Marcos Kirst: como é boa essa sensação de voltar para casa e de se sentir à vontade onde se está - Cidades - Pioneiro

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Opinião16/02/2016 | 05h31

Marcos Kirst: como é boa essa sensação de voltar para casa e de se sentir à vontade onde se está

Poucos prazeres são tão plenos, reconfortantes e redentores quanto o de voltar para casa. Especialmente quando temos uma casa e quando nessa casa vivenciamos a inegociável sensação de paz, que a consolida em lar. O abraço dos entes queridos transmite e simboliza a grandeza dessa sensação. O cachorro a lhe sorrir latindo em frente ao portão ou o gatinho se enrodilhando a seus pés, também.

Conhece bem essa sensação quem saiu da casa paterna para estudar fora e retorna em algum final de semana, ou mesmo anos depois. Ou quem sai por alguns dias a trabalho e retorna. Sente-se a mesma alegria de voltar mesmo que se consiga realizar o sonho de uma longa viagem perfeita de muitas semanas do outro lado do planeta. Devem também sentir isso os astronautas quando os módulos que os trazem de volta à Terra reentram na atmosfera. Sentimos também uma fração significativa dessa emoção reconfortante todos os dias ao chegarmos em casa de volta do trabalho, tirando os sapatos e calçando as chinelas. Como é bom voltar para casa!

A obra que é um dos pilares da literatura ocidental tem como pano de fundo justamente a saga do protagonista em sua busca homérica de retornar para casa, o que só consegue depois de longos dez anos de tentativas permeadas de incríveis aventuras. Trata-se da “Odisseia”, de Homero, clássico grego que narra as desventuras do guerreiro Ulisses que, finda a Guerra de Troia, da qual participou (contada na “Ilíada”), empenha-se em retornar à sua cidade Ítaca, onde a esposa Penélope o aguarda fiel e pacientemente. Quando enfim chega em casa, não é exatamente uma sensação agradável que o invade ao perceber o que estava rolando, mas, no final, seus esforços acabam recompensados e vou parar por aqui para não estragar a leitura de ninguém. Poderíamos também lembrar a alegria que gerou a volta do filho pródigo para a casa paterna, conforme relatado no Novo Testamento, no Evangelho de Lucas. Foi uma festança de proporções bíblicas.

Essa mesma sensação estou sentindo eu desde ontem, com o retorno de minha coluna de crônicas para o abrigo das páginas do caderno Sete Dias, o guardião das notícias de cultura e variedades do jornal Pioneiro. Como é boa essa sensação de voltar para casa e de se sentir à vontade e bem colocado onde se está. O sentimento de pertencimento é uma das mais benfazejas panaceias que existem para renovar o espírito. Bem-vindos comigo, leitores.

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