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Melhor idade10/11/2015 | 09h25

Perda auditiva reduz autonomia de idosos

Hábito de ouvir rádio ou televisão com volume alto é sintoma de perda auditiva que nem sempre é percebido pelos que sofrem do problema

Perda auditiva reduz autonomia de idosos Márcia Dorigatti/Agência RBS
Exposição a ruídos altos, ao longo da vida, é um dos fatores que contribuem para surdez Foto: Márcia Dorigatti / Agência RBS
Saber envelhecer é preciso. E entre todas as dificuldades que afetam a vida de um idoso, uma das piores é a perda auditiva. A surdez pode isolar o indivíduo da família, dos amigos e até criar dificuldades no ambiente de trabalho.



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A dificuldade de ouvir atinge grande parte da população idosa e gera problemas de comunicação, acarretando situações constrangedoras na família e no dia-a-dia em sociedade. E o pior: essa incapacidade auditiva, com o decorrer do tempo, pode levar ao isolamento social progressivo e à depressão, principalmente se o indivíduo também tiver outras limitações funcionais, como dificuldade para andar.

A hereditariedade e a exposição frequente a ruídos altos, ao longo da vida, são os principais fatores que contribuem para a perda de audição na terceira idade – chamada de presbiacusia. O zumbido no ouvido também pode ser um sinal de dano auditivo. Outra evidência é a dificuldade do idoso para entender uma conversa ou ouvir o noticiário da TV, por exemplo.

Conforme a médica otorrinolaringologista Inara Luiza von Holleben, um dos tipos mais comuns de perda de audição é a presbiacusia ou perda auditiva relacionada à idade, que inicia a partir dos 40 anos e tem progressão gradual. Ela é percebida inicialmente pela dificuldade de escutar os sons do ambiente e de comunicação com a família.

— Na presbiacusia, deve-se realizar a reabilitação auditiva sempre que possível, pois a surdez promove o isolamento do idoso dentro da família. Geralmente é indicada a protetização auditiva com aparelhos de amplificação sonora individual (AASI) — explica.

Com a vida moderna e as várias opções de lazer e atividades físicas e culturais, a quebra do preconceito em relação ao uso de aparelhos de audição é fator primordial para que o idoso aceite sua limitação auditiva, procure ajuda e mantenha-se ativo.

— Como é comum que estes pacientes já apresentem outras deficiências, seja visual, de locomoção ou cognitivas, a perda auditiva pode agravar o quadro de isolamento. Muitos estudos têm relacionado a perda auditiva com o aumento do risco de demência. Segundo essas pesquisas, a tendência ao isolamento diminui os estímulos cerebrais, afetando não só as áreas responsáveis pelo processamento sonoro e linguagem, mas todo o cérebro — lembra a otorrinolaringologista.

Injustiça

É muito frequente os familiares injustamente descreverem o idoso portador de deficiência auditiva como confuso, desorientado, distraído, não colaborador e zangado. Segundo especialistas, muitas pessoas já experimentam algum grau de perda da audição a partir dos 40 anos, por causa do envelhecimento natural do corpo. O processo é diferente em cada um, mas aproximadamente uma em cada dez pessoas nesta faixa etária tem dificuldade para ouvir. Depois dos 65 anos, a perda auditiva tende a ser mais severa. Por isso, o melhor é procurar um especialista aos primeiros
sintomas de perda auditiva.

‘É preciso aumentar o volume’

Erondina Medeiros da Silva Rosa, 82 anos, começou a perceber um zunido no ouvido há dois anos. Segundo ela, o barulho é horrível, semelhante o de uma cachoeira. Por este período, ela usou dois modelos de aparelhos auditivos, mas de um tempo para cá piorou, já que também tem dificuldades para dormir e sente dor de cabeça.

— Costumo ir deitar mais cedo e deixo a televisão ligada para assistir a novela, mas é preciso aumentar o volume — conta Erondina.

Dificuldade em ouvir pode levar o idoso a outros problemas, como a depressão

A perda na capacidade de ouvir implica em isolamento do indivíduo e pode levar à depressão. Como a dificuldade de audição ocorre de forma gradual, as pessoas resistem em assumir o problema, acabando por só encarar a surdez quando ela já é grave.

De acordo com a psicóloga Nicole Ribeiro, a limitação de uma doença na terceira idade, independentemente de qual seja ela, cegueira, dificuldades no andar, necessidades de amputação ou surdez, talvez seja a maior crise que o idoso já se deparou ao longo de sua vida.

— Confusão, culpa, medo, impotência, mutilação e desintegração são sentimentos de muitos idosos nessa condição que inevitavelmente reforçam o correr natural da vida – explica. Para a especialista, essa é uma fase comum e necessária, porém deve ser superada, afinal a energia deve estar focada em pensamentos e ações que auxiliem nessa nova fase — conclui.
 
 
 

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