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Problemas encobertos22/03/2015 | 16h03

Lei da comunicação visual revela deterioração de prédios em Caxias

Precariedade em edificações históricas estava oculta por painéis de propaganda

Lei da comunicação visual revela deterioração de prédios em Caxias Roni Rigon/Agencia RBS
Farmácia, na Avenida Júlio de Castilhos com a Rua Garibaldi, no Centro, aguarda autorização da prefeitura para a limpeza da fachada. Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

A lei da comunicação visual está revelando prédios históricos deteriorados pelo tempo e pela falta de manutenção. Como nem todo proprietário reformou paredes antes ocultas sob enormes propagandas, a remoção das placas de madeira ou de metal traz a reboque estruturas mofadas, com pintura gasta e carcomidas pelo tempo.

Levantamento da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) indica que 795 empreendimentos receberam notificação para adequar fachadas à legislação entre 2014 e o início deste ano. Desse total, a estimativa é de que mais de 80% já alteraram placa, letreiro ou outdoor. Uma parcela pequena, portanto, ainda não executou as mudanças.

Como a lei dá sinais de eficiência, as edificações danificadas ou irregulares se destacam no quadrilátero formado pelas ruas Os Dezoito do Forte, Bento Gonçalves, Moreira César e Alfredo Chaves, também denominado centro histórico. Em um breve passeio pela Avenida Júlio de Castilhos é possível vislumbrar prédios adaptados e conservados compartilhando a vizinhança com outros em pior estado.

O comércio nem sempre é responsável pela manutenção pois boa parte dos espaços é alugada. Conscientizar os donos sobre a importância do embelezamento predial também é tarefa difícil. A lei não expressa claramente que um prédio precisa ter a fachada reformada, com exceção da exigência pela normatização da comunicação visual. Por outro lado, o titular da Semma, secretário Adivandro Rech percebe que fachadas ruins ficam pouco tempo expostas:

— O contraste com outras lojas ao lado é tão grande que o dono acerta a comunicação visual com base na lei, depois providencia a reforma. Isso tem ocorrido no curto a médio prazo, não há situação que dure meio ano. Percebemos também que a população e empreendedores se tornaram fiscais e avisam quem não se enquadrou.

A página Limpa Caxias, no Facebook, registra melhorias, mas cobra o cumprimento da lei. 

— Era sabido que, em um primeiro momento, a cidade não ia ficar bonita, pois as fachadas dos prédios passaram décadas abafadas sob placas enormes, muitas colocadas de tal modo que prejudicaram a estrutura. Muitas estão com um aspecto sofrível, que certamente se assim for mantido irão desvalorizar a região central. Pela importância da região, penso que o poder público poderia propor estímulo pela revitalização — sugere o designer Tiago Fiamenghini, idealizador do Limpa Caxias.

A exposição de fachadas deterioradas também é ocasionada por questões burocráticas. A rede de farmácias Mais Econômica ocupa um ponto emblemático na esquina da Avenida Júlio de Castilhos com a Rua Garibaldi, no Centro.

A direção retirou as placas de propaganda, revelando parte do antigo prédio da Farmácia Confiança. A empresa possui outras filiais na cidade adaptadas à lei da poluição visual. Mas algumas unidades, incluindo o prédio da antiga Confiança, aguardavam liberação para intervenções até a semana passada.

Conforme a coordenadora de expansão da Mais Econômica, Rose Mari Barros, o pedido protocolado na prefeitura compreende basicamente a lavagem de fachada.

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