Marcos Kirst: se alguma coisa acontece duas vezes, corre-se o risco de que aconteça uma terceira vez - Cidades - Pioneiro

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Opinião08/08/2015 | 05h41

Marcos Kirst: se alguma coisa acontece duas vezes, corre-se o risco de que aconteça uma terceira vez

Uma terceira vez precisa ser evitada a todo o custo



E não podemos esquecer de Nagasaki. Muito se fala sobre a bomba atômica lançada pelos Estados Unidos sobre a cidade de Hiroshima em 6 de agosto de 1945, na Segunda Guerra Mundial, episódio catastrófico em termos de vidas humanas civis que o mundo recordou na última quinta-feira, na data dos 70 anos do episódio.

Como foi a primeira cidade da história do mundo vitimada por um ataque nuclear, todos os olhos costumam se voltar para Hiroshima. Porém, três dias depois da primeira bomba, os Estados Unidos voltaram a atacar e, em 9 de agosto de 1945, despejaram o segundo artefato sobre Nagasaki, causando  estimadas 80 mil mortes só naquele dia.

Não se pode esquecer Nagasaki, porque seu bombardeamento atômico, que neste domingo também completa 70 anos, faz um alerta sempre necessário para a humanidade, e que pode ser resumido a partir de uma crença ancestral japonesa. Os antigos sábios nipônicos costumavam alertar que, se alguma coisa acontecesse duas vezes, essa mesma coisa corria sério risco de acontecer uma terceira vez. É por isso que não se pode jamais esquecer do horror causado em Nagasaki pelo inferno atômico: Nagasaki foi a segunda, logo após Hiroshima. As armas atômicas continuam existindo no mundo, em poder de algumas superpotências que se julgam no direito de comandar os destinos da humanidade. Uma terceira vez precisa ser evitada a todo o custo, e o instrumento mais eficaz para isso são os esforços para que seja mantida sempre muito viva a chama da memória relativa aos efeitos mortíferos e trágicos do uso desse tipo de armamento.

Ao longo de seus seis anos, a Segunda Guerra Mundial foi pautada pelo desenrolar de horrores que só quem os viveu tem a capacidade de absorver sua inapreensível dimensão, se é que é possível apreender tamanhas desgraças causadas à humanidade pela própria humanidade. As bombas atômicas despejadas sobre duas cidades japonesas foram os movimentos finais da sinfonia de horrores reais em que se transformou o mundo de 1939 a 1945. Tudo em função da cobiça, da intolerância, da falta de diálogo, do totalitarismo, da megalomania, do racismo, do preconceito, do culto à violência, do desamor e da falta de respeito à vida e às diferenças.

Duas bombas atômicas, duas guerras mundiais... Que não haja lugar para terceiros nessas equações.

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