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Em pauta20/03/2015 | 18h22

Comunidade e autoridades debatem ocupação do Centro de Caxias do Sul

Não há plano de ação para criar atrativos aos domingos

Comunidade e autoridades debatem ocupação do Centro de Caxias do Sul Jonas Ramos/Agencia RBS
Domingo no Centro: público na praça é formado por idosos e famílias Foto: Jonas Ramos / Agencia RBS

Constantemente, o Centro de Caxias do Sul vira debate da comunidade e das autoridades. O tema é a melhor ocupação do lugar, especialmente nos finais de semana.

Aos domingos, sem o colorido das lojas, fechadas, a paisagem fica ainda mais cinza.  O mínimo de um roteiro cultural é impossível. Museu Municipal, na Visconde de Pelotas? Fechado. Casa da Cultura, na Dr. Montaury? Fechada. Nenhum rastro da colonização italiana: artesanato ou produtos coloniais passam longe dali. Fachadas de prédios históricos desaparecem com o comércio ambulante que toma a calçada e, com eles, relógios, pulseiras, CDs.

Sobram poucas opções: o jeito é tomar um sorvete, caminhar a esmo pela praça, visitar uma da poucas lojas abertas. Na praça, jovens são raridade, é verdade, mas fica evidente que a comunidade quer ocupar o espaço: idosos e famílias passeiam. Ainda que o Centro tenha uma vocação natural para o comércio e serviço, a mera abertura das lojas não é a solução - nem o que quer a comunidade. 

Mesmo que a palavra revitalização esteja presente em quase todas as falas das autoridades sobre o tema, as opiniões divergem e passam por questões que envolvem também melhorias na segurança e transporte público. A defesa pela valorização do patrimônio histórico é grande. O fato, porém, é que não há um plano para o Centro, admitido pelo próprio secretário de Planejamento, Gilberto Bosquetti.

— Não há um projeto específico de revitalização. Estamos trabalhando algumas políticas e projetos integrados. O comércio passou a dominar o Centro e alguns bairros passaram a ter mais autonomia.

Ainda que os jovens pareçam ser os que menos ocupam o Centro, vêm deles as maiores reivindicações. Para o barista Lucas Brazil, 22, faltam atrações. Rafaela Musa, 18, voltava de um encontro feminista e pegava um ônibus na Sinimbu para casa. Foi taxativa:

— Quando há programação, elas são sempre na mesma época do ano e quando há algo que atraia toda a comunidade, como a Feira do Livro, ela é transferida para a Estação Férrea, um lugar mais elitizado — reflete a estudante de Direito.

O QUE PENSAM AS AUTORIDADES

As autoridades divergem sobre a ocupação do Centro caxiense aos domingos. Para a coordenadora de Proteção ao Patrimônio Histórico e Cultural, Liliana Alberti Henrichs, é preciso ocupar o espaços.

— O centro tem uma vocação agregadora muito forte de negócios, serviço e comércio. Sempre foi isso. Para melhorar, precisamos ter um foco diferente nos equipamentos urbanos, que não seja apenas comercial, mas cultural em um sentido amplo. Precisamos outras âncoras para quem não quer ir ao Centro só para ir ao banco. Temos que ocupar mais os espaços públicos — diz.

A arquiteta Jéssica De Carli acredita que algumas ações passaram a valorizar mais o Centro.

— As ações feitas nos últimos anos, como a lei das fachadas, já ajudam bastante porque valorizam o espaço urbano. Estávamos com um Centro caótico. Eu vejo as pessoas passando e redescobrindo prédios. Deveria haver incentivos para quem tem prédios de patrimônio histórico. Tem que existir parcerias do público e privado.

Já Marcos Doncato, presidente da Associação de Moradores do Centro, acredita que os atrativos podem ser melhor aproveitados.

— A gente tem tantos atrativos, os prédios históricos, a praça, o parque. Eles têm que ser melhor aproveitados. Teria que se pensar como fazer com que todos entendessem que o Centro está aberto a todos. Talvez as vitrines ficarem abertas até mais tarde, isso puxaria para o comércio, mas ajudaria a começar a impulsionar. Trazer atrativos para o Centro fora do horário comercial.

No slider abaixo, movimente o P do Pioneiro e veja a diferença de um dia normal no Centro e em um final de semana:


 
 
 

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