Trinta trajes, entre vestidos para debutantes, noivas, formandas, bodas, gala e vestimentas para as candidatas à rainha da Festa da Uva, estiveram expostos no espaço Documenta Costumes no Campus 8 da UCS, em 2012. As confecções de Lola encontram-se também no Museu da Moda da Universidade do Estado Santa Catarina (Udesc), em Florianópolis. Lá estão dois exemplares confeccionados na década de 1960.

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