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Revitalização27/03/2015 | 16h31

Em três décadas: o que se pode ser resgatado no Centro de Caxias do Sul

Nos últimos 30 anos, a área deixou de ser ponto de encontro para se tornar uma área essencialmente comercial

Em três décadas: o que se pode ser resgatado no Centro de Caxias do Sul Jonas Ramos/Agencia RBS
Atualmente, o Centro é uma área de negócios Foto: Jonas Ramos / Agencia RBS

Até a década de 1980, o Centro de Caxias do Sul era um local badalado de lazer, onde pessoas de todos os bairros e níveis sociais se encontravam. Com o tempo, foram desaparecendo as diversas atrações que levavam a população à área central. Cinemas deram lugar ao comércio e, em uma ação emblemática da postura descentralizadora do município, o calçadão foi demolido em nome da circulação de carros na Avenida Júlio de Castilhos.

No projeto Caxias 2030, há referências à descentralização das atividades e em nenhuma das 92 páginas do relatório o Centro é citado. Segundo o secretário de Planejamento, Gilberto Boschetti, isso acontece porque, na época, se falava em descentralização de serviços. No entanto, ela aparece tanto no tópico "Cultura" quanto no "Esporte e Lazer".

Atualmente, o Centro é uma área de negócios. Justamente por isso, quando acaba o horário comercial, as grades das vitrinas baixam e as "atrações" desaparecem. Ou seja, há vida apenas de dia.

— Uma das características importantes dos centros urbanos é a diversidade: é necessário que tenhamos atividades diversas para ter vida em vários horários com vários públicos. O que tem havido em Caxias do Sul é atividade intensa do comércio em detrimento de outras atividades — aconselha Carlos Eduardo Mesquita Pedone, professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e presidente do Conselho Municipal de Planejamento e Gestão Territorial.

Movimento parecido aconteceu em diversas grandes cidades do país. A diferença é que, em locais como Recife (PE) e Curitiba (PR), um grande projeto de revitalização reverteu o processo de abandono do Centro. Caxias pode seguir o mesmo caminho, mas é preciso agir.


O que podemos construir

Atrações noturnas são praticamente inexistentes no Centro, mas é preciso pensar também nos finais de semana. Para o integrante do movimento Viva o Centro - grupo de pessoas preocupadas com a humanização do Centro, mas sem organização formal -, o empresário André Magnabosco, uma saída pode ser promover eventos para atrair a população de volta à área.

Com poucas opções no coração da cidade, a população se voltou à atraente área verde do bairro Exposição. O problema é que o Parque dos Macaquinhos não dispõe de muitas alternativas, se tornando essencialmente um local para a realização de exercícios. Ali é preciso investir em segurança e na infraestrutura.

A preocupação com o ambiente também é importante quando se fala em revitalização do Centro. Ruas com cabeamento subterrâneo, recuperação de prédios históricos e mais árvores seriam bem-vindas.

Hoje, Caxias do Sul não tem calçadão. Até 2004, em toda a extensão da Praça Dante Alighieri, a Rua Júlio de Castilhos abrigava bancos, árvores e até brinquedos para as crianças. O arquiteto Carlos Eduardo Pedone lembra que os calçadões incentivam outras atividades.

Se alguns alegam que a reconstrução do calçadão atrapalharia o comércio e a circulação de veículos, uma alternativa pode ser fechar algumas ruas apenas nos domingos. Hoje Porto Alegre faz isso em alguns corredores de ônibus, o que cria um espaço para correr, andar de bicicleta ou simplesmente passear ao ar livre.

Em Caxias do Sul, há apenas uma estação de aluguel de bicicletas no Parque da Festa da Uva. Não há ciclovias na área central. Então, quem quer andar de bicicleta sem se deslocar até um bairro distante precisa se arriscar entre os carros.

Houve um tempo em que três cinemas eram vizinhos da Praça Dante Alighieri: Guarany, Ópera e Central. Hoje não há mais nenhum, pois os shoppings foram substituindo o centro urbano ao reunirem em um só lugar atividades culturais, comércio e gastronomia.

Segurança é outro ponto essencial. Com mais segurança, os comerciantes se sentiriam confortáveis em deixar as vitrines e talvez até mesmo as lojas abertas até mais tarde e aos domingos, o que acabaria atraindo mais pessoas em uma espécie de ciclo vicioso.

Pioneiro

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